Um relato das vindas do Black Sabbath ao Brasil

Esse ano, nós brasileiros, presenciaremos a última passagem dos pais do heavy metal por aqui e, aproveitando o ensejo, farei uma recapitulação das outras vezes que o quarteto de Birmingham esteve em terras brasileiras.

Postado dia 05/10/2016 às 09:31 por Leonardo Carrasco

sabbath

Foto: Reprodução/INternet

A primeira passagem foi em 1992. Na época, a banda estava excursionando para promover o álbum Dehumanizer lançado em junho do mesmo ano. A formação era com o saudoso Ronnie James Dio nos vocais, Geezer Butler no baixo, Vinnie Appice na bateria, Geoff Nichols no teclado, além é claro de Tony Iommi na guitarra – o único integrante que nunca abandonou o Black Sabbath.

Foram três apresentações em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Curitiba e uma em Porto Alegre. O repertório, logicamente, foi calcado nos três discos de estúdio gravados com o baixinho Dio. Logo, clássicos como “The Mob Rules”, “Children of The Sea”, “Die Young” e “Heaven and Hell” eram certos no repertório dessa turnê.

Porém, é importante lembrar que o disco Dehumanizer foi lançado um dia antes do primeiro show em São Paulo, no lendário Olympia (com abertura do Viper), ou seja, ninguém conhecia as novas canções (tempos pré-internet!). Felizmente, as músicas eram muito boas e não desapontaram os fãs do Brasil que há tantos anos sonhavam em ver tal formação ao vivo. “Computer God” e “Time Machine”, por exemplo, caíram muito bem com o repertório dos outros dois álbuns.

Iommi & cia. tocaram músicas da fase Ozzy, como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs”, e Dio conseguiu interpreta-las com maestria, não sendo problema algum para quem estava na plateia alucinado com sua potência vocal única! Outra curiosidade é que a extinta TV Manchete exibiu na época um especial com imagens dos shows.

A banda retornou ao país em 1994 para apenas uma apresentação no finado festival Philips Monsters of Rock. Na ocasião, o evento ocorreu no estádio do Pacaembu e contou com o headliner Kiss e com as bandas: Slayer, Suicidal Tendencies, Viper, Raimundos, Angra e Dr. Sin.

O Sabbath estava promovendo seu 17º álbum Cross Purposes, lançado no início de tal ano. A formação? Nada mais, nada menos, que ¾ da formação original! Sim, Bill Ward se juntou à banda, mas permaneceu apenas nessa turnê sulamericana, tocando no Chile e na Argentina também. O vocalista era Tony Martin. Apesar de ser um bom cantor, ele acabou decepcionando nesse show em São Paulo, pois sua voz falhou algumas vezes. O próprio Ward não estava na sua melhor forma física e, por isso mesmo, não continuou com a banda posteriormente.

No set list, sons de várias fases como “Into The Void”, “Children of The Grave”, “Witness”, “Neon Knights”, “Headless Cross” e “Sabbath Bloody Sabbath”.

Uma curiosidade foi o Slayer ter tocado depois do Sabbath. Kerry King, guitarrista dos thrashers, perguntado sobre tal fato, respondeu “eles já deviam ter se aposentado faz muito tempo”. Esse aí nunca teve papas na língua! De qualquer jeito, foi um show histórico considerando que essa formação fez pouquíssimos shows.

Bom, a mesma formação que tocou em 1992 por aqui, retornou em 2009, porém com o nome de Heaven And Hell – nome do primeiro álbum sem Ozzy Osbourne nos vocais. Por isso, claro que vale ser incluído neste texto. Até porque, no ano seguinte, Dio nos deixou e agora só em vídeo podemos ver sua performance magnífica.

Foram dois concertos no Credicard Hall em Sampa, um em Belo Horizonte, um em Brasília e um na capital fluminense. A primeira faixa a sair dos alto-falantes foi “E5150”, assim como na primeira turnê desse quarteto, seguida pela faixa homônima do segundo disco gravado por Dio, “The Mob Rules”.

As seguintes foram uma mistura dos quatro discos com o baixinho, incluindo o álbum The Devil You Know, que fora lançado no mesmo ano e foi o único lançamento da banda Heaven And Hell. Assim, músicas como “Bible Black”, “Follow The Tears” e “Fear” fizeram as vezes de promover o recente álbum.

Também foram tocadas “I”, “Country Girl”, “Falling Off The Edge of The World”, entre outras.

E, por fim, finalmente a banda veio com Ozzy! Isso foi em 2013, e a banda tocou em São Paulo, Rio e Porto Alegre com abertura do Megadeth. Infelizmente, Bill Ward não estava com eles e o baterista Tommy Clufetos, este que já era da banda solo do Madman, foi o responsável por substitui-lo.

Com duração de duas horas, Ozzy soube como só ele sabe fazer, entreter muito o público com suas frases emblemáticas e muito carisma.

O disco da vez era o 13 e três faixas do mesmo foram executadas: “End of The Beginning”, “Age of Reason” e “God Is Dead?”. Nem preciso dizer que o resto foram só petardos da Era da formação original. Aí foi um deleite absurdo: “Under The Sun”, “Snowblind”, “Black Sabbath”, “Behind The Wall of Sleep”, “N.I.B.”, “Rat Salad”, “Dirty Women”… chega que estou ficando com água na boca!

Todos sabemos que os caras não estão no auge, mas a julgar a ocasião especialíssima de ser a derradeira turnê dos senhores ingleses, creio serem imperdíveis para os amantes do som pesado e arrastado deles esses shows em território nacional.

A primeira cidade a recebe-los é Curitiba no dia 30 de novembro, onde tocarão na pedreira Paulo Leminski, depois no Rio dia 2 de dezembro, na Praça da Apoteose, e dia 4 no estádio do Morumbi, na capital paulista.

Lembrando que o EP The End, lançado em janeiro deste ano só é vendido nos shows, o que torna a presença elementar nessas datas, meu caro. Deus abençoe os mestres da música de terror!

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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