Terrorismo: vamos ao cerne da questão!

Vamos falar do terrorismo enquanto ato de terror em si. Chega de enfeitar cadáveres humanos com discursos bonitinhos

Postado dia 13/06/2016 às 09:00 por Pedro Henrique

 

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Foto: Reprodução/Internet

Quando lidamos com o assunto, é necessário entender muitos fatores antes de sair cuspindo quaisquer acusações ou tirar qualquer tipo de conclusão. Todavia, algumas coisas já são provadas por fatos subsequentes aos atentados e pela história, sem exigir de nós demais elucubrações a não ser os expostos na superfície do ocorrido. Antes de adentrarmos em tão espesso espaço de controvérsias culturais, cabe-me deixar alguns avisos. Primeiro deles: eu não gosto de generalizações; na verdade, eu odeio. Mas, por vezes, temos de beirar a ela, ainda mais quando tratamos de cultura, um assunto que é, per se, generalizante. Segundo, não possuo nenhum tipo de “islamofobia”; pelo contrário, aprendi a respeitar todas as religiões naquilo que elas apresentam de melhor. Entretanto, não respeito, de forma alguma, nenhum terrorista que usa de sua religião para justificar suas demências — ou as dos grupos de que participam!

Agora sentemos em nossas cadeiras, tomemos nossas canecas de café e falemos a verdade a partir deste momento: algumas atitudes ríspidas e sensatas devem ser tomada no combate ao terrorismo e, mais acertadamente em relação ao Estado Islâmico — que, ao que parece, teve algum tipo de envolvimento no ataque à boate Pulse.

Assistiremos, após o ocorrido, a ONU, a comunidade internacional e todos os grupos alinhados à esquerda, vir em direção aos seus púlpitos de lamento choramingar mais uma vez os “terríveis atentados contra a humanidade”. Depois veremos as mídias relatarem, com olhos chorosos, a carnificina; veremos também a população trocar as fotos dos perfis do Facebook, cantar “Imagine” em praça pública, e, quiçá, fazer algumas passeatas que são muito belas, mas sessam sua eficácia aí, na beleza de algumas horas.

Pois bem, quando enfrentaremos os fatos? São os fatos que dizem que há extremistas islâmicos fazendo uma nova cruzada contra os “impuros” – ou como os do EI (Estado Islâmico) chamam: os “nazarenos”. Todavia, agora não usam mais espadas e escudos, usam bombas automatizadas, rifles de longo alcance e homens-bomba. Alguém tem que avisar os socialistas que colocar flores em rifles, nas manifestações, não está adiantando muita coisa.

 

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Foto: Reprodução/Internet: O Estado Islâmico fortemente armado

Admito que esta ideia de multiculturalismo é muito bela, concordo até que seja uma utopia a ser buscada, em certa medida. Mas quando vamos encarar a realidade de que há culturas, como a cultura islâmica radical, que não quer nem sentir o cheiro de outras culturas que não as suas próprias? Vocês poderiam me questionar se eu penso que deveríamos deixar as leis mais rígidas, se deveríamos expulsar os muçulmanos, se deveríamos controlá-los de alguma maneira. Veja, sinceramente? Não sei, não sei mesmo.

Este será um daqueles textos em que não proporei solução alguma, pois não tenho estas respostas. São muitas variantes a serem consideradas; a primeira e mais importante delas é a de que, de fato, existem muçulmanos que não querem matar outros de outras culturas. Existem sim muçulmanos que não acham que se explodir — e explodir a terceiros — seja lá uma boa ideia. E como não sou um filósofo que pensa que o valor de uma vida é relativizável por um medo, inclusive uma vida muçulmana. Acredito, também, que criar um Estado de sítio simplesmente porque há pessoas que acreditam em Alá e não em Jesus Cristo é algo demasiado estúpido — a não ser que a situação realmente vire guerra entre culturas.

Bom, como eu disse, não sei qual é a solução, todavia, não posso dizer que não sei qual o problema. Não digo do problema do atentado em Orlando especificamente, nem mesmo de outros, eu falo num contexto político e cultural. Estamos sendo criados sobre uma égide de argumentos que não somente são errados, como são ilusórios e abrem uma margem enorme para casos como estes que passamos hoje (escrevo em 12/06/2016). O problema chama-se: utopismo.

De alguma maneira, que é inexplicável racionalmente, nós olhamos para um grupo de pessoas que decapitam, estupram, mantêm mulheres sob um regime de escravidão servil, matam gays das formas mais insanas possíveis, crucificam cristãos, queimam crianças cristãs, explodem pessoas inocentes como se fossem baratas. Nós olhamos para estas pessoas e, de alguma maneira abstratícias e burra, chegamos à conclusão de que eles são os coitados da história. E veja, não estou dizendo que o ocidente é lá muita “flor que se cheire”, não estou dizendo que não houve atos de guerra que afetaram de forma cruel os islâmicos; creio que tais atos devem ser pagos de maneira contundente.

No entanto, não divaguemos que os extremistas vão se converter a um humanismo pueril porque damos flores a eles, porque cantamos músicas bonitinhas em praças de nossos países. Enquanto nos for escondido o fato, a realidade atrás de discursinhos humanísticos, atrás de gritos amorfos de excluídos, enquanto continuarmos transformando cadáveres em asfalto por onde passam estes terroristas com motivação religiosa — sim —, mas longe de cessarmos esta fonte de terror estaremos.

O atirador da boate Pulse, em Orlando, Omar Mateen, jurou lealdade ao Estado Islâmico, é filho de um homem defensor do Talibã, muçulmano convicto. O Estado Islâmico postou uma foto sua no twitter horas depois do atentado comemorando seu ataque, a CNN afirma que ele possuía treinamento em armamento pesado. E a mídia está o chamando de “possível terrorista”. Olha, sério mesmo, daqui a pouco teremos de afirmar a todos que a água e molhada e a grama é verde, e ainda correremos o risco de ferir os sentimentos de alguém com o óbvio. Mais quantos permearam o solo com a semente da inocência? Quanto mais será necessário? Quantas mortes serão necessárias para encararmos o fato que existe sim – e não digo isto com um sorriso no rosto ao lado de conspiradores capitalistas, como muitos podem pensar.

Quando olharemos nos olhos do problema? Quando veremos que, enquanto tal cultura não evoluir ao ponto de não achar heroico explodir a si próprios e mais outras dezenas ou centenas de pessoas inocentes, não haverá diálogo. Desde quando há diálogo quando um lado está com boas intenções e o outro está com fuzis; desde quando há diálogo quando um está com o multiculturalismo na cabeça e o outro está com o mundo islâmico em seus objetivos?

Não se trata de pagar o mal com o mal, se trata de não sermos mais omissos ao FATO de que milhares de pessoas estão morrendo gratuitamente. Caso não entenda o que eu quis dizer neste texto, recomendo olhe nos olhos do pai e da mãe que hoje perdeu seu filho, somente porque um louco fanático resolveu que hoje seria o último dia dele na terra, “para glória de seu deus”.

Observação. Repito: não creio que sejam todos, não acredito que todos os muçulmanos assim agem ou pensam. Mas negar que isto está ocorrendo cada dia mais, e cada dia mais cruelmente… Desculpe-me, não há como negar tais fatos.

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Sobre o Autor

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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