Saudades do Nakasato, meu ídolo

Filho de imigrantes japoneses, nasceu na cidade paulista de Promissão. Deus escreveu o seu destino de servir à sociedade. E ele cumpriu sua nobre missão

Postado dia 02/08/2016 às 08:00 por Junji Abe

Foto: Reprodução/Internet - Homenagem ao amigo Masaro Nakasato

Foto: Reprodução/Internet – Homenagem ao amigo Masaro Nakasato

Na segunda-feira (25) o guerreiro de tantas cruzadas, líder inconteste e meu amigão do peito, Masaro Nakasato, foi chamado por Deus e viajou para o paraíso celestial. Uns dez dias antes, visitei-o. Foi um encontro providencial!  Não sabia que seria o último neste plano físico. Filho de imigrantes japoneses, ele nasceu na cidade paulista de Promissão, em 8 de novembro de 1931. Deus escreveu o seu destino de servir à sociedade. E ele cumpriu sua nobre missão, com devoção e paixão.

Era 1961, ele se instalou no Bairro do Pindorama. Sorte de Mogi das Cruzes. E sorte minha. Naquele ano, o presidente Jânio Quadros renunciou. O interino João Goulart acabou deposto na Revolução de 1964. Foi nesse difícil período que conheci o Nakasato. Eu tinha 21 anos e fazia parte da Associação Rural de Mogi das Cruzes.

Nove anos mais velho, ele foi um irmão, amigo em todos os momentos. Como agricultores, lutamos o bom combate em prol dos mini, pequenos e médios produtores de verduras, legumes, tubérculos e bulbos. São produtos de alto risco para quem cultiva. Acima de tudo, pela insensibilidade governamental na adoção de políticas públicas específicas. A teia de obstáculos nos uniu na batalha de despertar, nos ouvidos moucos da sociedade, a riqueza da policultura de hortifrútis para a saúde e para a economia.

Fomos para as mesmas trincheiras. Entre outras incontáveis ações, aponto a atuação fundamental em entidades ligadas ao agronegócio, assim como nas Cooperativas de Eletrificação Rural e de Telecomunicação Rural de Mogi e Região. Ambas eram administradas pelos agricultores, de forma gratuita, para beneficiar o campo com luz elétrica e telefone. Tudo foi feito de modo inédito e pioneiro.

Nakasato era o insubstituível companheiro, devotado em desfraldar nossas bandeiras cada vez que participávamos de campanhas eleitorais. Graças ao fecundo trabalho de samurais como ele, tive a honra de edificar minha história de cooperativista, sindicalista, vereador, deputado estadual, prefeito e deputado federal.

Mesmo com a profunda dor da ausência física, agradeço a Deus pela dádiva de tê-lo como grande amigo, confidente, meu ídolo. Encontro consolo na certeza de que, da Morada do Senhor, ele zela por nós. Suas lições, sua alegria de menino, sua energia revigorante, sua devoção ao bem, todo seu legado permanecem em nossas almas.

Quando o filho primogênito Yutaka Nakasato me chamou para deixar uma mensagem ao seu pai, disse: “Amigo, até logo! Muito obrigado, obrigado e obrigado! Parafraseando Berthold Brecht, há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são  imprescindíveis. Você, guerreiro, é imprescindível!

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Sobre o Autor

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Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

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