Sua carreira está te afogando?

Estamos pensando apenas no futuro financeiro e esquecendo o bem estar atual?

Postado dia 07/12/2015 às 00:00 por Priscilla Brandeker

Depois de décadas de luta por melhores condições de trabalho, igualdade de direitos, estruturação e profissionalização de cargos, especializações, desenvolvimento de estratégias e liderança e depois a busca constante por destaques e mais destaques, onde queremos chegar? Será que essa luta chegou a seu limiar, extrapolando os limites do estresse e da excessiva cobrança diária que fazemos a nós mesmos e aos demais ao nosso redor?

Os avanços tecnológicos, as oportunidades de estudo, as aberturas de mercado e a luta pela “igualdade”, proporcionaram grandes avanços, porém, por outro lado, o que gostaria de refletir aqui é sobre as nossas escolhas. Queremos mesmo fazer a faculdade x ou y? E trabalhar engravatados? E precisamos de um MBA, uma pós, um intercâmbio, um idioma, para sermos considerados bons trabalhadores e então valorizados (inclusive por nós mesmos)? Será que aquela mãe que deixou seu bebê pequenininho para voltar ao trabalho, está realmente tranqüila com esta decisão? Aquele empregado que praticamente carrega o emprego nas costas para poder pagar o aluguel, não estaria mais feliz se tivesse uma oportunidade de escolher e fazer aquilo que realmente gosta?

Oportunidades e escolhas? Palavras difíceis e que englobam muitas coisas, ainda mais se falamos especificamente de mercado brasileiro. Pensando nisso, não podemos dizer que todos nós temos as mesmas oportunidades, é só olharmos as notícias e sairmos às ruas da cidade. Não basta buscar oportunidades, nem apenas correr atrás de nossos sonhos, num devaneio que não considera a realidade.

Porém, acomodar-se é a solução? Primeiro, trabalhar é necessidade e isso é um fato, certo? Se pensarmos no consumismo cada vez mais acelerado e desesperado, precisamos trabalhar e muito! Ter o último celular, viajar para o exterior, ter o carro x ou y, ter a roupa que o artista usa. Mas será que isso tudo é real? Até que ponto afogamos nossa paz interior, os nossos momentos de simples bate papo com amigos e bem estar com família e amigos, para trabalhar e correr atrás dos nossos “sonhos de consumo”? E quantos de nós sofremos e nos iludimos por precisar subir de cargo, mostrar o quanto somos bons, provar que somos indispensáveis? Quanto isso nos afeta ao ponto do trabalho se tornar um sofrimento e não um prazer? Em consultório, vejo o quanto algumas dessas questões estão diretamente relacionadas ao preenchimento de um vazio existencial ou uma busca constante por suprir uma necessidade de aprovação e valorização pessoal.

São lutas diárias, valores perdidos, angústias cada dia maiores. São sites e sites com dicas e reportagens ensinando as pessoas a terem uma carreira de sucesso.

Já viram reportagens onde a família vive em uma casinha lá no meio do mato, sem energia, sem luxo, sem televisão e as pessoas são leves, tranqüilas, em paz e felizes. Pois bem, não estou dizendo que se morarmos todos numa casinha no meio do mato seremos felizes, mas pensemos profundamente, se as nossas escolhas de vida tem sido as melhores e as que nos fazem mais felizes no aqui e agora. Estamos pensando apenas no futuro financeiro e esquecendo o bem estar atual? E quem garante esse futuro? Qual a qualidade do seu tempo diário?

Vale aqui uma ressalve pessoal: não existe certo e errado, ok? Não existe melhor ou pior escolha. Existe o seu caminho, as suas escolhas, mas lembre-se: O caminho mais curto, nem sempre é o mais compensador.

Boas reflexões!!

Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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