Uma carta de Cingapura

Com três crianças em fase escolar em casa, tenho observado e questionado o atual modelo de educação oferecido pelas escolas

Postado dia 30/09/2016 às 11:13 por Wilson ADM

cingapura

Foto: Reprodução/Internet

Apesar de termos um crescente movimento em favor do “homeschooling” e formas alternativas de educação – a exemplo das fantásticas Green School em Bali e IslandWood nos arredores de Seatle – esse é ainda um índice insignificante em termos mundiais.

As crianças de hoje já nascem com estímulos e oferta de conhecimento impensável há poucas gerações. Considerando que toda informação formal encontra-se disponível e facilmente acessível na rede on-line, o que estas crianças ainda fazem frente a um quadro negro, entre quatro paredes?

São condicionadas a seguir condutas de comportamento e recebem punições e advertências quando não se encaixam no perfil esperado, enquanto aprendem a usar um uniforme e obedecer sirenes estridentes em ambientes cimentados e frios. Qualquer semelhança com um presídio não é mera coincidência.

paola

Não à toa o índice de hiperatividade e déficit de atenção crescem exponencialmente. E nossas crianças vão sendo dopadas para se enquadrarem num  padrão pré-estabelecido. Another brick in the wall. Além de não permitirmos que se expressem livremente, consideremos a informação que estamos oferecendo a eles: que consumir uma droga acalma e os faz serem aceitos.

Abaixo segue a transcrição da carta de um diretor de escola em Cingapura para os pais antes da semana de provas:

 

“Prezados Pais,

A semana de provas está para começar. Eu sei que vocês estão esperando que seus filhos se saiam bem.

Mas por favor, lembrem-se de que, dentre os estudantes que estão sentados ali para fazer a prova, há um artista, que não precisa entender de matemática.

Há um empreendedor, que não se importa com história ou literatura.

Há um músico, cujas notas em química não importam.

Há um esportista, cujo preparo físico é mais importante do que a física… assim como a escolaridade.

Se seu filho obtiver as melhores notas, ótimo! Mas se não, por favor, não tire dele ou dela sua autoconfiança e sua dignidade.

Diga-lhes que tudo bem! É só uma prova. Eles foram talhados para coisas muito mais importantes na vida.

Diga-lhes que, independentemente de sua nota, você os ama e não os julga.

Façam isso, por favor. E quando fizer, veja-os conquistarem o mundo. Uma prova ou uma nota baixa não vai lhes tirar os próprios sonhos ou seu talento.

E por favor, não pense que médicos ou engenheiros são as únicas pessoas felizes no mundo.

Com carinho,

A diretoria.”

Uma renovada e fresca maneira de pensar e, ainda assim, apenas um primeiro passo para uma mudança que urge no íntimo dos “pequenos” seres. As crianças são sábias, estão mais próximas da verdadeira essência do que nós, os crescidos. Que saibamos ouvi-las e aprender com suas mentes e maneiras libertas, em lugar de insistirmos em moldá-las nas velhas formas de aprisionamento do Ser.

 

paola2Nome: Paola Sansão
Cidade: São José do Rio Preto
Artista por natureza, designer gráfico por formação, flautista por atrevimento, esposa e mãe por amor, buscadora por essência, questionadora por consciência.
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