Vitimismo nos olhos dos outros é refresco

Feminismo não quer mulheres com privilégios aos homens, nem o movimento negro aos brancos, entre outros; o que querem é igualdade, e a cima de tudo respeito às suas diferenças

Postado dia 01/02/2016 às 01:14 por Giovanna Belluomini

cotas

Foto: Divulgação/Internet

Há certa ignorância falaciosa que nos ronda incansavelmente, a qual acusa os movimentos sociais de luta por direitos de vitimismo. Mas isso não é surpresa para quem participa desses movimentos. Na realidade, é algo natural do ser humano, é como um cachorro que é ameaçado e rosna para defender-se. O problema é que tais movimentos não querem ameaçar ninguém, apenas seus privilégios.

Feminismo não quer mulheres com privilégios aos homens, nem o movimento negro aos brancos, entre outros; o que querem é igualdade, e a cima de tudo respeito às suas diferenças. É aí que começa a cegueira de certos setores da sociedade brasileira. Pois, para quem não sente na pele (muitas vezes literalmente) o que é passar por machismo, racismo, preconceito, é difícil enxergar que alguém passa por isso.

cota

Charge de Vini Oliveira

E nessa luta por di-rei-tos (aquilo que é nosso por di-rei-to), conseguimos alguns avanços. Como por exemplo, as cotas sociais/ raciais. Sim! Por incrível que pareça é uma pequena reparação histórica (e não um privilégio) para a população, em geral negra, pobre e marginalizada desse país. Sim, foram seus parentes escravizados por séculos, então largados a Deus-dará nos morros; enquanto o governo brasileiro praticava uma política de embranquecimento da sociedade, incentivando com terras e trabalho, europeus a virem para terras tupiniquins. E toda essa política, e o racismo constitucional de séculos e séculos, geraram consequências. Hoje, segundo dados estatísticos do IPEA, apesar de serem 51% da população brasileira, os negros são 70% dos pobres.

“Mas vai baixar o nível das universidades federais”. Não, não vai, assim como não foi. Segundo estudo feito pela UFMG, cotistas têm notas superiores a não cotistas. Afirmar isso é aceitar o vestibular como uma maneira perfeita de avaliar a inteligência humana, ignorar a máfia que são os cursinhos. Eles sabem o que caí na prova e passam de maneira graciosa a seus estudantes, passam questões iguais uma semana antes. Mas lembra do preto pobre? Pois é, ele não tem dinheiro para pagar por tais informações.

A conquista das cotas é só uma, entre tantas, e tantas e tantas que virão. Há um só recado para esses setores cegos: nós somos a mosca na sopa, estamos aqui para perturbar o sono. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E não adianta vir nos dedetizar, pois nem o DDT pode assim nos exterminar. Porque você mata uma e vem outra em nosso lugar.

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Giovanna Belluomini

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