Título Público Federal

É esta uma boa aplicação?

Postado dia 21/01/2016 às 00:00 por Wndenberg Marques

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Sem dúvidas os títulos disponíveis no site do tesouro direto são boas aplicações, levando em consideração o longo prazo. Alguns pontos precisam ser esclarecidos para que você não caia em uma armadilha:

1 – Custo – É cobrada pelo agente de custódia uma taxa de 0,3% ao ano mais o que a corretora que você escolheu cobra, o que pode variar de 0% ao ano a 2% ao ano. Portanto, é preciso tomar cuidado na hora de escolher por onde vai comprar seus títulos, pois seu custo anual pode chegar a 2,3%, ou seja, precisa descontar isso além do imposto de renda, já que os papeis não são isentos de imposto. Em uma aplicação pré-fixada a 15% ao ano, por exemplo, descontando 2,3% e imposto de 15% sobre o rendimento após dois anos, não renderá líquido nem 11% ao ano. Cuidado com os custos!

2 – Existem três tipos diferentes de papeis.

  • Pós Fixado – Tesouro SELIC, paga a variação da SELIC independente do cenário. Hoje por exemplo o investidor é remunerado a 14,25% ao ano e precisa descontar os custos de custódia, citados acima, e imposto de renda de acordo com tabela regressiva vigente. Título indicado para quem não suporta oscilação.
  • Pré-fixados – Tesouro pré-fixado, Taxa de remuneração pré-determinada na compra, ou seja, no momento em que estiver efetuando sua aplicação via site o percentual de ganho já é definido e o investidor poderá saber quando vai ganhar. Cuidado se precisar vender o título antes do vencimento, poderá ter prejuízo. Os papeis sofrem marcação a mercado diariamente, ou seja, o mercado precifica de acordo com a taxa de juros. Portanto quem comprou um título com prazo 10 anos (vencimento 2015) 12 meses atrás está perdendo hoje 4,52% se o vender. O ideal é levar até o vencimento e assim garantir sua taxa pré. Isso ocorre por que a taxa SELIC aumentando leva o mercado a pagar mais barato em papeis pré devido ao seu custo de oportunidade ter subido a patamares superiores à taxa paga no papel. Importante lembrar que o investidor tem duas opções na compra do p?e fixado, com pagamentos de cupons semestrais e com pagamento do valor total no final corrigido pelo percentual acordado na compra.
  • Indexados ao IPCA – Tesouro IPCA, ótima opção de investimento para longo prazo, esse papel paga a variação do IPCA mais uma taxa pré-fixada (cupom) que hoje é aproximadamente 7% ao ano (bruto), ou seja, independente do que aconteça no mercado este investidor tem seu poder de compra protegido e mais um ganho real (acima da inflação). Prezados, lembrem que em alguns momentos no passado recente o investidor teve ganho real em torno de 0,5% ao ano, aplicando neste papel esse risco é totalmente eliminado. Nos últimos 10 anos a média de ganho real foi de aproximadamente 3% no máximo descontando taxas e impostos. Por isso esse título é bem atrativo. Não adianta ganhar 14,25% na SELIC com inflação a quase 10,7% ao ano corroendo o capital, o ganho real seria em torno menos de 2% com descontos de impostos. Este papel também sofre a marcação a mercado, então tome cuidado alguns estão com rentabilidade negativa no ano. Precisa ser de longo prazo, de preferência comprar e levar até o vencimento que pode variar de 2017 a 2050. Importante lembrar que o investidor tem duas opções na compra, com pagamentos de cupons semestrais e com pagamento do valor total no final.

3 – Segurança – Os títulos são considerados ativos livres de risco por serem emitidos pelo governo. Qualquer investidor pessoa física pode investir a partir de 30 reais e no máximo 1 milhão ao mês, compra pode ser realizada através do site do tesouro direto www.tesouro.fazenda.gov.br.

4 – Tributação – Não há come cotas – nos fundos de investimento como os de renda fixa e multimercados há um modelo de tributação específica chamado come cotas. A cada seis meses (maio e novembro) a receita tributa em 15% o rendimento dos fundos mesmo que o investidor não peça nenhum resgate. Isso prejudica no longo prazo (10 anos, por exemplo) o rendimento, pois em vez de continuar rendendo os 15% do rendimento é retirado deixando de render juros sobre juros. Isso não acontece com os títulos públicos onde a tributação é apenas no resgate ou no vencimento.

Títulos públicos são opções muito melhores que a poupança que hoje renda pouco mais de 6% ao ano mais a TR que em 2015 foi de aproximadamente 1% no ano, ou seja, apenas a SELIC esta rendendo o dobro.

Lembrem-se de sempre analisar as opções no mercado. Os títulos públicos podem não ser vantajosos para grandes volumes, por exemplo acima de 100 mil reais. Os bancos tendem a oferecer alternativas melhores para volumes assim. Cabe a análise de um profissional da área.

Um abraço

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Sobre o Autor

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Wndenberg Marques

Administrador, especializado em finanças corporativas e bancos de investimentos pela FIA (Fundação Instituto de Administração), certificado pelo IBCPF

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