Uma viagem durante os 18 anos vividos pelo Dire Straits

O Dire Straits já vendeu mais de 100 milhões de discos ao redor do planeta!

Postado dia 17/11/2016 às 08:30 por Leonardo Carrasco

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Foto: Reprodução

Em uma tradução livre, o nome da banda significa Aperto Terrível. Esta expressão ‘dire strait’ é uma gíria britânica bastante usada que quer dizer que a pessoa tá passando por uma situação financeira ruim. É engraçado pensar que tal nome foi dado por um amigo dos caras e que, no final das contas, a banda se tornou sinônimo de música bem sucedida considerando que o Dire Straits já vendeu mais de 100 milhões de discos ao redor do planeta!

Logicamente que o gênio por trás desse grupo é o guitarrista, vocalista e compositor Mark Knopfler. Ele nasceu em Glasgow, uma das três cidades mais populosas do Reino Unido e de onde vieram os irmãos Young do AC/DC. Ele foi muito criticado no início de sua trajetória por não ter uma super voz e até mesmo por não ter o protótipo de guitar hero. Ainda bem que ele não desistiu de seus sonhos!

Os primórdios do Dire Straits estão na banda Cafe Racers. Assim a primeira formação era composta por John Illsley, único membro que permaneceu todo o tempo na banda, podendo ser chamado de braço direito de Knopfler, e que começou tocando guitarra, porém passou para o baixo pouco tempo antes de conhecer Mark; o irmão do líder, David Knopfler, guitarrista que ficou com a missão de fazer a base das músicas e que já dividia apartamento com Illsley antes do irmão mais velho ir para Londres e morar com os dois; e, por fim, o baterista Pick Withers, nascido em Leicester.

Pois bem, era o ano de 1977 e os rapazes gravaram umas demos, entre elas Sultans of Swing, Water of Love, Down To The Waterline e Wild West End, quatro faixas que integram o primeiro álbum lançado em outubro de 1978, chamado simplesmente Dire Straits. Este disco já tem o timbre tão característico que é marca registrada de Mark Knopfler & cia. e na época não havia quem fizesse esse tipo de som – contextualizando, estávamos em pleno boom do punk rock.

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Como a mídia sempre teve necessidade de rotular música, começou-se a chama-lo de pub rock, afinal a banda é oriunda dos vários pubs espalhados pela Grã-Bretanha. A influência veio do boogie-woogie, um subgênero do blues bem marcado pela mão esquerda do piano que misturava country com gospel e a guitarra acompanhava tal ritmo, por isso ter uma levada peculiar e também foi daí que naturalmente Knopfler teve a sacada de tocar sem palheta, pois o som de suas seis cordas tocadas com o polegar, dedos indicador e médio davam exatamente a ‘voz’ que ele buscava como instrumentista.

Menos de um ano depois, saiu no mês de abril o intitulado Communiqué que manteve a pegada da banda, porém tinha arranjos mais sofisticados e contou com o tecladista Boby Bear na formação do Dire Straits. As canções, todas escritas por Mark, formam um trabalho muito consistente e as canções trabalhadas para rádio foram a faixa título, Once Upon A Time In The West e Lady Writer. Esta última, mais conhecida dos brasileiros, é uma provável referência à escritora Marina Warner, cuja qual Mark viu em um programa de TV. Em 1979, a banda já era muito famosa em outros países, principalmente na França onde o segundo disco alcançou o topo da parada.

Em 1980, sai o terceiro álbum Making Movies produzido por Mark Knopfler em parceria com Jimmy Iovine, e que já não conta com David, este substituído no meio das gravações por Sid McGinnis. O responsável pelos teclados também não foi o mesmo do lançamento anterior: agora Roy Bittan era o nome que ocupava esta posição. A propósito, esse disco já deu uma guinada diferente dos dois anteriores e dava mais a cara do que o Dire Straits se tornaria nos anos seguintes.

Destaques deste disco? Tunnel of Love, a qual a intro foi tirada de The Carousel Waltz dos compositores americanos Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, trilha de uma famosa comédia dos EUA; Romeo and Juliet, uma composição bem pessoal de Mark e Expresso Love.

Dois anos se passaram, e veio o quarto trabalho dos caras, Love Over Gold. Neste álbum, Mark Knopfler foi responsável pela produção sozinho, ou seja, cada vez mais ele tomava as rédeas da obra da banda, já que ele era o único compositor. Tal disco também teve mudanças na formação: entrou o tecladista Alan Clark e o guitarrista Hal Lindes. Após o lançamento, o batera Pick Withers resolveu sair do DS para tocar jazz e se dedicar mais a sua família. Porém, isso pode ser atribuído ao maior uso de teclado e sintetizador (Ed Walsh foi quem tocou este último instrumento) e, por isso, Pick tomou a decisão de deixar a banda.

Sonoramente falando, a grande mudança foram as faixas possuírem uma grande duração se aproximando ao rock progressivo, assim não tendo tanto espaço nas rádios, apesar do DS continuar fazendo muito sucesso, principalmente em shows. O destaque fica pra música Telegraph Road com seus mais de 14 minutos e é a música de maior duração de toda a carreira da banda.

Chegando em 1983, é lançado o EP ExtendedancEPlay que tem quatro faixas e contava com o baterista Terry Williams. É nele que se encontra o single Twisting by The Pool, uma das canções que mais curti em minha infância!

Neste mesmo ano, Mark se envolveu em outros projetos musicais, como por exemplo a composição das trilhas sonoras de Local Hero, um filme escocês, e de Cal de 1984; a produção do disco Infidels de Bob Dylan, um de seus grandes ídolos e que sempre foi uma referência direta a sua maneira de cantar; e compôs a música Private Dancer para Tina Turner, apenas um dos maiores sucessos dela!

O mais incrível é que após quatro álbuns e um EP, o auge do DS ainda viria em 1985: Brothers In Arms! Sim, esse é realmente o álbum que marcou a indústria fonográfica eternamente, afinal ele foi pioneiro em usar um processo de gravação e mixagem totalmente digital. Outro fato marcante é ele ter sido o primeiro CD a alcançar uma vendagem superior a um milhão de cópias. Aliás, até no Brasil este disco alcançou o topo da parada. Não é a toa que a maioria dos seres humanos conhece a banda através deste título.

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Os maiores sucessos dele foram Walk of Life, So Far Away, Why Worry, a faixa título e, claro, Money For Nothing. O videoclipe desta última foi o primeiro a ser exibido pela MTV do Reino Unido e foi executada a exaustão por todas as MTVs mundo afora. Também conta com a participação de Sting nos vocais e na composição.

Houveram aí mais mudanças na formação: a adição de mais um tecladista, Guy Fletcher e a saída de Hal Lindes, substituído por Jack Sonni no meio das gravações. Também ocorreu a efetivação de Terry Williams na bateria do DS.

Após uma extensa turnê pra promover o quinto álbum, incluindo uma participação histórica no Live Aid que alavancou ainda mais as vendas da banda, Mark Knopfler volta a se dedicar a mais trilhas de filmes, como A Princesa Prometida de 1987.

No ano seguinte, a banda retorna do hiato e toca em um tributo a Nelson Mandela pelo seu 70º aniversário. Lá, eles são acompanhados por Elton John e Eric Clapton, e então começou uma forte amizade entre os dois guitarristas que perdura até hoje. Porém, pouco tempo depois Terry Williams abandona o grupo e Mark Knopfler anuncia o fim do DS por tempo indeterminado.

Neste período, Mark monta uma banda chamada Notting Hillbillies que deu vazão a uma antiga vontade dele de fazer música folk, blues e country sem a menor preocupação comercial. Um álbum foi lançado com esse grupo chamado Missing… Presumed Having a Good Time. Até por conta desse envolvimento com a country music, Mark realizou um sonho de infância: gravou um disco ao lado do lendário Chet Atkins. Disco que ganhou três grammys, diga-se de passagem.

Começando a década de 90, o Dire Straits volta a ativa e lança seu sexto álbum de estúdio em 1991 intitulado On Every Street. Obviamente, não vendeu tanto quanto seu predecessor, mas ainda assim vendeu mais de oito milhões de cópias e tem os sucessos, de rádio e MTV, Calling Elvis e Heavy Fuel. Este disco ainda contou com mais uma formação distinta, pois além de Knopfler, Illsley, Clark e Fletcher, os músicos Phil Palmer (guitarrista de Clapton), Paul Franklin (um exímio músico de estúdio), Danny Cummings (percussionista) e Jeff Porcaro (baterista do Toto) participaram da gravação.

Depois de mais dois lançamentos de discos ao vivo, a banda anuncia o derradeiro fim em 1995. Knopfler cansou de fazer grandes turnês e decidiu focar em uma carreira solo e em mais trabalhos com trilhas sonoras.

É até triste pensar que essa banda tão aclamada tenha apenas seis discos de estúdio, um EP e alguns álbuns ao vivo, porém Mark Knopfler tem uma carreira solo tão boa que quem não quiser ficar somente nos trabalhos do DS, pode muito bem ir atrás dos discos do mestre. Pra terem uma noção, entre discos dele e discos compostos para trilhas, são 20 lançamentos!

Ainda por cima, o nome dele está envolvido em discos de Emmylou Harris, Bob Dylan e William Topley. Seu irmão, David, tem um disco chamado Release com sua participação, além de tocar com seu fiel escudeiro John Illsley nos discos Never Told A Soul e Glass. Aproveito o ensejo pra dizer que Illsley lançou três álbuns solo, se aposentou da música e agora dedica sua vida artística à pintura.

Portanto, material pra gente se deliciar com as melodias únicas de Mark Freuder Knopfler não falta! Foquei mais na carreira do DS, mas quem sabe numa próxima eu não explore a carreira solo dele, não é mesmo? Até mais!

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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