Tendências pedagógicas na educação

Professor Carreiro apresenta um estudo sobre a educação escolar em três artigos semanais. Veja o primeiro.

Postado dia 26/02/2016 às 08:30 por Professor Carreiro

pedagogias

Foto: Divulgação/Internet

TEORIAS NÃO CRÍTICAS

As teorias não críticas, por alguns denominadas de concepção redentora da educação ou de otimismo pedagógico ou, ainda, otimismo ingênuo, percebem a Educação com grande margem de autonomia em relação à sociedade e, portanto, procuram entender a educação por ela mesma. Percebem a sociedade como um todo harmonioso e que pode apresentar alguns desvios. Desvios estes que podem e devem ser corrigidos pela Educação. Assim é que a marginalidade é percebida como um desses desvios.

A Escola surge então, dentro desta perspectiva, para “redimir” os marginais, para equalizar as oportunidades sociais, para, enfim, resolver os problemas da sociedade.
A Educação tem aqui um caráter supra social, isto é, não está ligada a nenhuma classe social específica, mas serve a todas indistintamente.

São três as Pedagogias ou Escolas que contemplam as teorias não críticas: Pedagogia Tradicional; Pedagogia Nova e a Pedagogia Tecnicista.
A seguir, exporemos muito resumidamente as características mais significativas de cada uma.

Pedagogia Tradicional.No início do século passado, têm início os sistemas nacionais de ensino. Esses sistemas foram originalmente constituídos sob o seguinte princípio orientador: A Educação é direito de todos e dever do Estado.
Com a Revolução Francesa, a burguesia, ao assumir o poder e com a intenção de neste se consolidar, defende a constituição de uma sociedade democrática, isto é, a consolidação da democracia burguesa.

Para ascender a um tipo de sociedade fundada nos princípios da igualdade, fraternidade e liberdade entre os indivíduos, era imprescindível vencer a barreira da ignorância. Somente assim, seria possível transformar os súditos em cidadãos, isto é, em indivíduos livres porque esclarecidos. Tal tarefa só pode ser realizada através da escola.
Como se pode apreender, nesta perspectiva a marginalidade é identificada com a ignorância, ou seja, o marginal, na nova sociedade burguesa, é o ignorante.

A escola é vista, portanto, como o instrumento para resolver o problema da marginalidade. Dentro deste quadro, o papel da escola é o de transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade. A escola tem a intenção de conduzir o aluno até o contato com as grandes realizações da humanidade aquisições científicas, obras primas da literatura e da arte, raciocínio e demonstrações plenamente elaborados. Esta escola enfatiza os modelos em todos os campos do saber.

O professor é o responsável pela transmissão dos conteúdos, é o centro do processo educativo. Deve, portanto, ter domínio dos conteúdos fundamentais e ser bem preparado para a transmissão do acervo cultural.
A experiência relevante que o aluno deve vivenciar é a de ter acesso democrático às informações, conhecimento e ideias, podendo, assim, conhecer o mundo físico e social.

A escola é o lugar por excelência onde se raciocina e o ambiente deve necessariamente ser austero para o aluno não se dispersar.
O professor tem poder decisório quanto à metodologia, conteúdo e avaliação. Procura a retenção das informações e conceitos através da repetição de exercícios sistemáticos (tarefas).
Há a tendência de tratar a todos os alunos igualmente: todos deverão seguir o mesmo ritmo de trabalho, estudar os mesmos livros texto, no mesmo material didático e adquirir os mesmos conhecimentos.

Em resumo, pode se afirmar que nesta pedagogia há uma redução do processo educativo a, exclusivamente, uma de suas dimensões: a dimensão do saber.
Retomemos as duas ideias principais desta pedagogia: a vocação de oportunizar a todos o acesso à escola, no sentido de transformar marginais (sinônimo de ignorantes) em cidadãos e a total autonomia da educação em relação à sociedade.

Artigo replicado da autora Ausônia F. Donato
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Sobre o Autor

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Professor Carreiro

Minha vida sempre foi dedicada a Educação, Catanduvense de nascimento e Mogiano de coração. Sou Educador, Professor por amor a profissão, graduado em Pedagogia, Geografia, Estudos Sociais, Bacharel em Ciências Jurídicas. Mestre em Semiótica, Tecnologias de Informação e Educação. Sonho com Brasil Justo e perfeito, e trabalho para isso dia a dia.

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