Review: Esquadrão Suicida (com spoilers)

O problema não é querer fazer os filmes com um tom mais soturno igual Batman Vs Superman, o problema é querer fazer tudo às pressas

Postado dia 16/08/2016 às 15:55 por Caio Bezerra

esquadrão suicida

Finalmente, após duas semanas da estreia, trago a vocês queridos leitores o meu review do filme Esquadrão Suicida (2016), o novo longa metragem da Warner / DC Comics, que reúne uma super equipe de vilões do Universo DC. Eles são recrutados pelo governo americano para executar missões impossíveis em troca de reduzir suas condenações. Antes de tecer as minhas observações, já quero deixar bem claro que essa análise contém spoilers. Se você ainda não viu o filme sugiro que NÃO LEIA esse artigo ainda. Mas, se você já assistiu, ou não se importa com spoilers, fique à vontade.

Vou analisar parte a parte do filme, separando os aspectos bons e ruins. Na trama do filme, dirigido por David Ayer (Corações de Ferro; Marcados para Morrer) e produzido pelo já conhecido Zack Snider (300; Watchmen), após a morte do Superman (muito mal explorada no filme Batman Vs Superman), Amanda Waller (Viola Davis) monta uma força tarefa com os piores vilões do Universo DC. Entre eles estão a ex-psiquiatra Arlequina (Margot Robbie), o matador de aluguel Pistoleiro (Will Smith), o Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), o Capitão Bumerangue (Jai Cortney), El Diablo (Jay Hernandez) e a Amarra (Adam Beach).

Uma das pessoas esperadas para serem recrutadas é a arqueóloga June Moone (Cara Delevingne), que foi possuída pelo espírito da bruxa Magia. Porém Magia se rebela e arma contra os humanos: liberta seu irmão Incubus e juntos planejam dominar a humanidade. Os super vilões são seguidos de perto por Rick Flag (Joel Kinnaman) e sua guardacostas Katana (Karen Fukuhara).

squad3O filme acaba caindo basicamente nos mesmos erros de Batman Vs Superman, que é justamente a montagem das cenas, falta de tempo para desenvolver personagens e, novamente, o uso de vilões genéricos. Apesar de a trilha sonora ser muito bacana e o longametragem ter um tom mais despojado, a colagem de uma cena com a outra não funciona. É uma música seguida da outra, o filme parece um grande videoclipe.

Tudo se resume a  uma trilha sonora seguida de uma apresentação de personagem, customizada com uma arte, aí uma cena de ação, e depois corta vai pra outra coisa, e tudo numa fração de segundos. O tom das piadas também é completamente fora da casinha. Os roteiristas tentam forçar uma situação engraçada, mas no fim é tudo completamente jogado – por exemplo, o Capitão Bumerangue tem um unicórnio rosa de pelúcia simplesmente por que ele tem e acabou.

Tirando os personagens do Pistoleiro e da Arlequina, o resto da equipe ficou completamente genérica. Você pega um filme de quadrinhos, como Os Vingadores ou Guardiões da Galáxia, por exemplo, a interação entre cada personagem é mais bem dosada: existem os principais, mas todos acabam se destacando. Em Esquadrão Suicida falta isso, e muito. De seis personagens que aparecem, você se importa com dois deles no máximo. Com o resto não dá para sentir a menor empatia, eles entram mudos e saem calados.

O desenvolvimento da história é muito repetitivo também, algumas cenas lembram. Falcão Negro em Perigo, que é um filme de guerra que eu adoro. Mas é exatamente igual, dois helicópteros abatidos em território hostil e uma equipe tática agindo neste território para conter uma ameaça. Como eu queria ver a personagem da Katana cortando vários inimigos. Se apareceu uma vez uma cena assim foi muito. Para mim, ela é um desses personagens desperdiçados pelo filme.

Os takes de filmagem também são muito repetitivos. É basicamente um close na cara dos personagens quando eles estão executando um golpe e tudo fica em câmera lenta. Poucas vezes uma cena de ação é apresentada com a lente mais aberta no plano geral. A mecânica é basicamente a mesma.

squad1Vou falar agora dos verdadeiros vilões do filme, o Incubus e a Magia. Uma péssima escolha de atores, por sinal. Cara Delevingne é completamente sem sal, ela não transmite um pingo se quer de emoção em nada, é pior do que novela mexicana. Uma cena em particular chega a ser constrangedora para o espectador: ela está construindo uma máquina para acabar com o mundo, e ao mesmo tempo fazendo uma dancinha, parecendo uma dançarina de hula havaiana.

E o que dizer dos capangas dela, que são pessoas comuns de Midway City (local onde se desenvolve a história) que viram serviçais da Bruxa quando são tocados. Eles parecem exatamente como os Bonecos de Massa ou qualquer capanga do seriado Power Rangers. A máquina de destruição construída pela Magia, por sinal, me lembrou, e muito, o planinho tosco que o Doutor Destino usou em Quarteto Fantástico – até o feixe de luz indo para o céu, muito clichê.

Vamos falar agora dos pontos bons: o Pistoleiro e a Arlequina, de longe, são as duas melhores coisas do filme. O Will Smith é o tipo de sujeito que não tem como alguém não sentir carisma por ele. No filme ele é um cara durão, mas também sensível, tem humanidade dentro dele, ele segue um código de conduta mesmo sendo um assassino profissional, é um dos personagens com quem você consegue sentir certa empatia.

Caso parecido acontece com a Margot Robbie interpretando a Arlequina. A atriz deve ter lido muitas HQs e assistido as séries animadas do Batman, pois a atuação dela é perfeita dentro do papel. Eu não conseguiria ver outra pessoa agora fazendo a Arlequina senão ela: os trejeitos sensuais, a loucura, as citações (como “Pudimzinho” e “Senhor C”), foi realmente transplantada dos quadrinhos para as telas. A personagem da Viola Davis, que interpreta a Amanda Waller, está perfeita, completamente destemida, não se intimida por nada, maquiavélica, calculista, exploradora… Ela vem com tudo o que tem nos quadrinhos.

E agora o momento que muitos aguardavam: o Coringa, interpretado pelo ator Jared Leto. O filme Esquadrão Suicida é, antes de mais nada, um filme do Esquadrão Suicida. O Batman e o Coringa são meros coadjuvantes, nem isso talvez. O Coringa tem 20 minutos de cenas, no máximo, dentro de um filme de 2 horas e pouco. Sinceramente não me agradou em nada o pouco que vi nesses 20 minutos, achei um desperdício de personagem. Novamente fizeram um monte de referências, mas tudo na base do fan service.

O Coringa do Jared Leto é basicamente um gangster rapper americano. E, o pior de tudo, ele é apaixonado pela Arlequina. Nos quadrinhos ele já tentou matá-la diversas vezes, mas aqui não, ele é apaixonado por ela, e inclusive bola um plano para resgata-lá! Além disso, este Coringa é completamente previsível. Tudo o que squad 2ele vai fazer é muito óbvio, foge muito daquele palhaço insano e psicótico dos quadrinhos que sempre está um passo à frente de tudo.

Não tem como comparar essa atuação com a do Heath Ledger. Aquele Coringa do Ledger, assistindo pela primeira vez, você não sabia o que ele ia fazer, qual era o plano dele? Mas aqui não, em Esquadrão Suicida a motivação de todo mundo é muito óbvia. Em uma cena o Coringa aparece de helicóptero para resgatar a Arlequina, e a aeronave é abatida. A Arlequina pensa que o “pudimzinho” dela morreu, mas é óbvio que não morreu. No final do filme ele volta pra tirá-la do Asilo de Arkham (prisão manicomial do Universo DC que fica em Gotham City).

Para finalizar, é difícil saber o que vem por aí neste universo DC Comics nos cinemas. Os executivos e produtores da Warner precisam entender uma coisa: não adianta ficar poluindo o filme com referências dos quadrinhos só pra fazer fan service. Tudo acaba ficando como palavras ao vento, não quer dizer nada. Em primeiro lugar precisam planejar melhor os filmes, parar de querer copiar o que a Marvel está tentando fazer, parar de se preocupar com a Marvel.

É tudo muito apressado – Esquadrão Suicida é uma tentativa da Warner de tentar reproduzir o que os Guardiões da Galáxia fizeram pela Marvel (inclusive usaram uma mesma música). Acontece que o universo da Marvel nos cinemas já está em andamento desde 2008, as sementes foram plantadas lá atrás e os frutos estão maduros agora. A DC e a Warner plantaram a semente em 2013, quando lançaram O Homem de Aço. São só três filmes lançados nesse novo Universo e você já tem um novo Coringa que aparece em 20 minutos, um novo Batman que apareceu num crossover… Ou seja, falta desenvolvimento nos personagens.

O problema não é querer fazer os filmes com um tom mais soturno como Batman Vs Superman, o problema é querer fazer tudo nas pressas e nas coxas. Vamos aguardar para ver, é o que nos resta.

 

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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