Ter pena de si é o começo da derrota

As disputas não se limitavam às polêmicas ideológicas e os radicais de esquerda... Partiam para a violência.

Postado dia 13/03/2017 às 09:00 por José Iwabe

militar

Foto: Reprodução

Década de 70, época mais severa do regime militar. Para coibir a insurgência de ideologias esquerdizantes, a imprensa, as artes, a cultura eram rigorosamente censuradas. A economia, conduzida às rédeas curtas, dentro de um planejamento centralizado pelo governo.

Do outro lado os terroristas articulando, maquinando, cometendo atentados, assaltos, tudo em nome de uma ideologia – a comunista- que os anos posteriores comprovariam como falaciosa e danosa às nações que por ela foram subjugadas.

Pairava um clima de apreensão e insegurança.

Jovem idealista, detestando conviver num cenário onde as liberdades individuais eram cerceadas e, consciente de que a opção socialista propugnada pelos que combatiam – de arma em punho – os militares eram uma farsa, pois visavam, não a democracia, mas implantação de uma ditadura muito pior, a do proletariado, ingressei na Faculdade de Direito da USP, já que lá era o foco de expansão das ideologias defensoras de ditaduras, seja a militar, seja a comunista, para o meio universitário  e intelectual. Era preciso posicionar-se contra uma e outra, ter a coragem de apresentar outra proposta que levantasse a bandeira da liberdade, com absoluta rejeição do comuno-socialismo.

Ocorre que as disputas não se limitavam às polêmicas ideológicas e os radicais de esquerda… Partiam para a violência.

Foi assim que conheci a frase que encabeça esta página. Para não ser intimidado pelas possíveis agressões físicas, passei a frequentar uma academia de artes marciais e encontrei na faixa que compõe o kimono a exortação cheia de significado a quem se propõe ser um lutador.

Piedade, compaixão, comiseração são nobres sentimentos quando os nutrimos em relação a outros. Quando alimentados em relação a si próprio  abrimos o portal da covardia.

Quando temos pena de nós mesmos estamos admitindo que as nossas fragilidades e deficiências estão no comando de nossa personalidade. Daí,  nos incapacitamos para os embates do quotidiano e só saberemos lamentar pelos revezes que a vida nos traz. Sentar e chorar à beira da estrada não nos leva a lugar nenhum.

Ter um ombro amigo onde descansar a cabeça e expor nossas mágoas é muito bom. Mas, o melhor mesmo é ter um peito carregado de ânimo, coragem e destemor que nos incite a olhar para as dificuldades da vida como companheiras de viagem, que nos tornam mais firmes e briosos, a cada confronto.

Muitos são os que se postam diante de um espelho e se dedicam a corrigir imperfeições de sua imagem. Poucos são, entretanto, os que contemplam a própria alma e se dão ao trabalho de corrigir as imperfeições de personalidade, caráter ou temperamento, em busca de uma pessoa melhor, mais bonita e aprimorada enquanto ser humano.

É comum ouvir-se a frase: “- Eu sou quem sou e que os outros me aceitem como sou!”. Parece a proclamação de uma independência pessoal. Na realidade apenas a confissão negativista e acovardada de alguém subjugado por seus defeitos e impotente para eliminá-los. Uma pobre criatura que tem pena de si mesma e sente-se, sem querer admitir, que está derrotada.

Certa vez vi a foto de um pequeno pinheiro que se atreveu a fincar suas raízes no alto de um penhasco. Açoitado pelo vento e intempéries, tinha seus galhos retorcidos, o seu tronco ressequido, emergindo em meio a pedras e a sua mirrada folhagem castigada pelo ambiente hostil. Mas firme e sobranceira! Pude então compreender o que é a beleza que surge e resplandece de uma heroica resistência. Se pudesse pensar aquele pinheiro jamais teria pena de si. Teria, isto sim, ufania e orgulho por ser quem é: um bravo!

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José Iwabe

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