Rodrigo Ecosss

Conheça um pouco mais sobre a arte visionária e espiritual do artivista, tatuador e arte-terapeuta

Postado dia 17/06/2016 às 10:00 por Wilson Neves

Ayahuasca

Foto: Rodrigo Ecosss

Rodrigo, Ecosss como é conhecido, é um “artivista” visionário. Além de escritor, é também artesão de tambores nativos, tatuador, arte-terapeuta e idealizador da Ecos da Natureza. Na entrevista, Ecosss fala sobre sua ligação com a Ayahuasca e explica como essa relação com a espiritualidade nativa, cativa sua mente criativa e desperta outras percepções importantes para sua vida.

##SP: Como a Ayahuasca acompanha você em suas obras de arte?

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Aprendo nesse caminho das medicinas nativas e orientais. Toda obra tem uma mensagem em sua essência e durante sua criação adentramos no universo da física quântica, pois a água que uso para preparar a tinta, é magnetizada. Eu rezo aquela água, coloco essências florais e à utilizo para diluir a tinta. Ela já tem uma vibração a mais que se soma a outras energias, como das cores, símbolos, formas e intenção. Então a Ayahuasca veio me ensinando a importância de se ter uma intenção clara ao fazer, criar algo, depois é só deixar o coração guiar aquele movimento. Comecei a ter feedbacks em exposições de pessoas que eu jamais imaginei.

##SP: Alguma influência marcante em suas obras?

Minha primeira série de quadros (que, inclusive é uma parte do material sobre o qual estou escrevendo um livro), possui obras bem coloridas. Tenho uma ligação muito forte com as profecias indígenas, principalmente com a dos índios Hopi, da América do Norte, e numa dessas profecias eles falam da “Tribo do Arco-Íris”. Então, esta arte tem forte ligação com este simbolismo do arco-íris, que representa a união das tribos (das pessoas) e fala sobre o momento que vivemos hoje. Fala também sobre a importância de quebrarmos essas crenças separatistas, quebrarmos muros e construirmos pontes. Pois existem religiões, mas existe algo por trás de todas elas que tem que ser o que une a humanidade – não as crenças, mas os valores além das crenças. Estamos aqui por uma causa e essas são as ferramentas que utilizamos para a alcançarmos. Então este trabalho é bem colorido pra trazer a força dessa profecia que fala de união, cura, amor e consciência.

##SP: Você pinta somente quadros e tambores?

Trabalhei nos últimos oito anos em festivais de cultura alternativa e música eletrônica. Agora tenho focado mais nas artes, tambores e projetos novos, dentre eles o livro. Nos festivais e fazia parte da cenografia, montando espaços de curas, de palestras, atendimentos terapêuticos. Levava através da arte, mensagens, reflexões, pensamentos, poesias, todas transmitindo a importância do autoconhecimento e responsabilidade para criarmos aqui, o mundo que tanto queremos.

##SP: Como você aprendeu a tocar tambor?

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Minha conexão com o tambor é bem intuitiva, embora eu tenha depois participado de alguns grupos que tocavam, inclusive em rituais, conduzidos por lideranças que tiveram vivência na arte com os nativos. O próprio tambor vai te ensinando o caminho. Tem bases que vem de alguns mestres e artesões do caminho, além de coisas que aprendi com o próprio tambor e com a vida. Em relação a vibração e energia, aprendi muito nos festivais, observando e sentindo a influência dos sons em mim e nas pessoas.

##SP: Quais os tipos de tambor com os quais você trabalha?

São três modelos específicos, com variações de tamanho entre eles. Um é o Lakota, um modelo que é um tipo de pandeiro grande. Você segura ele na parte de traz, ele possui uma amarração atrás do couro. Tem também o Cherokee, que tem pele dos dois lados, e o Pueblo, que é como um Cherokee, mas maior. Ele possui um som mais profundo, que te acolhe e envolve, com se te abraçasse. Cada um possui um desempenho melhor em determinadas ocasiões. O Lakota é bom para usar tocando e cantando em uma roda, pois ele tem um som mais aberto, ideal para uma ocasião de celebração. Já o Cherokee possui um som mais introspectivo. O toque com ele é mais interessante para jornadas e meditação. E o Pueblo também é introspectivo, com um alcance maior – enquanto um você ouve um som que parece que vem de frente, te guiando num caminho, o Pueblo parece que te abraça. Por ser grave e pela caixa acústica, que é maior, ele proporciona uma reverberação sonora diferente.

##SP: Seu som é mais trabalhado no tambor?

Tenho estudado outros instrumentos, o “hand pan”, conhecido como “hang drum”, os “didgeridoos” e a “tigela de cristal”. Cada  instrumento necessita de sua técnica, porém estes são bem intuitivos, é claro que é preciso de prática e dedicação. No caso do didgeridoo é preciso ter uma noção corporal devido a utilização da respiração constante, o que promove um estado meditativo por onde a própria intuição flui. O hang drum, para muitos, nem é considerado um instrumento musical, e sim uma escultura sonora por ser bem sutil. É mais difícil de ser encontrado em lojas, pois é bem trabalhoso de ser feito e por isso tem sempre uma fila de espera na sua construção.

##SP: Você aprendeu a trabalhar com tambor depois da Ayahuasca?

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Sempre tentei fugir da arte, talvez pelo país em que a gente vive, talvez por achar, na época, que a arte não tivesse um papel social importante, principalmente nos dias de hoje. Nesse meio tempo, tentei fugir, fazendo cursos de meio ambiente de biologia. Até que um dia, em uma cerimonia, a Ayahuasca começou a me mostrar que não adiantava, tentar fugir da arte. Tive uma experiência em que ela mostrou a importância da arte, no sentido de contribuir com a cura do excesso de estímulos mentais, de informação intelectualizada e racional. Pois, por mais que você veja uma obra e queira entender, a arte vai te mostrar coisas que vão além do seu entendimento. Neste caminho fui aprendendo que meu compromisso com a arte é de utilizar ela como uma ferramenta de transformação, de conscientização e cura. Antes eu fazia painéis na casa de amigos, como hobby, como um bico. A música começou a vir depois da Ayahuasca, nos últimos anos comecei a criar mais tempo para me dedicar a estes estudos. Hoje vejo, como a arte pode trazer uma linguagem e entendimento, além de despertar sensações que podem contribuir para muitos processos de cura e conscientização.

##SP: Qual a relação da Ayahuasca com a sonoridade?

A Ayahuasca começou a me chamar atenção à alguns anos para a importância da utilização da música e dos sons, dentro de cerimônias, terapias e outros estudos. Ela começou a me mostrar como os ensinamentos trabalham com frequências de vibrações bem distintas. A mesma coisa acontece com as cores, com os sons e as músicas, que transitam entre as frequências e nos afetam. A mensagem falada, passa por um filtro racional, que você vai querer julgar, entender e racionalizar. No caso do canto de uma língua nativa ou um instrumento, ele vai traduzir aquilo em sensações e emoções, já entra por um outro sentido, pelo mesmo meio que a medicina trabalha. Então eu tenho focado muito na música como ferramenta para trabalhos de cura de consciência, meditações, terapia e bem estar.

##SP: Como é trabalhar com a arte junto da espiritualidade?

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##SP: Como é trabalhar com a arte junto da espiritualidade?

Muito do que aprendi foi através da Ayahuasca e foi numa cerimônia que tive contato com o tambor e resolvi fazer um para mim. Fiz do modo que imaginei, a partir da forma que observei. Um amigo viu e pediu um. Uma amiga me sugeriu que eu pintasse tambores. Então, eu consagrava a medicina (Ayahuasca) e ela começou a me ensinar as formas de trabalhar o couro, a madeira, ervas, rezas, sempre aperfeiçoando e adquirindo melhor vibração e sonoridade, a ponto de nativos norte-americanos ficarem impressionados com o resultado. A espiritualidade foi me ensinando dessa forma e através da vida, de observar os ecos da natureza

##SP: E você ensina as pessoas a construírem tambores? Como é isso?

As pessoas recebem o material e dentro de uma vivencia, ensino cada um a construir seu próprio tambor. Fazemos uma introdução falando sobre o simbolismo das direções, dos animais, os arquétipos, as emoções, o mental e o físico, como também as estações e as fases da lua. Tudo isso encaixamos na roda medicinal para fazermos um mapeamento. Enquanto fazemos o tambor estamos caminhando em todas essas direções. No leste temos o masculino (o sol), a águia, no sul temos a criança (o curador curado), a inocência, o lobo, já no oeste temos o feminino representado pela lua, é onde vive a ursa e no norte temos a sabedoria, representada pelo ancião, morada do búfalo branco. Durante a confecção podemos identificar, através de alguns sinais, bloqueios ou situações passadas, que ainda reflitam nos dias de hoje. Após a confecção conversamos um pouco sobre toques e algumas de suas relações com os chakras. Converso bastante sobre a responsabilidade vibratória, principalmente para pessoas que tocam em cerimônias espirituais, terapias e outros, para que tenham consciência de todo universo que existe por traz de um som e de uma música. O sentimento de quem toca, é muito importante, pois nesse momento a pessoa é o canal por onde esta energia vai fluir e a qualidade do canal influencia a qualidade do que passa por este canal.

Conheça mais sobre Rodrigo Ecosss em: www.ecosssdanatureza.blogspot.com

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Sobre o Autor

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Wilson Neves

Sou publicitário e especialista em Marketing , proprietário da WCN agencia de propaganda, fundador e diretor da revista digital “Sociedade Pública”.

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