Ser ou não ser burro, eis a questão…

Nesta vida ou somos sábios ou somos otários (mais um sinônimo!). Sábios são os que optam pelo verdadeiro, pelo legítimo, pelo justo. Já os otários...

Postado dia 06/01/2017 às 08:30 por José Iwabe

burro

Foto: Reprodução

“Stultorum infinitus numerus est” (Eclesiastes, I, 15)

Estulto: burro, parvo, tolo, insensato, estúpido, imbecil, bobo, paspalho, leso, palerma, bocó, pateta, simplório, idiota, beócio, cretino, babaca, sem juízo, sem discernimento.

Todos os sinônimos acima têm essencialmente o mesmo significado, mesmo que utilizados, conforme as circunstâncias, para identificar diferentes pessoas autores de diferentes ações.

A Bíblia, quando afirma “é infinito o número de estultos”, pretende exemplificar quão imensa é a quantidade daqueles que deliberadamente praticam ações más, equivocadas, pecaminosas e quando alguém, conscientemente, opta em fazer o errado, comete, indubitavelmente, uma ação burra, estúpida, idiota, etc..

Pode-se assim compreender que a essência da estultice – e de todos os sinônimos – consiste no erro intencional.

Quando era estudante e os graus ainda eram nominados de primário, secundário e bacharelato, era notável a divisão dos alunos que ocorria dentro da classe. Os que ocupavam as primeiras fileiras, mais próximas do professor, eram tidos ou como menos inteligentes, ou como “os Caxias” (estudiosos).

Os do fundo eram os bagunceiros, ou os “desligadões”. Bom número entre eles era bem dotado intelectualmente. Os que escolhiam ficar no meio da sala, faziam uma média entre os da frente e do fundo. Quando passei a lecionar, anos depois, era claro pra mim que os alunos do fundão assumiam o papel de burros por preferirem desperdiçar seus dons e talentos mentais para se destacarem na fuzarca e nos esportes.

São de fato inteligentes os que entendem que estão na escola para estudar, para aprender e quando sabem serem menos dotados intelectualmente, se aplicam mais.

Prossigo esta matéria sabendo que serei antipático, como um despertador que toca desagradavelmente chamando você para os compromissos assumidos, e usarei uma metodologia que os terapeutas chamam de tratamento de choque, ou seja, um sistema de confrontação entre seus hábitos mentais com os princípios que devem ser considerados e respeitados.

Você é insensato quando, com o seu cartão crédito ou cheque especial, compra bens de consumo que não pode, com o dinheiro que não tem. É, como no dito popular, contar com o ovo no interior da galinha. Você nem sabe se a galinha estará em seu amanhã para lhe ofertar o ovo.

Você é parvo se, tendo bebido, acha que está em seu estado normal e pode dirigir o seu veículo, pois o parvo sempre se acha forte para a bebida e acredita que, se não estiver trançando as pernas, está tudo bem.

Você é tolo quando, grudado ao celular de última geração, imagina ter uma coorte de amigos, por ser assíduo frequentador dos “chats” de redes sociais e engana-se, pois nessa esfera, o mundo virtual, todos vendem uma imagem incompleta e irreal (e você sabe disso, pois também faz o mesmo).

Você é palerma se renuncia a descobrir quais suas reais preferências e o que de fato fica bem em você, escolhendo ser escravo da propaganda e da moda.

Você é idiota se, numa eleição, escolhe candidatos sem saber o que podem fazer pelo bem comum e, pior, vota neles apenas por alguma vantagem pessoal que possa auferir, pois aí eles estão comprando e você vendendo sua consciência.

Você é paspalho, tipo Jean Wyllys, se defende o direito das minorias contra o direito da maioria, pois o legítimo é o direito igual para todos. Sem isso não existe direito nenhum.

Você é imbecil se é machista ou feminista, pois todos somos humanos, antes de tudo, com características que definem cada qual, que fazem por merecer nosso respeito, consideração e admiração, conforme o gênero a que pertença.

Você é bocó se imagina que a vida é apenas curtição, prazer e diversão, pois as contrariedades estão sempre à espreita e só quem tem disciplina, força de vontade e determinação é capaz de vencê-las.

Você é babaca, com louvor, se é favor da atual maioridade penal (18 anos), pois admite então que um menor pode lhe esfaquear, estuprar sua filha ou roubar seu carro ou sua casa, já que o “pobre inocentes não sabe o que está fazendo”. A prática da bondade ou da maldade não tem idade. Devem ser recompensadas ou punidas quando praticadas.

Se contemplássemos todas as situações em que podemos agir como lesos, patetas, cretinos, etc., essa matéria seria infindável. Portanto encerremos fazendo uma constatação: nesta vida ou somos sábios ou somos otários (mais um sinônimo!). Sábios são os que optam pelo verdadeiro, pelo legítimo, pelo justo, e agem em consequência. Os otários são os que querem enganar os outros ou a si próprios, buscando tirar vantagem de alguma forma, seja por comodismo, seja por preguiça, seja por má fé.

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José Iwabe

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