Valorizar-se é fácil?

Pessoas têm se sacrificado imensamente para seguir o que é considerado normal e isso virou sinônimo de aceitação

Postado dia 12/11/2015 às 11:01 por Priscilla Brandeker

Como primeiro texto aqui no Sociedade Pública, escolhi falar sobre um tema constante em pautas profissionais, grupos de discussão e rodas de amigos, que é a forma como nos valorizamos.

A primeira pergunta que quero fazer é: O que é preciso para ser feliz? É preciso ter muitos amigos? Ter um carro? É preciso ter um cabelo assim ou assado, um corpo x ou y, uma roupa a ou b? O que a sociedade e nós mesmos nos colocamos como sendo sinônimo de felicidade? Quais os padrões que estão intrínsecos no nosso dia a dia e que nem sequer nos damos conta? Quem define esses padrões? Será que são todos sinônimos de realização pessoal e felicidade genuína?

Pois bem, esse é um tema extenso e complexo, mas quero deixar aqui uma reflexão, onde o ponto principal está em pensarmos se as coisas que nos fazem sentir felicidade, são as mesmas que fazem as outras pessoas felizes. Para algumas pessoas, por exemplo, baladas e festas são sinônimos de alegria (os posts das redes sociais assim “confirmam”, certo ou errado?). O tempo todo as pessoas postam e se mostram como felizes e satisfeitas em suas vidas, mas o que tem por trás de cada retrato, de cada texto ou frase copiada? Nós realmente não sabemos.

Se ir ao teatro, ao cinema, ao parque, a uma viagem ou simplesmente ficar em casa sem fazer nada nos faz sentir mais felizes, por que simplesmente nos “obrigamos” a ir às tais festas ou nos martirizarmos por prinão sermos “iguais” a todo mundo? Pessoas têm se sacrificado imensamente para seguir o que é considerado normal e isso virou sinônimo de aceitação, gerando muitas vezes, um grande conflito interno, uma insatisfação constante e profunda. E mais interessante e pode soar contraditório, é a luta por diferenciação e ao mesmo tempo pertencimento ao todo.

Queremos tanto ser diferentes, ditarmos moda, padrões, ideais, porém, aguardamos a aprovação do outro e apenas nos sentimos confiantes quando esse outro passa a nos seguir e então voltamos a fazer parte de um todo novamente, como uma engrenagem de aceitação mútua. Em um dos seus primeiros textos, em 1929, Sigmund Freud falou sobre a civilização, sua organização e o controle perante as próprias vontades em detrimento ao que a sociedade e no caso, a política determinava. Ainda hoje é assim, e temos muito mais acesso às informações, e além disso, maior discernimento e liberdade de escolha.

Com a força e o crescimento das mídias sociais, padrões vêm sendo cada vez mais imputados como sinônimos de felicidade. Educadores, psicólogos, sociólogos e historiadores, através dos mesmos meios, promovem reflexões para que as pessoas não se iludam com tais padrões, que reflitam antes de se deixarem levar por opiniões, que não tomem partido sem antes refletir, pesquisar, discutir. E cá entre nós, nossas opiniões são passíveis de mudança, certo?

Corremos o tempo todo atrás de sermos iguais aos outros e deixamos de valorizar a nossa própria essência, nossos próprios valores e ideais, e o nosso verdadeiro eu fica perdido no tempo e no espaço, buscando, buscando, buscando…. sem rumo, sem foco definido, e muitas vezes sem razão de ser. O que costumo praticar com meus pacientes, é voltar o pensamento e o sentimento para o que realmente os fazem felizes, deixando o perfeccionismo e as exigências completamente de lado! Quem exige demais de si e das outras pessoas, acaba ficando abaixo das próprias expectativas. Cada um de nós é um ser único e é exatamente isso que nos torna incríveis e especiais. Bom, espero que este texto ajude em suas reflexões.

Busque sua própria luz e deixe-a brilhar!

Priscila Brandeker – CRP 06/123945

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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