Roberto Tosatti

Mais de 30 anos de paixão por automóveis clássicos fazem Roberto Tosatti, o novo entrevistado da Sociedade Pública

Postado dia 26/02/2016 às 13:09 por Sociedade Pública

automóveis

Foto: Tosatti ao lado de seu belo Chevrolet Bel Air 1957

Roberto Tosatti, nascido na cidade de Mogi das Cruzes, desenvolveu desde cedo uma grande paixão por automóveis antigos. Fundador do Clube de Carros Antigos de Mogi das Cruzes, Roberto promove eventos para fãs de automóveis clássicos, nessa entrevista ele nos conta como foi conquistando seus belos e raros veículos.

Quem é o “Tosatti”?.

Meu nome é Roberto Tosatti Filho, nascido na cidade de Mogi das Cruzes, um lugar que adoro, onde tenho meus amigos e minha família. Sou casado com a minha adorável Wania Machado Tosatti, e tenho um filho, Henry Machado Tosatti, um rapaz de 11 anos de idade, jogador de basquete. Meus pais se chamam Roberto Tosatti e Francisca Miranda Tosatti. Trabalho na Gerdau como operador de instrumentos, e tenho grande paixão por automóveis antigos. Fundei o CCAMC (Clube de Carros Antigos de Mogi das Cruzes), onde são realizados encontros há mais de 30 anos expondo veículos antigos, luxuosos e raros, fazendo amigos e cada vez mais fortalecendo nosso grupo.

Como iniciou sua paixão por automóveis antigos?

Minha vida sempre foi simples, sem muitos luxos. Sempre trabalhei. Comecei a trabalhar desde cedo, e quando eu atingi a maioridade, completando meus 18 anos, a primeira vontade que tive foi de possuir um carro e tirar minha carteira de motorista. Na época era difícil ter um carro novo, atualmente é bem mais fácil, além disso, eu queria um carro bonito e diferente. Eu sempre gostei dos carros americanos, nunca fui muito fã dos carros nacionais. O melhor carro obviamente é o 0 km, mas eles são caríssimos, então eu tive de sonhar com aquilo que eu poderia ter, e os carros antigos eram mais fáceis de adquirir pelo valor de mercado. Eu sempre quis restaurar veículos, muitos veículos bons, inclusive importados, eram abandonados e o custo era bem baixo, então para mim, essa foi a opção que se encaixou nas minhas possibilidades.

Alguns costumes são passados de pai para filho, o seu pai também tinha o gosto por carros antigos?

Meu pai nunca teve carro, era um homem bem simples, no entanto, ele era motorista e bem querido pelas pessoas e cheios de amigos. O que ele teve era uma Vespa, me recordo de andar na Vespa com ele, e recentemente eu comprei uma para mim para guardar de lembrança, e hoje em dia é também uma raridade, uma M4 1962.

E quando adquiriu seu primeiro carro?

Meu primeiro carro foi quando fiz 18 anos, comprei um Ford 1931, mas precisava restaurá-lo, porém, infelizmente, eu nunca consegui andar com ele! Tentei de tudo! Restaurei, mexi, arrumava problemas e nada, não consegui fazê-lo funcionar. No ano de 1982 eu trabalhava na Rebolos Brasil, houve uma crise na empresa e eu fui demitido. A Rebolos era uma fábrica de abrasivos, onde trabalhei por sete anos. Com o dinheiro da rescisão, eu tive oportunidade de comprar uma Caminhonete F100 1958, fui buscá-la na cidade de Bauru, já tinha um pouco mais de 20 anos, e foi uma alegria enorme vir dirigindo de Bauru até Mogi. Então, ainda em 1982, eu comecei a conhecer pessoas que tinham carros antigos, e resolvi fazer a primeira exposição de carros antigos em Mogi das Cruzes. Começou sendo numa reunião pequena, e logo começou a crescer em número de participantes. Realizamos a primeira exposição e foi um sucesso, com grande público inclusive, então foi lançada nessa oportunidade a ideia do Clube de Carros Antigos de Mogi das Cruzes e, a partir daí o clube veio crescendo e ganhando cada vez mais sócios.

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1931-Ford-Victoria – imagem internet

Fale mais sobre o CCAMC

Na categoria, é um dos clubes mais antigos do Estado de São Paulo, devido ao seu crescimento, tivemos que registrá-lo há aproximadamente dez anos. Hoje somos credenciados junto ao Denatran. É uma alegria imensa poder ter fundado esse clube, onde fui presidente durante mais de vinte anos. Hoje existe um estatuto que exige que a direção seja trocada a cada dois anos. Atualmente temos por volta de 200 associados. A maioria deles reside na região do Alto Tietê, Vale do Paraíba e Zona Leste de São Paulo, onde boa parte das pessoas participa dos eventos.

Qual o carro mais raro que você já viu nesses eventos realizados durante tantos anos?

Muitos… Mas vou te contar sobre um que me marcou bastante. Uma vez me ofereceram uma Mercedes 1939, é um carro raríssimo, e hoje é um dos carros que eu mais gosto, mas na época infelizmente não consegui comprar. Poderia ter comprado, mas faltou correr atrás um pouco mais.

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Mercedes 1929 -SS_Barker-imagem internet

Como está o Mercado de Carros antigos na região metropolitana? Para compra, venda e troca?

Sempre que há uma exposição, há uma oportunidade de renovação. O que acontece é que atualmente não surgem tantos carros antigos para comercializar, pois os donos querem manter e cuidar de seus veículos. Pessoas novas querendo entrar no mercado sempre tem, mas o preço de mercado mudou bastante, tornando também mais difícil a aquisição. A pessoa precisa realmente querer um veículo desse porte para adquiri-lo. Eu, por exemplo, somente compro carros que eu realmente gosto. Acontece de surgir uma oportunidade de compra, e muitas vezes eu acabo oferecendo para os meus amigos, como o caso de um Fiat Sport 850, ano de 1959, disponível para venda. Um veículo desse custa no mínimo 20 mil reais e precisa de um dono.

E porque hoje, com essa indústria automobilística tão grande, que oferece tantas variedades, o senhor opta ainda pelos modelos mais antigos?

Se for para usar no dia a dia, eu prefiro um carro 0 km, mais moderno, pra rodar mesmo. Mas esses carros de coleção são para admirar… Além de serem bonitos e luxuosos, eles são ricos em detalhes, possuem acabamento de primeira, e possuem história. A gente se envolve com isso. Os carros atuais são praticamente feitos de plástico e custam uma fortuna. Quando comprei meu Chevrolet Bel Air 1957, eu costumava utilizá-lo bastante. Além de rodar diariamente com ele, eu ainda o fornecia para a realização de festas de casamento. Mas hoje eu estou poupando-o um pouco mais. Mas é um carro que fez bastante sucesso e continua fazendo.

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Chevrolet Bel Air 1957 – imagem internet

Como o senhor adquiriu a sua Bel Air?

Eu estava querendo uma Bel Air 1957 e fiquei sabendo de um bombeiro que tinha uma e estava vendendo. Eu fui atrás dele e consegui adquiri-la. Ele morava em Suzano, e vendeu para mim com uma condição: que eu participasse da realização de um casamento já que ele havia prometido emprestar o carro para ser parte do evento. Aceitei com o maior prazer, e até hoje continuo oferecendo a Bell Air para casórios. Acabei adquirindo o carro então, e fiquei com ele por quatro anos. Quando houve a crise em 1991, eu fui obrigado a vender a Bel Air, mas felizmente, em 1996 eu a comprei novamente e estou com ela até hoje.

Quantos carros o senhor possui atualmente?

Eu tenho um Ford 1929, um Ford 1937, a Bel Air 1957, a Vespa 1962, e recentemente adquiri um Motorhome 1977.

 

 

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Motorhome 1977. de propriedade de Roberto Tosatti

 

E quando ocorrem os eventos de encontro de carros antigos?

Os nossos eventos tradicionais acontecem em Mogi das Cruzes no meio do ano. Tem também o encontro de Guararema, no último domingo de setembro, e o tradicional encontro de Sabaúna no último domingo de outubro. Além desses, a cada 15 dias na Avenida Cívica em Mogi das Cruzes ocorre um encontro de amigos, onde várias pessoas levam seus automóveis para exposição. Quero também aproveitar a oportunidade e convidar a todos para participarem de um encontro de carros antigos que irá ocorrer em Mogi das Cruzes, no Casarão do Chá! Haverá um passeio nesse domingo dia 28 de fevereiro a partir das 10 horas da manhã. No primeiro final de semana de março, nos dias 05 e 06, haverá um encontro em Bertioga, no Shopping da Riviera. Todos estão convidados para esse evento também. E para finalizar, eu venho informar a todos que pretendo realizar um encontro no último domingo de cada mês em Mogi também, em frente ao INSS, com início previsto para março.

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