Soldados de Cristo

Poucos grupos cristãos levaram a vocação missionária tão a ferro e fogo quanto os jesuítas. A Companhia de Jesus revolucionou os contatos do ocidente europeu com a Ásia e as Américas. E ajudou a moldar a história do Brasil

Postado dia 04/05/2016 às 08:00 por Tiago Cordeiro

jesuitas

Foto: Reprodução/Internet

Parte da fascinação com a Bíblia está no tamanho do impacto que ela teve sobre a civilização ocidental. Ao adotar para Roma a religião da seita judaica fundada por um homem morto na cruz no século 1, o imperador Constantino mudou a história. A Europa nunca mais foi a mesma. Chegou ao século 15 quase toda seguidora do cristianismo, uma religião que dominou as artes, a língua, a arquitetura e os hábitos de praticamente todos os moradores do velho continente. Quando os exploradores portugueses e espanhois começaram a descobrir que o planeta era muito maior do que se pensava, eles não mandaram apenas militares e gestores. Escolheram religiosos capazes de ensinar a fé cristã aos povos distantes que, para espanto dos ocidentais, nunca tinham ouvido falar de Jesus.

Para levar adiante este esforço missionário, eram necessários jovens bem educados na fé, capazes de suportar viagens de navio que duravam meses e aconteciam nas condições de saúde mais precárias. Depois era preciso viver no mato e encarar, com coragem e inteligência, povos que tinham costumes e idiomas quase inimagináveis de tão diferentes. Os jesuítas eram os homens certos para este papel. A Companhia de Jesus parecia ter sido criada sob medida para o desafio. Foi iniciada em 1534 por Inácio de Loiola, um jovem nobre amante de batalhas e mulheres até ter a perna arranhada por uma bala de canhão. Na dor da cirurgia e da recuperação, ele encontrou o caminho para criar um grupo organizado segundo princípios militares, com religiosos instruídos sob uma rígida hierarquia. Francisco Xavier foi um dos seis cofundadores ao lado de Inácio. E o primeiro jesuíta a viajar para terras distantes. Francisco converteu gentios na Índia e no Japão. Morreu tentando entrar na China, um país que era sua maior obsessão. Seus métodos de conversão se tornaram o exemplo a ser seguido do outro lado do planeta. Incluindo o Brasil.

jesuitasOs portugueses descobriram nosso país em 1500. Tentaram colonizá-lo na década de 1530. Resolveram fazer tudo do zero em 1549, com a chegada de um governador-geral, Tomé de Souza. Ele refundou Salvador e trouxe consigo um time de jesuítas comandado por Manoel da Nóbrega. Estudante aplicado, professor com grande potencial – não fosse uma gagueira severa, que inviabilizasse qualquer esforço didático. Nóbrega foi mandado para o Brasil quando nosso país não era importante para a Companhia de Jesus. Acabou surpreendendo a seus superiores.

A trajetória iniciada por Nóbrega teve continuidade em jesuítas notáveis. João de Azpicuelta Navarro realizou uma viagem épica pelas Minas Gerais – uma expedição que custou sua vida; ele voltou da Bahia abatido e doente e acabou falecendo. José de Anchieta foi decisivo para a colonização de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Antônio Vieira, um dos maiores poetas do Brasil colônia, era um causador de casos que arranjou brigas feias em Salvador, onde nasceu, em Lisboa, em Haia, em Roma e em São Luís do Maranhão. No Sul, o músico conceituado Anton Sepp ensinou os índios moradores das missões a fabricar violinos finos para exportação para a Europa.

Tudo isto e muito mais você encontra em meu primeiro livro. É com muita felicidade que eu chego ao final de um processo: 18 meses de pesquisa caminharam comigo. Até que surgisse A grande aventura dos Jesuítas no Brasil (editora Planeta). O aprendizado que os jesuítas antigos me proporcionaram, eu tentei transmitir para os leitores. Espero que o resultado seja do agrado de vocês!

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Sobre o Autor

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Tiago Cordeiro

Pós graduado em Literatura Brasileira. Trabalhou pelas revistas Veja, Época, Galileu, apaixonado pela área de tecnologia e religião.

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