Smartphones e seus aplicativos ocultos

É hora de homenagear o aparelho que já prestou tantos serviços para a humanidade. Encarar um elevador, por exemplo, era insuportável

Postado dia 20/03/2017 às 08:00 por Rick Ferreira

 

smartphones

Foto: Reprodução

Mesmo as onipresenças têm lá seus lugares comuns. As novas tecnologias, por exemplo. Como qualquer outra cria das sociedades, depois de se tornarem “fatos”, viraram vítimas de slogans-clichês: “a tecnologia é parte das nossas vidas”; “celulares são ferramentas úteis de trabalho”; “a internet foi um divisor de águas”, etc.

Inclusive há também espaço para as novas “tecnolendas” urbanas (e lendas são sempre fruto de extrapolações sobre possibilidades reais): “cuidado porque o waze te leva direto pra uma bocada na favela!”; “carregar celular junto do corpo dá câncer”; “o fantasma de Macbeth amaldiçoa o dono do aparelho que toca durante a peça”; “games deixam as crianças violentas” (ah sim, essa é velha, mas a cantilena se renova em igual velocidade ao suporte eletrônico que a suporta!)… etc… etc.

Então para fugir disso tudo (não das tecnologias, mas dos lugares comuns), e em gesto carinhoso às novas Pangeias cibernéticas, queria homenagear o ícone maior e agregador cotidiano das tecnofilias: os Smartphones! Por todos os serviços já (já?!!!) prestados à humanidade, e de que pouca gente se lembra ou reconhece nas atribulações do dia a dia.

Smart phone atached to hand

Smart phone atached to hand

  • Já parou pra se lembrar de como era pegar um elevador antes dos celulares… correção: dos smarts?!!! Lembra? Se não, talvez seja porque você nem tenha idade suficiente pra ter vivido tal experiência. Para os que já viveram, vale refrescar a timeline. Você entrava no elevador e apertava o 18º. No caminho, entre os “pára e sobe”, “pára e sobe”, aquele tempo eterno sob silêncio de morte; olhares perdidos a procura de um “galho visual” qualquer para pousar. Era um horror!… 30 segundos soavam 3 minutos… 1 minuto valia 10! Mas hoje em dia… Ahh… Agora, dependendo do post, do vídeo engraçado ou da foto “besteirol-que-é-perda-de-tempo-que-ninguém-gosta-mas-todo-mundo-vê”, enviada num dos grupos infinitos de Whatsapp, você tem a sensação de que curtiria “passear” de elevador por mais alguns minutinhos.
  • E se cruzamos na rua com aquele “amigo” de facebook? Aquele de quem somos “não praticantes”: está lá mas nem “viralizado de ouro” queremos ver! Osso, né? Só que não!!! Seria se fosse no passado, com os conhecidos de antigamente. Lá a gente se rendia silente ao destino, pobres mortais mecano-analógicos, inconformados com a inexistência de rotas de fuga. No aperto, qualquer fantasia cabia, de porões na calçada a sótãos abertos nos toldos da lojas! Mas não tinha jeito. Navegávamos ao encontro do iceberg, e ponto: “E aí! Como é que você tá?!”… Mas hoje… Rá!… é só tirar o aparelhinho “invisibilizador”, abrir o Whats sem necessidade (já comum em 90% por casos) e fingir teclar no meio da rua. Cara fechada. Simples assim… Claro, e rezar pra que a persona non grata faça o mesmo! (outros 90% de chance, já que é provável que ela também nos veja de forma tão agradável quanto é vista!). E como o smartphone até serve pra fazer ligações, ainda resta o melhor, mais velho e eficiente estratagema: falar com ninguém! Que ninguém vai saber mesmo, salvo se o celular tocar, claro! Eu, por exemplo, tenho um amigo-herói que já atendeu uma carteira preta, dessas de dinheiro mesmo! (Corta pra câmera 2: soco do Péle no ar!!!!)
  • E por fim, talvez a mais libertadora de todas as bençãos “smartphônicas”. O direito de falar sozinho… Pare e pense. As redes sociais manicomiais foram visionárias nisso! Desde sempre houve conexão ilimitada em telefones imaginários: um pedaço de pau, um “sapato-fone” de agente secreto; ou ainda a própria mão (o mais barato e popular gadget), com o polegar de alto-falante e o mindinho de bocal. Hoje, os loucos leigos e sem voto de clausura, como eu e outros tantos curadores de identidades secretas (ou só cheios de pudores mesmo), também podem desabafar ou debater consigo mesmos, usando de viva voz, sempre que assim preferirem. E pra não ser incomodado é só botar um fone de ouvido e segurar um pedaço qualquer de plástico retangular. Serve até o smatphone mesmo! E os loucos ainda no armário ficarão tranquilos de saber que ninguém os notará! Mas caso a invisibilidade se torne “o” problema (pro marketing pessoal, digamos), restará ainda a opção de postar uma selfie muita louca, de futilidade pública mesmo, pra deleite de quem agora está online dentro de um elevador qualquer mundo afora!

 

 

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Rick Ferreira

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