Vamos falar de cultura?

Nunca foi fácil ser artista no Brasil. Sempre há uma sensação de grito no deserto quando o assunto é a luta pelo acesso da população aos bens culturais

Postado dia 09/09/2015 às 13:10 por Cidão Fernandes

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A luta por direitos, verbas, transparência nas contas públicas e, principalmente, acesso à cultura é inglória. Na média, a indústria cultural é quem dita e indica quem é que vai faturar as maiores fatias do orçamento público e privado em eventos escassos e com pouca representatividade na regionalidade característica em todo país.

Na região do Alto Tietê, os grandes artistas já bancados pela grande mídia, mega investidores culturais(!!!) e a já citada indústria há décadas consomem bem mais da metade do orçamento dos municípios em megashows nas já conhecidas Festa de Aniversários da Cidade. Enquanto isso, os famosos “artistas locais” lutam por migalhas – e, na maioria das vezes, nem as migalhas são oferecidas.

Percebendo que a maior parte de quem faz cultura de forma continuada já conhece essa realidade e que já vem criticando essa postura faz algum tempo, por que ainda não conquistou melhores condições de tratamento (que inclui vários pontos de ação) para que potencialize seus trabalhos e alcance o maior número de pessoas possível? Por que não houve avanços substanciais nos momentos onde os gestores na pasta da Cultura nas prefeituras foram artistas? Por que tudo foi tão frágil a ponto de nada perdurar? Por que ainda caímos em discursos com pouca prática?

Obviamente que há muita coisa a ser perguntada e possivelmente as respostas não serão únicas. Isso é bom. Só que chegou a hora de começar a fazer as perguntas, responder, praticar as respostas, avaliar os resultados e fazer novamente. Hora de estar atento para não cair e fabricar armadilhas, desviar os oportunistas (sejam eles eternos ou temporais), construir diálogos honestos e não pseudo-honestos e trazer para si as responsabilidades também do descaso a qual artistas e população em geral foram submetidos durante todo esse tempo.

É hora também de cumprir uma das missões de qualquer artista, que é inventar seu tempo, propor soluções esteticamente vanguardistas, construir sua independência para além de carteis culturais e efetivamente ampliar o acesso da população a todo e qualquer bem cultural que seja feito na sua cidade ou na sua região. É hora de acreditar que, perante a arte não significamos nada e que, por outro lado, assumir que somente com a arte temos significado e que essa verdade pode realmente aproximar público do bem cultural.

Desafios típicos de uma vida toda. Entender que o mundo pode estar nos pedindo mais coragem para enfrentar aqueles que sempre nos quiseram pelas costas, sugando nosso suor, retaliando nossas atitudes, patrulhando nossos passos e nos virando as costas por se achar invencível.

Começar a conversar sobre esses diversos pontos de vista, sem achar a resposta definitiva, deve ser a busca principal dessa singela coluna. Falar sobre cultura sempre é um prazer para quem investiga os desafios a qual somos submetidos diariamente. PS: prazer sem limites.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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