Tabus e opções pessoais: Há uma grande diferença nisso

Há algum tempo venho pensando nesse tema, muitas pessoas me procuram perguntando se existe algum problema em não gostar de determinadas situações durante uma relação sexual como, por exemplo, não gostar de fazer ou sentir o sexo oral.

Postado dia 23/01/2017 às 08:00 por Priscila Andrade

 

tabus

Foto: Reprodução

Antes de entrar propriamente no tema proposto, quero que vocês leiam um texto que escrevi anteriormente que fala sobre os tabus sexuais. Para resumir tabu significa “uma atividade social estabelecida por ordem moral e religiosa, que é culturalmente reprovável, e vai de acordo com a sociedade e o momento histórico vivenciado”. Ou seja, muitas vezes, as pessoas não fazem determinada coisa sexualmente porque acreditam ser errado, isso é um tabu, já uma opção na hora do sexo é outra bem diferente.

É sobre essa confusão que vou embasar minhas ideias. Vou tomar como exemplo um tabu que citei no texto, do sexo oral. Como foi dito lá, esse exemplo é considerado tabu por se associar muitas vezes a promiscuidade, mas nem sempre o não gostar de sexo oral seja um tabu. Há mulheres que realmente não gostam de fazer, mesmo sendo esclarecidas quando o assunto é sexualidade, é uma opção, uma vontade dela. E nesse caso tem que existir o respeito por parte do companheiro.

A mulher tem que estar ciente que ela não é obrigada a fazer nada somente para agradar ou ser considerada liberal no sexo, nem ficar com um receio que talvez haja uma traição em decorrência disso, até porque traição em muitos casos não tem nada a ver com o desempenho sexual que as pessoas possam ter.

O mesmo cabe para os homens, assim como existem mulheres que não gostam de determinada coisa, também há homens que não gostam, e isso não os torna menos homem ou serão considerados “gay” – homossexual é aquele que tem uma relação amorosa-afetiva com pessoas do mesmo sexo.

As pessoas atualmente estão mais curiosas e liberais em relação a alguns tabus, muitas vezes elas decidiram experimentar algo novo numa relação sexual, mas não gostaram ou curtiram. Ponto. Não há porque ficar “forçando a barra” nesse sentido.

Se as pessoas não gostam de tal comida ou tal música, não comem e não ouvem. Simples assim.  Então porque no sexo as pessoas têm que fazer algo que não gostam apenas para agradar o (a) companheiro (a)?

virgemMas qual o problema em agradar as pessoas com as quais há um relacionamento? Nenhum. O problema é isso ser prejudicial e não ser prazeroso.

Quando falamos em relação sexual, estamos falando de um momento de relaxamento e prazer e de certa forma as pessoas querem esquecer as cobranças e problemas do cotidiano. Relação sexual implica em algo prazeroso para ambos, porque sendo apenas para uma das partes envolvidas, haverá a frustração e convenhamos frustrações sexuais tornam-se grandes problemas no decorrer da vida.

Mais uma vez o diálogo ainda é a melhor opção para essa situação. Ambos têm que expor seus desejos e vontades e entrarem em um acordo, a pessoa pode até tentar fazer e gostar, mas caso ela não goste, o que cabe por parte do outro é a compreensão e entender que cada ser humano é diferente sexualmente falando, não há uma cartilha a ser seguida do que seria uma relação sexual perfeita. Algo feito por obrigação não é prazeroso.

Não é porque vivemos em uma sociedade que obteve algumas evoluções no sentido sexual, que não devemos respeitar a opção e gosto das pessoas. É necessário esse cuidado, porque muitas vezes essa liberação faz com que alguns se sintam no direito de impor determinadas situações com a justificativa de ser algo moderno e liberal e isso pode levar a abusos, violências e estupros em decorrência de achar que as pessoas têm de estar dispostas a tudo na cama.

Finalizo dizendo: Pode tudo na cama? Pode, desde que ambas as partes estejam à vontade e sentindo prazer com isso.

Tomei o sexo oral como exemplo, mas isso cabe para todas as situações que envolvem uma relação sexual. Não confundam tabus com opções pessoais.

Veja mais em:

O que são os tabus sexuais?

Sexualidade nas práticas clínicas

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Sobre o Autor

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Priscila Andrade

Professora e Educadora Sexual. Pedagoga e Mestre em Educação Sexual,

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