20 anos de Roots bloody roots

A Reinvenção do Metal: Sepultura há 20 anos disparou este clássico para o mundo

Postado dia 26/07/2016 às 08:30 por Leonardo Carrasco

roots

Foto: Reprodução/Internet

É interessante olhar pra trás e ver o real impacto de um lançamento no mundo da música, até mesmo nas artes como um todo. Por mais diferente que fosse, quem poderia imaginar que o quarteto formado em Belo Horizonte realmente conseguiria chegar ao topo do heavy metal após pouco mais de dez anos que a banda se formou?

Não é exagero algum. Afinal, Roots é um divisor de águas na história por ter ousado em misturar um estilo tão agressivo com ritmos brasileiros, falando sobre política brasileira e focando na cultura indígena com participação de uma tribo, a Xavante. Além de contar com a colaboração de Carlinhos Brown, Jonathan Davis, do Korn, e Mike Patton, do Faith No More. E você percebe que ali tem hardcore, tem groove, tem afinações baixas, tem o som de Salvador e tem muito experimentalismo.

Claro que na época muita gente torceu o nariz. Algumas críticas o acharam muito audacioso. Mas o que vemos com o passar dos anos é que a maioria das revistas e publicações em geral o colocam como um dos maiores discos de todos os tempos!

Vale frisar que, em muitos países da Europa, Michael Jackson foi ultrapassado nas paradas pelo Roots. Vocês fazem ideia do que significa isso?

Foto: Reprodução/Internet - Sepultura com a formação original no álbum Roots (1996)

Foto: Reprodução/Internet – Sepultura com a formação clássica no álbum Roots (1996)

Pra fazer um comparativo, o Led Zeppelin chegou a misturar o rock pesado com batidas africanas, porém o Sepultura fez isso com percussão de seu próprio país. Lógico que isso tem uma genuinidade maior. Até hoje, quando alguém escuta o single Attitude pela primeira vez, com certeza pensa: “Cara, como assim uma banda de metal começa uma música com um berimbau?!”. E o que dizer do terceiro single do álbum, Ratamahatta? Nem tem como classificar uma faixa como essa. É um bagulho muito louco!

O play é perfeito do início ao fim – detalhe que ele tem 70 minutos de duração aproximadamente, podendo variar conforme as faixas bônus. Eu gostaria de destacar duas pérolas: Jasco é uma instrumental na qual Andreas Kisser faz belas harmonias no violão, mostrando que sabe muito bem criar melodias, dispensando as distorções e dissonâncias típicas da banda.

Itsári, que foi composta junto com os xavantes quando o Sepultura passou um tempo com eles, mergulhando de cabeça na vida dos indígenas no leste do Mato Grosso.

Eu sei que nem todos apreciam música muito pesada. Eu mesmo já não sou mais um super fã de rock pauleira. Agora, nesse caso específico, eu recomendo muito que você, que ainda não deu uma chance a essa obra-prima, dê uma escutada, já que se trata de um feito único e que influenciou tantas bandas ao redor do planeta, direta ou indiretamente.

Creio que muitos vão descobrir uma beleza absurda no meio de todo o caos selvagem proporcionado por Max Cavalera & cia. ilimitada. Raízes sangrentas!

 

 

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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