Um mês difícil para Michel Temer

Que incoerência de Michel Temer ter colocado ministros investigados e, ainda em seu discurso de posse, ter falado sobre defender a continuidade nas investigações da Lava Jato

Postado dia 23/05/2016 às 16:59 por Wilson ADM

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Foto: Reprodução/Internet

Se Michel Temer achou que seria fácil, enganou-se. Todos os olhos estão em sua direção, tanto dos que apoiaram sua entrada na presidência como também das pessoas que o acusaram de golpista. Desde que assumiu a Presidência, no dia 12 de maio, as denúncias da oposição começam a ganhar cada vez mais espaço na mídia.

O presidente interino está com pedras no sapato, e já começou a dar umas mancadas. Com dificuldades ou despreparo para pisar firme, patina e escorrega em um chão de lama, segurando o peso de um déficit econômico de R$ 170,5 bilhões em suas costas.

Para piorar ainda mais a situação do atual governo, hoje (23) a Folha de São Paulo publicou uma conversa gravada do ministro do planejamento Romero Jucá com o Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, sobre uma suposta tentativa de bloquearem as investigações da Lava Jato, pois Jucá está envolvido e Machado ameaça que, se cair, leva o PMDB junto.

Incoerência de Michel Temer ter colocado ministros investigados e, ainda em seu discurso de posse, ter falado sobre defender a continuidade das investigações Lava Jato. Seria melhor destituir Jucá o quanto antes, mas o próprio presidente afirmou que vai esperar os resultados das investigações, já que ainda não existe nada que comprove a culpa do ministro. Michel Temer havia dito também que não tinha nada contra colocar investigados da Lava Jato nos ministérios. Enquanto isso o povo espera o fim da corrupção.

A popularidade do presidente parece diminuir cada vez mais. Logo que assumiu, excluiu o Ministério da Cultura, comprando briga com toda a classe artística, além de ter deixado a esquerda em polvorosa quando cortou também os ministérios do Desenvolvimento Agrário, das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Mas, depois de muitos ataques e pressão, Temer voltou atrás e recriou o MinC. O que parecia ter sido uma estratégia para ganhar o coração da oposição foi um tremendo tiro no pé, pois acabou sendo chamado de covarde e frouxo por todos os lados.

Difícil agradar o povo brasileiro. O Ministério da Cultura não é o maior vilão do Brasil e não deve ser combatido por causa de rixas políticas, mas precisa de uma gestão eficiente e, se bem administrado com os recursos devidamente direcionados, pode ser melhor aproveitado.

É importante que os brasileiros entendam que existem prioridades, e as atenções estão voltadas para os setores econômicos, afinal, sem dinheiro não tem investimento, e sem investimento pouco importa se é MinC ou MEC, simplesmente não irá funcionar. As pessoas precisam ter paciência e saber a hora certa de cobrar medidas executivas, pois um ministério sem entrada de dinheiro funcionando é um mistério, e deverá ser investigado.

O que não pode ser feito hoje é uma recriação social de 1964, forçando uma situação de histeria coletiva. É como se, de repente, tivessem sumido toda a ordem e democracia, pois, ao ver a forma como são realizados os protestos de ambos os lados – inclusive outros mais radicais como marcha das vadias e a marcha da maconha – as pessoas mostram claramente que ainda possuem seus direitos de expressão. Mas, destacando novamente que o povo brasileiro é difícil de ser satisfeito, o meio termo é a melhor das medidas. Tentar agradar uma população que vive em conflito social e cheia de conflitos internos é uma solução um tanto quanto suicida.

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