Sexualidade, tão delicada quanto necessária

A sexualidade humana forma a personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto que não pode ser separado dos demais

Postado dia 10/01/2017 às 08:00 por Luanda Nogueira

sexualidade

Foto: Reprodução/Internet

Sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo.  É energia que motiva encontrar o amor, o contato e a intimidade, e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas tocam e são tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações e integrações; logo, a saúde física e mental.

A sexualidade humana forma a personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto que não pode ser separado dos demais. Esta é a definição de sexualidade de acordo com a Organização Mundial da Saúde – da qual, aliás, poucas pessoas têm conhecimento – para então iniciar essa reflexão: falar sobre sexualidade não se limita a falar de sexo, e sim no âmbito maior do conceito.

Quando a pessoa se permite pelo menos a compreender e se aproximar do conceito, inevitavelmente percebe que não tem como expressar a vida sem estar incluída a sexualidade humana. É a mesma coisa que falar só de vida e ignorar a morte.

A definição da sexualidade elucida toda a forma como atuamos na vida, como nos expressamos na forma de sentir, em nossos movimentos, como eu toco os outros, como eu me sinto em todos os aspectos da vida. Isso é energia, isso é estar vivo!

Não nego que sempre existirá um muro cultural tremendo e forte que foi construído ao longo da história da humanidade, baseado em mitos sexuais fortalecidos e tabus temerosos que se perpetuarão, infelizmente, assim como tantos outros preconceitos. Por mais que avancemos com esclarecimentos, ainda é muito grande a resistência de enfrentar ou olhar o diferente sem ter alarde, pensando em sexualidade e diversidades sexuais, entre tantos outros temas.

Por isso, quando muitos falam que a educação tem que ser revista para minimizar os preconceitos e a violência, entre tantas outras barbáries que ocorrem por culpa de ignorâncias, fico pensando se, do tanto que se é falado, parte disso fosse colocado em prática, partindo da educação, poderíamos talvez vislumbrar um futuro menos preconceituoso, com menos tabus. Mas ainda falta a prática.

Hoje, mais do que nunca, se faz necessário conversar e abordar o tema da sexualidade dentro das nossas casas e das nossas escolas, mas também no atendimento na área da saúde – onde percebemos o quanto a sexualidade do paciente muitas vezes é ignorada. É preciso orientar os jovens, que hoje iniciam sua vida sexual mais cedo, orientar as crianças no sentido de precaução e zelo pelo seu corpo desde já. Afinal, como falar de pedofilia se temos vergonha de falar de sexo?

Se a criança é orientada desde cedo a cuidar de sua intimidade, se é informada de que só ela pode tocar seu corpo, não tenha dúvidas: se tentarem contra esse corpo de maneira diferente do que foi educada, é mais provável que ela fale sobre isso com alguém da sua família – o que já apresenta uma situação difícil por si só.

Falar mais sobre sexualidade faz parte de uma desconstrução sociocultural,  tijolinho por tijolinho, é uma tarefa é árdua para nós, que atuamos e lidamos com as sexualidades dos outros, inclusive as nossas.

Meu alento é saber que existem muitos profissionais que escutam, orientam, querem tratar e cuidar de você. Caso não esteja bem ou tenha dificuldade em tratar do tema, eu tenho orgulho de dizer que faço parte deste grupo engajado por mais educação sexual, para podermos viver e expressar livremente nossas sexualidades com mais amor e saúde emocional e física.

 

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Sobre o Autor

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Luanda Nogueira

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual.

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