Um outro dia qualquer para a super mãe

Vivi entre motoqueiros, chefiei equipes inteiras de homens, sou pai e mãe de um menino. O dia da mulher não tem muita importância

Postado dia 08/03/2016 às 00:00 por Liszeila Martingo

maravilha

Dia Internacional da Mulher… Sempre me pareceu algo sem muita importância… Nunca tive maiores problemas com o fato de ser mulher. Fui criada para ser uma guerreira e portanto, em pé de igualdade com homens.

E olhem o disparate: Sou neta de árabe, dito muçulmanos, e, filha de português!!!

Sou a mais velha com um irmão apenas, 1 ano mais novo. E meus pais diziam: “você precisa proteger seu irmão. São só vocês dois: um pelo outro.” E assim foi e tem sido a minha vida. Essa síndrome de heroína. Sou aficionada em super-heróis. Talvez porque sempre me espelhasse neles para cumprir “meu papel”.

E não foi diferente na adolescência. Meu irmão teve uma moto antes de mim… Mas eu, logo em seguida. Vivi entre motoqueiros durante anos, mantendo minha postura de guerreira, me respeitavam e respeitam… Dirigia e dirijo bem. Fazia o que faziam… Me comportava como eles e tinha e tenho seu respeito.

Quando fui para a empresa da família, comecei de baixo, como atendente, e passei por todos as funções. Até chegar à gerência técnica, em que a particularidade era comandar grupo de homens, que faziam serviços em que eu não dominava tecnicamente. O que fazer? Me envolvi, acompanhei, estudei, investiguei, enfim, me armei de informações e sabia então, o que era o correto se fazer. Nesse momento, passei a ter o respeito dos comandados. Fui parceira, conselheira e dura com cada um desses homens que trabalharam comigo. Sem grandes dificuldades. Acredito que apenas as que quaisquer seres humanos teriam…

Ao entrar em uma sala de aula, conquistei também o respeito de meus alunos. Pelo conhecimento. Pelo domínio do assunto. Com tranquilidade. Como mãe, sou “pãe” de um menino. Ou seja, sou afeto  e firmeza ao mesmo tempo. Nada diferente do que enfrentei minha vida toda. Meu filho me respeita. Conquistei isso.

Minha vida tal como está descrita acima, não é tão diferente de outras tantas vidas de mulheres espalhadas por esse nosso país. E que são esquecidas nos dias 8 de março. Talvez mais guerreiras do que eu seja e infinitamente mais experientes… e continuam esquecidas.

Mesmo a mulher ocupando cargos e funções em que comandam negócios, homens e famílias, percebem os olhares de canto de olhos, de narizes torcidos. E o pior, das próprias mulheres. O maior preconceito que se tem é o da própria mulher. Ela é mais machista que o próprio homem. A mãe chama a suposta namoradinha do filho de sem-vergonha por usar uma mini-saia.

Se o maior problema fosse só o tamanho da saia… A mãe destrói a moça, reduz a nada e o filho cresce assim, sem valorizar a mulher. E se acha que quem não respeita a mulher é o homem. Quem cria o homem é a mulher!

Tenho passado os anos a observar os 8 de março. Sinceramente, não acredito que seria necessária a comemoração de um dia para a mulher, se de fato houvesse respeito entre seres humanos. Os dois são importantes. A cumplicidade deles é que constrói.

Vimos na história papeis se inverterem por conta dessa maior atuação da mulher. Vimos homens que ficam em casa e mulheres que trazem o pão para dentro. Mas o ruim disso é que ocorre porque a mulher está com a faixa salarial reduzida. Não necessariamente porque é mais competente.

Sem contar as mulheres que não trabalham fora, mas que cuidam de suas casas e filhos e são quase nada valorizadas por não “trabalharem”. “Só” cuidam da casa… Como se isso fosse tão simples, fácil e tranquilo. Talvez seja mais desgastante do que sair pra rua e trabalhar em um negócio.

A mesmice do trabalho doméstico também desumaniza as pessoas, principalmente se quase não se tem reconhecimento pelo empenho do cuidado com a família.

Enfim… Cada cenário tem seus senões, seus prós e contras. No meu entender, nada disso modifica o fato de que, se houvesse respeito pelo que cada um dos gêneros faz, essas comemorações não seriam necessárias.

Todos os dias seriam importantes. Em todos os dias, um teria o devido cuidado com o outro e o reconhecimento pelo trabalho útil que ele e ela fazem. E haveria comemorações diárias, que enalteceriam o homem e a mulher, cada qual com seu papel importante na vida como um todo.

 

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Liszeila Martingo

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