Review: Star Trek Sem Fronteiras (2016)

Aventura, ritmo, ação e efeitos fazem deste filme um delicioso prato, harmonioso e saboroso

Postado dia 27/09/2016 às 10:03 por Caio Bezerra

Star trek

Foto: Divulgação

O espaço, a fronteira final… Estas são as viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para a exploração de novos mundos, com o objetivo de pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve. Os dizeres clássicos de Star Trek, ou Jornada nas Estrelas para os mais saudosistas, continuam encantando a todos os amantes da cultura pop até hoje.

O novo filme da saga, Star Trek Sem Fronteiras, parece que incorporou bem esse conceito da série clássica, ao mesmo passo em que entrega um filme muito divertido, com aventura, ritmo alucinante, ação, jogo de câmeras, um 3D que funciona, e o mais importante de tudo, relações humanas e desenvolvimento dos personagens. Quando assiste, você se sente parte daquela tripulação, sente vontade de fazer parte daquilo ou de estar vivendo aquela aventura.

Este filme chegou em um ótimo momento para o cinema deste ano. Até agora nenhum outro longa-metragem de grande orçamento conseguiu ser interessante, todos foram muito esquecíveis. Mas Star Trek Sem Fronteiras chega para restabelecer um equilíbrio. Agrada tanto aos fãs da série clássica quanto o público em geral, mesmo aqueles que não são aficionados pela franquia conseguem e muito gostar, se divertir e se satisfazer.

Foto: Divulgação

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Star Trek Sem Fronteiras é dirigido por Justin Lin, que ocupou o posto de diretor de J.J Abrams. Lin é declaradamente um apaixonado por Star Trek, e neste novo filme ele demonstra muito bem o seu amor pela franquia.

É tudo harmonioso, muito bem trabalhado. A câmera passeia pelos corredores e salas da USS Enterprise. Você pode acompanhar um pouco a rotina daquela tripulação, acaba se tornando parte daquilo. Tem uma cena no filme em que a nave sai de um ancoradouro de uma estação espacial, e a câmera fica posicionada na parte frontal da nave. A cena em que ela deixa o ancoradouro e mostra em primeira mão a nave saindo é muito boa.

O roteiro do filme, escrito pelos gênios Simon Pegg e Doug Jung, é muito bem escrito e os efeitos especiais, figurinos e maquiagens são um show à parte. Inclusive eles usam uma coisa que está em falta hoje em dia, que são justamente os efeitos práticos de maquiagem nos personagens. Você sente realidade naquilo, é tangível.

Posso dizer sem exageros que Star Trek Sem Fronteiras é o melhor filme desta nova trilogia e um dos melhores filmes do ano até agora. Está tudo lá, a aventura empolgante, as atuações marcantes de cada personagem, suas particularidades, e um dos elementos que fazem com que a franquia seja cultuada até hoje: a relação entre cada um deles.

Na trama, a USS Enterprise chega à enorme estação espacial Yorktown depois de três anos de missão a fim de reabastecer e dar uma folga para sua tripulação. Neste período, o Capitão James T. Kirk (Chris Pine) começa a questionar suas ações como capitão e sua rotina a bordo da nave. Ao mesmo tempo, Spock (Zachary Quinto) recebe a notícia de que o Embaixador Spock (seu eu mais velho da linha do tempo alternativa) morreu em Novo Vulcano.

Em Yorktown, uma cápsula de fuga emerge da nebulosa vizinha e a Enterprise logo depois é enviada em uma missão de resgate em um planeta desconhecido. Mas, quando estão chegando ao seu destino, os tripulantes da nave caem em uma armadilha e acabam ficando divididos.

Foto: Divulgação

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A USS Enterprise é destruída no filme, de uma maneira que dá vontade de chorar: parece que é um personagem que está morrendo. O roteiro do filme é tão bem construído, que ele faz você sentir aflição por causa da nave. Outro ponto forte do filme é a relação entre os principais tripulantes da nave: Capitão Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto), Mr. Scott (Simon Pegg), Uhura (Zoe Saldaña), Mr. Sulu (John Cho), Pavel Chekov (Anton Yelchin) e Magro (Karl Urban).

Uma das coisas que faz Star Trek ser uma saga cultuada até os dias de hoje é justamente o desenvolvimento e particularidade entre cada personagem. Eles são únicos e completamente distintos um do outro, mas no final formam uma química perfeita. Vou dar como exemplo a personalidade completamente cética do Magro, ou Dr. Leonard McCoy (Karl Urban), que muitas vezes entra em confronto com a personalidade calculista e lógica de Spock (Zachary Quinto). São personagens com ideais e características diferentes, mas que, quando atuando juntos, formam uma química excelente. Outro exemplo é a clássica amizade entre Kirk e Spock.

Outro trunfo de Star Trek Sem Fronteiras, é a introdução de uma nova personagem, totalmente inédita dentro de toda a saga ou franquia. A alienígena Jaylah, interpretada por Sofia Boutella. É uma personagem responsável por várias cenas memoráveis de ação no decorrer do filme, além de ser uma excelente lutadora de artes marciais. A interação e afinidade que ela vai desenvolvendo com o Mr. Scott faz deles uma dupla inseparável de engenheiros.

Foto: Divulgação

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Star Trek Sem Fronteiras é uma experiência recomendável a todos aqueles que gostam de um bom filme que tenha aventura, ação e humor, tudo colocado dentro de um prato muito saboroso. São poucos os pontos negativos que vi no filme, um deles é o vilão Krall (Idris Elba). No começo achei a atuação dele bem clichê, muito fraca a motivação, mas a genialidade do filme é tão bem trabalhada que, no decorrer da trama, aos poucos você vai entendendo as motivações de Krall.

No final do filme você compreende o lado dele. Outra coisa que senti falta é a participação de Uhura (Zoe Saldaña), Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin). Eles aparecem no filme, mas achei que deram pouco tempo de tela para eles em comparação ao tempo que deram para os outros.

Para finalizar, aquilo que eu achei a cereja do bolo do filme. A linda, fantástica, genial homenagem que fizeram ao ator Leonard Nimoy (o Spock da série clássica), que faleceu no começo do ano passado. Além de homenagear lindamente Nimoy, Lin e a equipe de produção do filme homenagearam todo o elenco da série original.

Senti meu coração bater e vontade até de chorar quando vi a homenagem, toda construída magistralmente com a música de Michael Giacchino ao fundo. A homenagem a Anton Yelchin também… sem palavras. Star Trek Sem Fronteiras é um filme que vai ficar pra sempre na galeria dos grandes de ficção científica e aventura. Justin Lin conseguiu com maestria trazer o espírito de Star Trek pras telonas e ao mesmo tempo fazer um filme muito harmonioso.

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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