Sertanejo é o novo rock?

O rock nacional da década de 80 foi responsável por dar voz a toda uma geração, a geração Coca-cola. Havia mais autenticidade, questionamentos, atitude. Daqui a uns anos, quando os jovens do amanhã pesquisarem os de hoje, o que eles irão encontrar?

Postado dia 10/12/2015 às 00:00 por Mariana Pastore

renato

Cultura. Meu sonho antes de entrar na faculdade de jornalismo era trabalhar no Caderno 2. Sempre me interessei por música, cinema, artes, fiz teatro por muitos anos, mas tudo como hobby. Acabei seguindo outros rumos na carreira. Que responsa escrever sobre o tema agora! Mas sem me alongar muito na apresentação, quero dizer apenas que esse espaço será mais destinado a reflexões e questionamentos do que a respostas. E para minha primeira coluna, escolhi falar sobre um tema que muito me entristece: a morte do rock nacional.

Ontem mesmo ao abrir o computador, me deparei com uma ótima entrevista com um dos meus artistas preferidos quando tinha 20 e poucos, o ex-Titã Nando Reis. O título destacava que ele achava as letras do sertanejo pouco desenvolvidas. Isso não é novidade, né, tchetcherereretchetche, nem pra mim, nem pra você! Você quer tchu ou você quer tcha? O que me chamou a atenção mesmo foi quando ele afirmou que o sertanejo é “novo rock”. Não achei que viveria para isso, mas, como o próprio músico disse, em termos de popularidade, isso é inegável. Só comparar as músicas mais tocadas nas rádios hoje e há 20/30 anos atrás.

Para completar, nesse fim de semana descobri que agora existem festivais nos moldes do Lollapalooza inteiramente dedicados ao sertanejo, com grandes palcos, meninas com coroas de flores e famosos desfilando o look do dia em áreas VIP. E eu nunca tinha ouvido falar! Acho que o algoritmo do meu Facebook é vacinado contra esse tipo de informação, hehe.

Brincadeiras à parte, e deixando o gosto pessoal de lado, não faz muito mais sentido para a nossa cultura existir um evento desse porte em território nacional composto em sua maioria por artistas brasileiros? Sim, já que eles não têm muita vez quando disputam horários e palcos nobres com artistas gringos. Se ao menos houvesse diversidade. Mas a indústria da música nacional ainda prefere trabalhar com fazedores de hits instantâneos em série, pois é o que dá retorno financeiro.

Triste ainda é pensar que esses artistas representam a juventude atual. O rock nacional da década de 80  foi responsável por dar voz a toda uma geração, a geração Coca-cola. Havia mais autenticidade, questionamentos, atitude. Daqui a uns anos, quando os jovens do amanhã pesquisarem os de hoje, o que eles irão encontrar? Canções que falam sobre bebedeiras sem fim e “ai, se eu te pego”? Não que parte da vida de muitos não seja basicamente isso, mas acredito que somos mais profundos e sempre podemos ir além.

Mas para complicar um pouco a reflexão, vou dividir o trecho de outra ótima entrevista que li, dessa vez com a Regina Casé, sobre o filme “Que Horas Ela Volta?”, da diretora Anna Muylaert. Para quem não sabe, a atriz é a protagonista do longa, que foi bastante elogiado pela crítica e vai concorrer a uma vaga entre os indicados a melhor filme estrangeiro no Oscar do ano que vem.

Em determinado momento, Regina, que também é apresentadora do Esquenta! (Globo), conhecido por receber atrações musicais populares, como sertanejo, funk e pagode, reclama da discrepância entre quem elogia o filme, mas critica o programa. “O Brasil trabalha há anos com uma ideia de alta e baixa cultura. Isso é mantido pelo preconceito. Existe a cultura popular do Brasil. Se você gosta ou não, tudo bem. Mas você não pode negar que é a cultura produzida aqui”, disse ela.

E para você? Sertanejo é cultura? É o novo rock? O rock nacional morreu

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Sobre o Autor

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Mariana Pastore

Mariana Pastore é jornalista, atualmente é freelancer na área. É apaixonada por viagens, e pelo universo da arte e cultura

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