Uma carta de Mãe…

Não tem jeito, mães sabem das coisas

Postado dia 14/03/2016 às 08:30 por Tania Zaccharias

mãe

Foto: Divulgação/Internet

Esta é uma história pessoal. Bastante pessoal. Mas compartilho aqui, pois sinto que ouvir coisas assim pode nos tocar a acreditar mais na Vida e nos sutis sinais que ela nos dá!

Essa noite sonhei com minha mãe, Rosana, que partiu subitamente para o outro plano há 1 ano e 7 meses. Nesse sonho, ela me explicava que só se foi porque realmente não tinha mais condições de aqui ficar. Quem conheceu minha mãe sabe que é a mais pura verdade. Ela me explicava isso com a doçura de uma mãe que entende que sua partida deixa em seus filhos um leve sentimento de “abandono”, algo como uma sensação de ser um “filhote ao relento”, como gosto de dizer…

Acordei com a forte presença dela. Por ela rezei e pedi que ela sempre estivesse comigo, guiando meu caminho. Agradeci na mesma hora, com a certeza de que sempre poderia com ela contar e sentindo que por perto ela estava para me ajudar…

Senti vontade de um abraço, que não pude dar…

Eis que ainda hoje, num sábado à noite, me pego buscando em gavetas e pastas um documento que possivelmente irei precisar para viajar no ano novo. Em meio a certificados e certidões de tudo-quanto-é-tipo, encontro uma pilha de cartas e cartões que há anos ali eram guardados…

Eu, que não sou de ter apego a este tipo de recordações, abro uma delas, que me chamou a atenção pela ROSA amarela no papel.

É uma carta. De Natal. Da minha mãe.

“Querida Tete,

A cada ano novo devemos fazer um balanço de nossas vidas. O que foi bom, repetir, e evitar o que não passou de regular. Portanto, acredito que a delicadeza conosco mesmo, a atenção ao corpo, tratando-o com carinho que todo pacote de presente merece, ouvindo sua linguagem?—?não só as que caminham pelo pensamento e passam pelas ações?—?mas principalmente aquelas que ele exprime involuntariamente como as sensações e emoções.

Cuidado com o egocentrismo nocivo e o desejo forte de liberdade sem planejamento. Aprenda com o passado recente e relembre o distante. Além de ser bom para a memória, economizamos tempo, dinheiro e lágrimas!

Na lista das conquistas, a subida de mais um degrau na evolução espiritual. E a disposição?—?com satisfação!?—?para ajudar ao outro, sendo o outro o próximo, sendo o próximo aqueles que dividem conosco tempo e espaço nessa caminhada.

Um forte abraço gostoso e um grande beijo.

Feliz Ano Novo,

Sua Mãe?—?dez 2007″

“Cara, como ela pode me falar exatamente o que eu precisava ouvir, mas com oito anos de antecedência?”

Chorei. Com saudade e emoção. Sorri. Com gratidão por ela estar sempre comigo. Me estarreci!?—?pela precisão de suas palavras tão adequadas a este momento e escritas há tantos anos… Me redimi, por tantas vezes duvidar de seus conselhos. E concluí: não tem jeito, mãe sabe das coisas…

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Sobre o Autor

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Tania Zaccharias

Ex-menina, atual mulher "porque". Entusiasta da poesia da vida real, curiosa por tudo e sempre questionadora.

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