Tupinambas – origem e etnia indígena

Em sentido diverso, o tupinólogo Eduardo de Almeida sugere a etimologia "todos da família dos tupis ", através da junção de tupi (tupi), anama (família) e mbá (todos).

Postado dia 03/05/2016 às 08:00 por Claudio Antonio

tupinamba

Índios Tupinambas – região do Saul da Bahia – Monte Pascoal

Tupinambá é o nome de um povo indígena brasileiro que, por volta do século XVI, habitava duas regiões da costa brasileira: a primeira ia desde a margem direita do Rio São Francisco até o Recôncavo Baiano;  a segunda ia do Cabo de São Tomé, no atual estado do Rio de Janeiro, até São Sebastião, no atual estado de São Paulo. Este segundo grupo também era chamado de tamoio. Compunham-se de 100.000 indivíduos. Eram a nação indígena mais conhecida da costa brasileira pelos navegadores europeus do século XVI.  Atualmente, o principal grupo tupinambá reside no sul do estado da Bahia: são os tupinambás de Olivença.

Apesar de terem raízes comuns, as diversas tribos que compunham a nação tupinambá lutavam constantemente entre si, movidas por um intenso desejo de vingança que resultava sempre em guerras sangrentas em que os prisioneiros eram capturados para serem devorados em rituais antropofágicos. Autores como o alemão Hans Staden ( “História verdadeira e descrição de uma terra de selvagens…” ) e os franceses Jean de Léry ( “História de uma viagem feita à terra do Brasil” ) e André Thevet ( “As singularidades da França Antártica…”), todos do século XVI, além das cartas jesuíticas da época, nos dão notícias muito precisas acerca de quem eram e de como viviam os índios tupinambás.

Sua etimologia é descrita pelo  escritor Eduardo Bueno, baseado em Teodoro Sampaio, diz que “Tupinambá” é oriundo do termo tupi  tubüb-abá, que significa “descendentes dos primeiros pais” , através da junção dos termos tuba (pai), ypy (primeiro) e abá (homem). Em sentido diverso, o tupinólogo Eduardo de Almeida sugere a etimologia “todos da família dos tupis “, através da junção de tupi (tupi), anama (família) e mbá (todos).

Apesar de terem raízes comuns, as diversas tribos que compunham a nação tupinambá lutavam constantemente entre si, movidas por um intenso desejo de vingança que resultava sempre em guerras sangrentas em que os prisioneiros eram capturados para serem devorados em rituais antropofágicos.

Em todas as tribos tupis, eram comuns as referências a “heróis civilizadores”, como chama Alfred Metraux em seu livro “A Religião dos Tupis”. Esses heróis eram divindades que haviam criado ou dado início à civilização indígena (Meire  Humane e Pae  Zomé — mito ameríndio comum em toda a América Meridional ). Também era comum a intercessão dos pajés junto aos espíritos através do uso dos maracás, chocalhos místicos cujo uso era obrigatório em qualquer cerimônia.

Os tupinambá da região sudeste do Brasil  tinham um vasto território, que se estendia desde o rio Juqueriquere, em São Sebastião e Caraguatatuba, no estado de São Paulo, até o Cabo de São Tomé, no estado do Rio de Janeiro. O grosso da nação tupinambá localizava-se na Baía da Guanabara e em Cabo Frio c, onde fabricavam o gecay, que era a mistura de sal e pimenta que os índios vendiam aos franceses (chamados pelos tupis de maíra, nome originário de Meire Humane), com os quais se aliaram quando estes estabeleceram na Baía de Guanabara.

mapa tupinamba

Demonstração da distribuição da etnia tupinambás na costa brasileira desde Rio Grande até a Ilha de Marajó no extremo norte do país. No século XVI.

 Confederação dos Tamoios

As tentativas de escravização dos índios para servirem nos engenhos de açúcar no núcleo vicentino levaram à união das tribos numa confederação sob o comando de Cunhambebe chamada de “Confederação dos Tamoios”, englobando todas as aldeias tupis desde o Vale do Paraíba Paulista até o Cabo de São Tomé, com invejável poderio de guerra. É nesse ínterim que Nóbrega e Anchietateriam sido levados por José Adorno de barco até Iperoig (atualUbatuba), para tentar fazer as pazes com os índios. Segundo a tradição, Nóbrega voltou até São Vicente com Cunhambebe e o padre José de Anchieta ficou cativo dos tupis em Ubatuba. Nesse período, ele teria escrito o “Poema da Virgem”. Fatos lendários e fantásticos teriam ocorrido nesta época do cativeiro, como o milagre de Anchieta: levitar entre os índios, que horrorizados, queriam que ele dali se retirasse pois pensavam tratar-se de um feiticeiro.

Seja como for, os padres, com muita diplomacia, conseguiram desmantelar a Confederação dos Tamoios, promovendo aPaz de Iperoig, o primeiro tratado de paz das Américas. Diz-se que, depois de feitas as pazes, Nóbrega advertiu os índios de que, se voltassem atrás na palavra empenhada, seriam todos destruídos, profecia que, de fato, se concretizou.

Quando os portugueses atacaram os franceses do Rio de Janeiro, estes pediram ajuda aos índios, que acudiram a seus aliados. Isto levou ao extermínio dos tupinambás que moravam em aldeias em torno da Baía da Guanabara, na segunda metade do século XVI.

Os que conseguiram se salvar foram os que se embrenharam nos matos com alguns franceses e os índios tupis de Ubatuba que, para não ajudarem os irmãos do Rio e não correrem riscos, ou se embrenharam nos matos ou foram assimilados pelos colonos em Ubatuba, gerando a atual população caiçara daquela região, assim como a população cabocla do Vale do Paraíba.

Contudo, o golpe fatal aos tupis foi o ataque ao último reduto francês em Cabo Frio, com a destruição de todas as aldeias. Tudo destruído com fogo e passado ao “fio da espada”.

Por esses motivos e por algumas declarações que denotariam, em tese, conivência com o extermínio indígena, é que o padre José de Anchieta tem sido considerado muito polêmico até os dias atuais, embora, noutras oportunidades, tenha declarado que se entendia melhor com os índios do que com os portugueses.

Indios Tupinambas – região do Saul da Bahia – Monte Pascoal

Indios Tupinambas – região do Saul da Bahia – Monte Pascoal

Este artigo tem a finalidade de mostrar um pouco da maior etnia indígena que habiotu o nosso Brasil desde o nosso descobrimento. È um pequeno resumo de sua história ou da nossa história porque queiramos ou não temos alguns laços fraternos ligados a eles e não podemos de forma nenhuma desconsiderar esta hipótese. Agora eu pergunto aos senhores : Vocês já tiveram este tipo de visão, se quiserem devem se aprofundar em outras literaturas indígenas mais aprofundadas para melhor entender a nossa origem e a origem dos povos brasileiros desde a nossa descoberta em 1500.

Bons fluidos positivos a todos que quiserem se aprofundar neste tema, digo e afirmo que vale muito a pena, irão aprender e ter uma noção das nossas origens e de outras etnias indígenas aos quais fazemos parte em sua essência.

 

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Sobre o Autor

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Claudio Antonio

Possui graduação em Tecnologia Processos de Produção Industrial pela Faculdade de Tecnologia Senador Flaquer (1982).

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