Suas decisões financeiras são realmente racionais?

Sabe aquela compra que você sabia que não deveria fazer, mas fez, ou aquele investimento, ou mesmo a retirada de um capital na hora errada?

Postado dia 04/04/2017 às 10:53 por Elton Parente

 

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Foto: Reprodução

Apesar de pesquisas tradicionais de finanças considerarem que as decisões são tomadas de forma racional, assumindo que você e eu usamos todas as informações que temos disponíveis para aumentar nossos resultados, na prática mesmo isso está para a exceção do que para a regra. Quer dizer, somos muito menos racionais nas decisões financeiras do que pensamos ser.

Kahneman, que é Prêmio Nobel em economia, ao estudar finanças comportamentais adota como ideias orientadoras: (i) que a maioria dos julgamentos e a maioria das escolhas são feitas intuitivamente; (ii) que as regras que governam intuição são geralmente semelhantes às regras de percepção. O autor discute as regras de julgamentos intuitivos e escolhas utilizando analogias visuais. Apresentando os três sistemas cognitivos:

Fonte: KAHNEMAN, Daniel. Maps of bounded rationality: psychology for behavioral economics. American Economic Review, v. 93, n. 5, p. 1449-75, dec. 2003.

Fonte: KAHNEMAN, Daniel. Maps of bounded rationality: psychology for behavioral economics. American Economic Review, v. 93, n. 5, p. 1449-75, dec. 2003.

Para Kahneman, o sistema cognitivo composto é um dispositivo computacional impressionante. É bem adaptado ao seu ambiente e tem duas maneiras de se ajustar às mudanças: um processo de curto prazo que é flexível e dinâmico, e um processo de longo prazo de aquisição de habilidades que, eventualmente, produz respostas altamente eficazes de baixo custo. O sistema tende a ver o que ele espera ver – uma forma de adaptação Bayesiana – e também é capaz de responder de forma eficaz a surpresas. No entanto, esta criação difere em aspectos importantes de um outro paradigma, o agente racional assumido na teoria econômica.

Esse estudo aborda o efeito heurística, considerando que os sentimentos que se tornam salientes em um processo de julgamento ou tomada de decisões dependem das características do indivíduo e da tarefa, bem como a interação entre eles. Assim, os indivíduos diferem na forma como eles reagem afetivamente, e em sua tendência a confiar em pensamento experimental.

Colocando de outra forma, esse efeito heurística envolve formulações mentais que fazemos para simplificar o processo de tomada de decisão, e são formadas a partir das nossas experiências e sentimentos, nos fazendo repetir padrões, digamos, “previsivelmente irracionais”.

Sabe aquela compra que você sabia que não deveria fazer, mas fez, ou aquele investimento, ou mesmo a retirada de um capital ou encerramento de um projeto na hora errada? Pois é, pode ser seu Sistema 1 intuitivo assumindo o controle e aplicando heurísticas para tomar uma decisão rápida, e que nem sempre é a melhor no momento.

O que fica de lição nestes conceitos é que racionalidade não é apenas produto da mente nossa mente analítica, mas também da mente experiencial que envolve a formação de nossas crenças, valores e regras que são pano de fundo na nossa tomada de decisões.

A percepção e integração de sentimentos afetivos, parece ser o tipo de processo de maximização de alto nível postulada pelas teorias econômicas. Estes sentimentos formam o neural e substrato psicológico de utilidade para decisões mais conscientes, equilibradas e consistentes.

Pois é… Racional pero no mucho.

 

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Elton Parente

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