Sexualidade nas práticas clínicas

Muitos pacientes têm dúvidas sobre o assunto. Mas a maioria dos profissionais da área não tem conhecimentos suficientes para abordar a sexualidade com eficiência

Postado dia 09/11/2016 às 08:00 por Luanda Nogueira

sexualidade

Foto: Reprodução

Quando se discute sexualidade em pleno século 21, ainda é muito comum notar constrangimentos, receios, tabus e dificuldades nas pessoas para se falar sobre o assunto. Isso se deve à herança do passado, que ainda perpetua a imagem da sexualidade como algo negativo e proibido.

Mesmo que se queira ignorar o assunto, a sexualidade se manifesta de diversas maneiras, estando presente em nossa realidade cotidiana e inclusive na prática clínica em diversas áreas da saúde.

Em geral, na área da saúde não é raro se deparar com profissionais que têm dificuldade e desconforto em auxiliar ou orientar o paciente acerca da prática de sua sexualidade e de orientá-lo em suas dúvidas.

A dificuldade é fato, uma vez que este profissional está inserido também em um contexto sociocultural e que para muitos não difere na questão de mitos, tabus e tantos outros preconceitos construídos em torno da sua própria sexualidade.

Muitas pessoas acreditam que é tranquilo e natural para o profissional da saúde abordar o tema, até se depararem com a ignorância em conhecimento de quem o atende. Sem contar quando esse paciente resolve buscar ajuda, pois os tabus são tantos, que ele primeiro tenta resolver da sua maneira, e só depois, vencendo uma tremenda resistência, é que ele solicita auxilio de um profissional.

Quando comento aqui dos profissionais da saúde, são desde enfermeiros, médicos de diversas especialidades, psicólogos, terapeutas e tantos outros que trabalham com o ser humano, pois as queixas podem chegar para qualquer um de nós, e a realidade é que a maioria não tem conhecimentos suficientes para abordar a sexualidade com eficiência.

Como profissionais da saúde, possuímos uma força motriz na condução do processo terapêutico e a sua integralidade de abordagem. É de extrema importância considerar como está ou como foi a nossa formação no que tange à sexualidade humana.

A população brasileira, em sua maioria, é inadequadamente educada para lidar com questões que permeiam a sexualidade, pois o tema é tratado apenas em seu aspecto reprodutivo  e a falta da educação sexual nas escolas e nos currículos de graduação limita muito a prática clínica.

A ausência desse conhecimento é fator-chave que explica o desconforto de muitos profissionais na abordagem da saúde sexual dos pacientes.

Todos da área da saúde necessitam de ter informações, livres de tabus e preconceitos, e por isso a busca por conhecimentos através de especializações, capacitações e leituras de produções de artigos em sexualidade é de extrema importância.

A sexualidade é um tema amplo e o conhecimento profundo nos capacita para refletir, discutir o tema com respeito, sem dificuldade, preconceito, vergonha. Essa atitude se torna determinante para a melhor acolhida desse paciente que vem compartilhar sua vida, suas dores, suas intimidades.

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Sobre o Autor

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Luanda Nogueira

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual.

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