Seria Darwin…

Alguém já disse que não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se adaptam. A tecnologia está gerando provas diárias desse conceito

Postado dia 08/09/2016 às 09:00 por Heródoto Barbeiro

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Foto: Reprodução/Internet

No cotidiano é possível identificar as inovações tecnológicas. Suas consequências sociais, políticas e econômicas geralmente são imediatas. Nem sempre a sociedade está preparada para as mudanças que ela mesma provoca, ainda que saiba que estão sendo urdidas nos laboratórios públicos e privados.

Os centros de pesquisas digitais têm gerado uma série de inovações que velozmente ganham o mundo. E eles não estão mais concentrados em um único país, ou continente: estão espalhados por países ricos e pobres, uma vez que a difusão da informação, via internet, possibilitou o acesso a pesquisas científicas como nunca aconteceu na história da humanidade.

Surgiram inúmeras empresas, conhecidas como start ups, que apresentaram novos processos produtivos ou de serviços, a maior parte deles destinados ao mais recente adereço das pessoas: o smartphone, a tecnologia móvel.

Não se faz inovação impunemente. Novas tecnologias derrubam formas antigas de produção ou de prestação de serviços às quais, produtores, prestadores e consumidores estavam acostumados. A reação social é imediata, uma vez que muitas delas são responsáveis por tirar todos os que estavam acomodados e acostumados.

Algumas não só mudam as formas produtivas, mas tiram empregos e renda e geram instabilidades sociais. Seu rastro de mudança deixa escombros econômicos, mas gera novas oportunidades de ganho. Essas mudanças são tão antigas quanto a chegada dos teares automáticos nas fábricas inglesas do final do século 18. Aos atingidos não resta outra possibilidade se não se adaptar à nova situação ou perecer.

Alguém já disse que não são os mais fortes que sobrevivem, mas os que se adaptam. Seria Darwin… Um exemplo gritante é a mudança no transporte individual público, os táxis. Com o advento de aplicativos como o Uber ou Cabify, os taxistas de todo o mundo foram atropelados por mudanças de hábitos dos seus passageiros. Estes foram favorecidos por um serviço melhor, mais barato e adaptado a suas necessidades. O preço do transporte caiu e o serviço melhorou.

O economista Schumpeter rotulou essas inovações de destrutivas criativas. Segundo ele, as novas tecnologias são responsáveis pela criação de novos ciclos econômicos, eliminando uma gama enorme de empresas ou de prestadores de serviços.

De acordo com o filósofo Schopenhauer, toda nova atividade passa por três estágios: primeiro ridicularizada; em segundo lugar, violentamente combatida; e finalmente é aceita como autoevidente. Há inúmeros exemplos atuais como o acesso que os pacientes têm ao comportamento da medicina através da consulta prévia ao doutor Google antes de ir ao seu médico, ou a leitura da bula do remédio no computador com clareza.

Médicos se constrangem ao serem questionados como nunca aconteceu antes desde a época de Hipócrates. Os taxistas se rebelam ao que consideram uma concorrência desleal, ou a formação de um monopólio no setor. Os meios de comunicação não mais reinam soberanamente.

A existência de uma miríade de plataformas põe ao alcance do cidadão a oportunidade de escolher como quer ser informado e dá-lhe oportunidade de influenciar diretamente no noticiário. A formação de jornalistas deixou de ser exclusividade das faculdades de comunicação e hoje brotam em qualquer situação que uma pessoa saiba transformar informação em notícia. É o salve-se quem puder.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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