Vinhos italianos orgânicos: in pace con la natura

Beber vinhos naturais, biodinâmicos e orgânicos é mais uma questão de militância do que uma questão de saúde

Postado dia 13/10/2016 às 11:47 por Edgard Reymann

vinhos

Beber vinhos naturais, biodinâmicos e orgânicos é mais uma questão de militância do que uma questão de saúde. Há, claro, dezenas de produtos químicos na produção convencional de vinhos no mundo. Mas as quantidades não são lesivas ao organismo se você beber comedidamente qualquer vinho. Se você for um “wino”, provavelmente vai morrer de cirrose hepática antes que os sulfitos e conservantes possam lhe causar uma doença. Mas, sim, vale a pena beber um vinho orgânico especialmente pelos danos que se evitam especialmente ao solo. Provei 23 rótulos de vinhos entre orgânicos e naturais italianos, representados pela importadora e distribuidora Mondoroso, e vendidos com exclusividade pela Casa do Porto. E eles são ótimos.
Há uma série de vantagens em consumir um vinho dessa estirpe. Seu cultivo não agride o solo, seu sabor realmente representa um terroir específico, mesmo que isso não faça assim tanta diferença “no frigir dos ovos”. Mas representa porque sua produção é artesanal, o uso de pesticidas é evitado, a quantidade de conservante é mínima mesmo, a vinificação é feita com leveduras selvagens (existentes na própria uva) e a resultante só pode dar em ótimos vinhos porque o vinicultor realmente sabe o que está fazendo, é um connoisseur. Dizem também que o orgânico (inclua aí biodinâmico e natural) tem mais sabor, mas relativizo isso: todo vinho feito artesanalmente, seja orgânico ou não, recebe muito mais atenção do produtor, do cultivo da uva à taça. E fica em média bem melhor. O único porém é que, pelo fato de o vinho ser artesanal, suas produções são reduzidas, o que influi no preço final. Mas, pelo nível dos que provei na Casa do Porto, pode-se dizer que estão à altura, ou além, dos melhores em cada segmento (Barolo, Chianti, Brunello etc) e faixa de preço.

Das onze vinícolas que chegam agora ao Brasil, provei 23 rótulos de nove delas e deixo aqui meus destaques:

Corte Moschina Purocaso

Como na vida diária, uma degustação começa melhor com um espumante, ou aqui, um frisante. No caso, o Purocaso, que é comercializado com as leveduras – daí seu aspecto turvo. De resto, é maravilhoso, fresco e cítrico, Ótimo perlage e notas florais bem pronunciadas. Feito de uva Durello, uva autóctone da região de Verona. R$ 179,00.

Corte Moschina Granetto

Feito de Pino Grigio, é, portanto, um branco muito fresco, com notas salinas, boa acidez, mas também untuoso. É o vinho mais em conta da degustação: R$ 139,00.

Benedetti Valpolicella Ripasso Croce del Gal

O Ripasso é o vinho que passa por uma segunda fermentação junto com as cascas do vinho Amarone, uma “alquimia” que, ainda mais aqui, o deixa com notas achocolatadas, de frutas escuras e bem mais complexo do que o normal. Altamente gastronômico, bom para pratos com molhos densos e carnes mais fortes, como cordeiro, javali etc. R$ 296,00

Puro Chianti (normal e riserva)

Duas belezas naturebas da Fattoria Lavacchio, sem sulfito (sem chance de dor de cabeça pelo químico). O “normal” tem notas florais e de amoras. Bem suculento. R$ 188,00. O Riserva é mais amadeirado, notas de frutas do bosque, bem tânico e final de boca persistente. R$ 265,00.

Pachàr

Mais uma joia da Fattoria Lavacchio, esse branco é feito só de uvas internacionais! Chardonnay, Viognier e Sauvignon Blanc, é a prova de que a Itália é terreno propício também para uvas da vizinha França. Foi um dos preferidos e mais comentados na degustação. Notas de baunilha, aveia, muito macio, leve, sedoso, com toque minera bem elegante e final de boca agradável. R$ 265,00

Langhe Arneis Fussot

Mais um branquinho lindo na degustação, esse é da região do Piemonte, feito de uva Arneis. Notas de pêssego e abacaxi, um toque um pouco mais tropical, e na boca mais amanteigado com uma coisa picante. Curioso, final de boca é bem frutado. R$ 165.
A mesma vinícola, a Ghiomo, faz o Nebbiolo d’Alba Sansteu, um tinto rico, que fica um ano em barricas de carvalho e mais seis meses em garrafa para afinamento, antes de ir para a sua casa. É um dos melhores, vá lá, custo-benefício da degustação: R$ 220,00

Barolo Fossati

Terminei a sequência com um Barolo Fossati da Enzo Boglietti, que também está com um Dolceto, um Barbera e um Brut Rosé bem gastronômico. Este, safra 2007, além do frutado que remete a geleia de cereja, tem toques de defumado, tabaco e balsâmico, ou seja bem complexo. Fica 12 meses em barricas de carvalho entre primeiro e terceiro usos), mais 12 meses em barris grandes (botti) e mais dez meses de afinamento em garrafa, antes de ser comercializado. Todo esse cuidado resulta num grande vinho, mas também tem seu preço: R$ 684,00. E ainda há o Barolo Case Nere, feito com uma parte de vinhas velhas, só 3.500 garrafas, o mesmo cuidado que o acima citado, e sua safra 2009 sai por R$ 744,00.

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Sobre o Autor

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Edgard Reymann

Jornalista que está atualmente dedicando suas atenções para o vinho e para a gastronomia

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