Só com credibilidade que o Brasil revive

O ano chega ao fim e o sentimento coletivo é de um certo alívio, posto que o que nos caracteriza é a eterna esperança por dias melhores e toda virada de ano também consideramos uma virada de página ou mudança de capítulo na história de nossas vidas.

Postado dia 27/12/2016 às 08:00 por José Iwabe

 

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Foto: Reprodução

O ano chega ao fim e o sentimento coletivo é de um certo alívio, posto que o que nos caracteriza é a eterna esperança por dias melhores e toda virada de ano também consideramos uma virada de página ou mudança de capítulo na história de nossas vidas.

É indubitável que cada cidadão brasileiro sentiu na pele as agruras de um ano marcado pela pior forma de pobreza que pode vitimar uma nação, a pobreza moral, causadora de todas as modalidades de infortúnio, inclusive a pobreza material. Nunca perdemos tanto em tão pouco tempo.

É ocioso enumerar aqui os incontáveis atos de desvario e corrupção identificados ao longo de 2016, pois são fatos públicos e notórios, cuja sucessão continuada até à exaustão, enojou e esgotou a capacidade de indignação de todos nós.

A sensação de impunidade, apesar da Operação Lava jato, entretanto, continua latente.  Os bilhões que foram subtraídos do erário público, que se traduz no sucateamento da saúde pública, nos índices deploráveis de nossa educação, na quase absoluta falta de segurança, nas estradas que se transformaram em infindável desfile de crateras, no desemprego tornado flagelo de milhões de famílias, esses bilhões evaporaram e quando se fala em apenar os culpados com a restituição do que roubaram, os valores que retornam são insignificantes.

Por mais que louvemos a aplicação investigativa da Operação Lava Jato e o consequente julgamento dos réus, as condenações resultantes são pouco exemplares, já que um grande número deles recebe o benefício da delação premiada e têm suas penas tão reduzidas que acaba por ser um escárnio à sociedade. Um deles, só pra exemplificar, Alberto Youssef, merecia ficar encarcerado por 122 anos, pela soma de seus crimes, mas passou apenas dois anos e 8 meses em regime fechado e permanecerá por 4 meses em prisão domiciliar. Qualquer contador de meia-pataca, fazendo cálculos elementares diante do montante de recursos que passaram por suas mãos (28 bilhões de dólares) chegará à conclusão de que guarda, escondido, o suficiente para viver o resto de sua vida em tranquila e nababesca situação.

A Odebrecht e seu braço Braskem fizeram um acordo de leniência com as autoridades americanas, suíças e brasileiras, devendo arcar com uma multa de 3,5 bilhões de dólares, a serem pagos ao longo de 20 anos, por haverem, num laço umbilical com Lula e o PT, subornado e pago propina a autoridades e governantes de 12 países (Argentina, México, Venezuela, Panamá, Guatemala, República Dominicana, Angola e Moçambique).

Uma empresa que agiu com tanta desfaçatez, numa aliança espúria com Lula enquanto presidente do Brasil (e que continuou, fora do cargo, com a cumplicidade de sua sucessora) e manchou de maneira indelével a reputação do Brasil perante o mundo inteiro, que nos vê como os protagonistas do maior escândalo internacional de corrupção de toda a História da Humanidade, não pode, com um simples acordo de leniência e de delações premiadas, continuar a atuar como se perdoável fosse tudo quanto fizeram.

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A Odebrecht e a Braskem, já que ainda conduzem e são responsáveis por obras no Brasil e em outros países, onde dezenas de milhares de pessoas estão empregadas, deveria ser fatiada, conforme cada obra, e os acionistas majoritários ter confiscados os seus títulos (já que foram os principais beneficiários em muitos bilhões de dólares como lucro) e entregues os empreendimentos, seus ativos e as ações a empresários idôneos do ramo, com o aval do BNDES (que, além de ser o principal credor, foi também financiador de todas as obras das empresas criminosas).

Os diretores e administradores que hoje fazem delação premiada, além da perda de suas funções, deveriam ter seus bens bloqueados e, conforme o caso, como benefício das delações, a redução de suas penas em apenas um terço, o que já seria muita bondade aos que destruíram a reputação de todo um país.

Os atos de corrupção não se limitaram à atuação da Odebrecht. Temos o envolvimento de autoridades brasileiras com empresas de vários outros países, como a sueca SAAB, na compra dos 36 aviões; desoneração fiscal ilegítima, via MP, das empresas Ford (americana),Hyundai (coreana), Subaru e Mitsubishi (japonesas); na construção do metrô em São Paulo, corrupção  da Siemens (alemã), Alston (francesa) e Bombardier (canadense). Em suma, corrompemos empresas de tudo quanto é país, pois essa é a prática corrente no Brasil.

Por mais que o presidente Temer esteja envidando esforços no sentido de devolver a normalidade econômica ao País, com a PEC do Teto dos Gastos, a pretendida Reforma da Previdência, a minirreforma trabalhista e a permissão de saques nas contas inativas do FGTS, essas medidas só fazem um remelexo nos recursos internos existentes, mas para o Brasil sair do abismo, só atraindo recursos externos, dinheiro de fora, investimentos. Isso só acontecerá se houver uma recomposição da destroçada imagem do país mundo a fora. Para tanto, é preciso mostrar atitude, transparência na conduta política, a prisão e punição exemplar dos corruptos, principalmente de Lula e de todos os políticos envolvidos. Oferecer segurança jurídica, acabando com a irracional disputa entre os Poderes, que põe em cheque a nossa democracia e aumenta ainda mais a desconfiança quanto aos rumos da Nação.

Mais; a gravidade da crise econômica produzida por 13 anos de desmandos do PT e por décadas de privilégios aos operadores dos Três Poderes, exige medidas emergenciais. O País necessita de soluções imediatas e não apenas de projetos que tragam resultados, caso implementados, daqui a 10 ou 20 anos. São 13 milhões os que estão desempregados HOJE, e mais de 40 milhões os que passam por privações do essencial AGORA! Portanto reduzir o gigantismo do Estado e cortar os luxos a que se dão o desfrute os membros graduados do Executivo e do Judiciário, bem como os parlamentares do Legislativo, dando um basta às mordomias a que têm acesso, é imperativo de consciência. Que os funcionários dos órgãos públicos façam como o fazem os do setor privado: que custeiam as suas despesas apenas com seus salários, pondo fim ao número absurdo de ajuda isso, ajuda aquilo. Que haja isonomia nos deveres, pois esse é o fundamento da democracia, uma sociedade sem “castas”, “classes privilegiadas”, pois privilégios sempre são pagos por aqueles que não os tem.

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José Iwabe

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