Você tem vergonha de ser criança?

Será que não precisamos usar mais do nosso lúdico e alimentar mais as nossas crianças internas e externas?

Postado dia 18/10/2016 às 09:57 por Priscilla Brandeker

CRIANÇA

Foto: Reprodução/Internet

Observando as fotos de crianças nos perfis das redes sociais e a emoção de cada pessoa ao recordar bons momentos (inclusive eu), me transportei àquele período mágico, onde o mundo era colorido pelo brincar e esse brincar era extremamente levado a sério como hoje levamos as nossas vidas. Mas peraí, se levamos a vida tão a sério como fazíamos ao brincar, porque ela se tornou tão pesada, densa, cheia de preocupações e muitas vezes sombria e tediosa? Ao adotarmos posturas formais, rígidas, sem vida, nos esquecemos que levar a sério, não é sinônimo de robotizar, de engessar possibilidades e de não usar a criatividade.

Quando falamos que algo é sério, queremos dizer que é importante para nós, certo? Apesar de algumas pessoas se permitirem atitudes mais infantis e brincadeiras no dia a dia, geralmente elas acabam sendo rotuladas como imaturas, irresponsáveis ou como pessoas que não levam a vida a sério. Mas será isso mesmo? Por que mesmo deixamos de brincar? São as contas para pagar? As responsabilidades do cargo? A posição de ser pai ou mãe?

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Quando estou atendendo uma criança no consultório e coloco-me a brincar com ela, logo percebo e me questiono, por que a maioria das crianças de hoje não aproveita tão bem o brincar como fizeram as gerações anteriores? A maioria está acostumada com brinquedos prontos, sem criatividade, sem imaginação, sem precisar buscar por soluções e assim a infância está cada vez mais empobrecida e robotizada como nós adultos estamos. Cabe outro parêntese aqui, aos pais e cuidadores, que na expectativa de proporcionarem o “melhor” aos filhos, preenchem o tempo e espaço que seriam das brincadeiras, com atividades e agendas lotadas, com compromissos, competições exageradas, cobranças e esforços além do que elas realmente precisam para serem simplesmente crianças, com a justificativa de que as estão preparando para o futuro. Mas que futuro desejamos mesmo às nossas crianças?

A criança tem a leveza no olhar, a sinceridade na voz, a ingenuidade nas ações, a espontaneidade nas palavras e a esperança no olhar. Com o decorrer dos anos, aprendemos a criar algumas máscaras de “proteção”, para que não sejamos enganados, não sejamos passados para trás, não soframos, porém, aquela criança ainda está lá dentro, querendo ser, amar, brincar e se libertar. Será que não precisamos usar mais do nosso lúdico e alimentar mais as nossas crianças internas e externas? Será que o mundo não precisa mais do olhar de bondade das crianças, que da amargura e dureza dos adultos?

Este texto é uma reflexão e adoraria contar com a participação e as ideias de todos.

Um abraço grande,

Priscilla T. Brandeker

Psicóloga

CRP 06/123945

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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