Um tour pela insanidade no mundo

A tragédia do mediterrâneo. Todos os dias somos agredidos pelas notícias que nos confrontam com a morte de dezenas, centenas de refugiados das regiões conflagradas do Oriente Médio, afogados nas águas do Mediterrâneo, entre a África e a Europa.

Postado dia 07/10/2016 às 10:42 por José Iwabe

refugiados

Foto: Reprodução/INternet

Quem são os responsáveis por essa matança? Tais mortes não são acidentes, já que as vítimas foram compelidas a essa trágica circunstância de refugiados e induzidas a enfrentar a insana travessia de um mar traiçoeiro, em embarcações de extrema fragilidade, superlotadas, ou extenuantes caminhadas através da Turquia, Hungria e países que circundam a Síria e os Bálcãs.

Vários são os países de origem daqueles que buscam na União Europeia um sonho de liberdade, uma esperança de vida melhor, mas o maior número provém da Síria, Afeganistão, Eritréia, Kosovo e Sérvia.

Mais de 4,5 milhões são os que fogem das guerras e das suas consequências e, pelo mar, só em 2014 foram 840 mil e até agosto de 2015, outros 437 mil, segundo dados consolidados. Até hoje a cifra deve ter ultrapassado a marca de 2 milhões. As mortes em naufrágio, considerando apenas os oficialmente registrados, já ultrapassa as 10 mil, principalmente de crianças, idosos e mulheres, mas desconfia-se que o total seja muito maior, posto que os embarques são efetuados por organizações criminosas, que aliciam os refugiados de maneira totalmente inescrupulosa e ilegal.

As principais rotas marítimas saem da Turquia para a Grécia, em embarcações como botes infláveis ou barcos de madeira. Da Líbia para a Itália e da Tunísia para a Espanha, em balsas ou navios de pequeno calado, todos superlotados.

O grosso dos refugiados provém da Síria, de Bashar al-Assad, que se encontra numa guerra interna em que todos lutam contra todos: Exército Governamental, Exército da Síria Livre, terroristas do Estado islâmico e da Frente Al-Nasra (Al Qaeda) e os Curdos. Entre soldados e civis são mais de 220 mil mortos, desde 2011.

Os demais refugiados tentam escapar das guerras quase tribais, ou das perseguições politicas ou religiosas, como também da fome e da miséria reinantes em seus países.

Foto: Reprodução/Internet - Refugiados morrem no mar mediterrâneo tentando fugir da guerra civil

Foto: Reprodução/Internet – Refugiados morrem no mar mediterrâneo tentando fugir da guerra civil no oriente médio

A chegada em massa dessas hordas de apátridas aos países europeus causa enorme impacto social, pois geram choque cultural, religioso e étnico, além de demandar assistência onerosa para dar-lhes alimentos, moradia, trabalho e atenções na saúde. Já há, na maioria das nações que os acolhem, forte movimento de resistência, agravado pelo natural temor da presença de terroristas infiltrados, o que efetivamente se comprovou.

Não há porque acusa-los de xenofobia, pois é evidente que o ingresso repentino de dezenas, até de centenas de milhares de pessoas de cultura, religião e costumes inteiramente diferentes causa inúmeros transtornos no quotidiano da população que as acolhe.

Acolher refugiados, por mais caritativo e humanitário que seja, é apenas paliativo para o problema e estimula mais ainda o movimento migratório anormal. É preciso atacar a raiz da questão, com as nações do mundo inteiro impondo embargo econômico absoluto e isolamento àqueles países que aterrorizam seu próprio povo, para que os governantes mudem seu comportamento, se retirem ou sejam depostos.

Dos terroristas que promovem suas atrocidades, que seus financiadores e fornecedores de armas sejam identificados e impedidos de continuar a fazê-lo. Sem meios de ação, não há ação! A ONU é uma entidade inerte justamente porque não quer ou não é capaz de agir nesse sentido.

Foto: Reprodução/Internet - Na Tentativa de fugir da Guerra, pais arriscam a vida de seus filhos

 

O NÃO ao acordo de paz com a FARC. Em Cuba o presidente colombiano Juan Manuel Santos, com as bênçãos de Obama, da ONU e de Fidel Castro,  ali representados por John Kerry, Ban Ki Moon e Raul Castro, respectivamente, firmou um acordo de paz com os dirigentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), acordo este dependente de referendo popular, no qual o voto pelo “Não” venceu com uma margem mínima: 50,2% contra 49,8% pelo “Sim”, com a abstenção expressiva de 63% dos eleitores.

Estes fatos pedem sejam colocadas em foco para um esclarecimento sobre o que exatamente pretendiam e o que efetivamente aconteceu.

As FARC remontam a 1948 quando havia o embate entre liberais e conservadores pelo domínio do país. Com a contínua infiltração de comunistas entre as fileiras dos liberais, estes se bandearam para os conservadores em 1959 e o grupo remanescente passou a atuar na clandestinidade, fundando, com base na ideologia marxista leninista, as FARC. Em 1980 mesclaram-se aos narcotraficantes e  com os recursos proveniente das drogas, armaram-se fortemente e intensificaram  as ações terroristas, assassinando, sequestrando e torturando empresários, diplomatas e figuras do judiciário, além da prática de crimes comuns de todo tipo, notadamente estupros, e acabaram por dominar quase 40% do território nacional.

Com a ascensão de Álvaro Uribe, em 2002, à presidência do País, houve uma ação determinada e bem coordenada de combate que eliminou vários líderes, encurralou os terroristas e reduziu sua capacidade operacional, o que fez cair substancialmente a criminalidade no país, diminuiu em muito a quantidade de sequestros, inclusive com a libertação de muitos que estavam em cativeiro num regime sub-humano, bem como o número de milicianos despencou de 18 mil para menos 6 mil. Atualmente estima-se que eles não passem de 3500.

Foto: Reprodução/Internet - Guerrilheiros da FARC portando poderosos lançadores de granadas

Foto: Reprodução/Internet – Guerrilheiros da FARC portando poderosos lançadores de granadas

Entretanto, com a eleição de Juan Manuel Santos, ocorrida em 2010, o combate às FARC arrefeceu. Pior! A organização que sempre fora considerada pelo governo colombiano, pelos Estados Unidos, Canadá e a União Europeia como grupo terrorista, portanto inapta a ser considerada legítima a qualquer título – bandidos não possuem legitimidade – , passou a ser considerado pelo novo governo como entidade política e lhes foi proposto um acordo, com o aval daqueles que antes os consideravam reles criminosos, numa total inversão de valores.

Para o acordo as FARC exigiram seu reconhecimento como partido político, eleição de uma assembleia constituinte (claro, para a elaboração de uma nova Constituição com a sua participação), a realização de uma reforma agrária, a reestatização das empresas privatizadas e anistia a todos os guerrilheiros.

O governo colombiano se compromete a criar um tribunal especial (com a participação de juízes aceitos pelos narcotraficantes) para o julgamento dos membros das FARC, exige a deposição de todas as armas e lhes concede o reconhecimento como entidade política de pleno direito.

Para o referendo popular os eleitores deveriam simplesmente responde SIM ou NÃO para a seguinte pergunta: “Você apoia o acordo final para o fim do conflito e a construção de uma paz estável e duradoura?”. Diante de um questionamento tão capcioso quanto tendencioso, 63% dos eleitores se abstiveram. Era cínico demais! Mas mesmo assim o NÃO venceu, por 60 mil votos a mais, capitaneados por Álvaro Uribe.

O povo colombiano, depois de mais de 200 mil mortos, 6 mil sequestros, incontáveis ações de violência e milhares de jovens recrutados à força para servir aos terroristas, além de estupros sem conta, não aceitaram que o passado fosse ignorado e nem de conviver com seus algozes como se nada houvesse acontecido nos últimos 60 anos.

EUA na encruzilhada da História. Grandes impérios surgem e desaparecem. Assim foi com o Império Romano, o maior da antiguidade; o de Carlos Magno na Europa e do clã Khan (Gengis e Kublai) na Mongólia, durante a Idade Média; o Austro-húngaro, no pós-renascença; o Inglês durante a Revolução industrial.

O “Império” Americano se estabeleceu e foi reconhecido como tal após o término da Segunda Grande Guerra e perdurou até agora. Parece que, pela voz e pelas ações de Barack Obama, chega ao fim. Ronald Reagan foi o ultimo presidente a manter a aura de nação líder do mundo e a conduzir com firmeza e segurança o embate contra o expansionismo soviético, defendendo o capitalismo e a liberdade, durante o longo período da guerra fria. Depois dele todos os presidentes foram claudicantes e a grandeza do Protetor do mundo livre foi perdendo a sua força e influência e a definitiva opção de Obama pelo “politicamente correto” corroeu de vez a sólida estrutura que fora erguida por Franklin Delano Roosevelt e Theodore Roosevelt.

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E hoje os americanos se deparam num dilema: escolher como futuro presidente da quase ex-maior potência mundial entre duas figuras deploráveis. De um lado um fanfarrão bilionário, xenofóbico e sem a menor noção ou talento para manter o país no seu insubstituível papel de paradigma da liberdade. De outro, uma mulher irascível e temperamental, incapaz de atos que exijam reflexão  e coerência.

A disputa eleitoral transcorre num clima de picuinhas, acusações e baixarias, mais próximo do que acontece em países de segunda classe, indigno de um povo que representa a primeira entre as maiores nações do mundo.

Os temas acima comentados refletem, sem sombra de dúvidas, que não é só o Brasil que se encontra diante de um convite a uma mudança radical. O mundo está sendo conduzido para a irracionalidade, a falta de compostura e a pusilanimidade. Só a compreensão do que se passa conosco, em amplitude mundial, e posicionamento consistente e racional, de rejeição à insanidade que nos ameaça, pode nos libertar do garrote que pretende subjugar a todos nós.

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José Iwabe

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