Renato Faury

O defensor do meio-ambiente se dedica a conscientizar as pessoas da importância de buscar uma melhor qualidade de vida com a prática de hábitos cada vez mais saudáveis

Postado dia 29/07/2016 às 01:05 por Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves - Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves – Sociedade Pública

Renato Faury é um defensor do meio ambiente e da qualidade de vida humana. Desde criança sentiu a responsabilidade de buscar preservar e defender a natureza. Autor do livro “O ambiente Humano”, está lançando agora seu segundo livro: “Poluição Dentro de Casa”. Nessa entrevista ele fala para a Sociedade Pública um pouco de sua trajetória e experiência no ambientalismo, além de dar algumas dicas importantes para que as pessoas tenham melhor qualidade de vida.

Renato, como é sua história de vida em Mogi das Cruzes?

Eu nasci em São Paulo, pois minha mãe optou por realizar o parto na capital metropolitana, mas minha vida e a história de minha família estão aqui na cidade há várias gerações. Meu avô, Francisco Ferreira Lopes, veio de Portugal no século XIX. Aqui conheceu minha avó Jardelina de Almeida Lopes, casaram-se e tiveram vários filhos. A história da minha família é bem marcada também pela participação na política. Meu avô foi prefeito da cidade no início dos anos 50, e seu irmão, meu tio-avô Carlos Alberto Lopes, foi prefeito de Mogi três vezes. Meu pai Jacyro Faury foi vereador três vezes.

Eu até aprecio a política, mas do jeito que ela está hoje em dia eu não vejo atrativos pela arte. Minha mãe, Maria Aparecida Lopes Faury, foi professora de música, minha filha é cantora lírica do Teatro Municipal de São Paulo e meu filho toca violão; mas eu não levo jeito.

O que lhe chamava a atenção na sua infância?

Eu fui o moleque que não deixava os amigos caçarem passarinhos. O ambientalista não se forma, nasce feito; o ambientalista se informa. Você não cria um ambientalista, ele já nasce com essa consciência.

Quando você começou a se dedicar às causas ambientas?

Foto por Wilson Neves - Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves – Sociedade Pública – Reanto Faury no seu sitio “Aguas da Mata”

Eu me associei à  ABEPOLAR  – http://www.abepolar.org.br/, em São Paulo, uma das pioneiras no segmento ambiental, foi fundada em 1966, eu entrei na ONG em 69. A ONG está fazendo 50 anos e ainda continua ativa com trabalhos em prol do meio ambiente. Na época que entrei, lembro que era tudo bem mais poético.

Como foi sua vida acadêmica e profissional?

Ainda no nível médio eu fiz química industrial no antigo Ateneu Mogiano, que foi incorporado ao Liceu Brás Cubas; cursei a faculdade de engenharia civil da UMC; na época não existia ainda a engenharia ambiental. Trabalhei em poucas empresas, uma delas foi a Sabesp, onde prestei serviços por 20 anos. Em 1982 fiz pós-graduação em engenharia ecológica na FAAP.

Na Sabesp fui responsável pela proteção dos recursos hídricos, onde criamos uma área específica voltada ao meio ambiente, e passei a fazer palestras sobre vários temas ambientais.

Havia a necessidade de inspetores de mananciais capacitados para detectarem problemas ambientais que pudessem ocasionar problemas aos recursos hídricos, e poucas pessoas estavam habilitadas para essa função. Então, ainda pela Sabesp, começamos a promover cursos de inspeção de mananciais e ecologia básica, onde ensinamos funcionários a reconhecerem e buscarem soluções para possíveis problemas que pudessem implicar na qualidade da água.

Fale sobre seu primeiro livro: “O Ambiente Humano”.

Esse livro foi lançado em 2006, levou três anos para que eu escrevesse. Ele surgiu de uma necessidade de fazer as  pessoas conhecerem o meio ambiente. Pessoas que possuem a responsabilidade de cuidar dos recursos naturais para melhorar a qualidade de vida de todos, mas diversas vezes fecham os olhos para possíveis falhas que que degradam a vida do ecossistema. Um exemplo é o fato da adição de flúor na água que as pessoas bebem em suas casas. Fluor é um veneno e em hipótese alguma deveria ser oferecido para consumo humano.

Então seu livro tende a ensinar as pessoas a pensarem por si próprias sobre tudo que as rodeia no dia a dia?

Exatamente! A ideia é essa! Se a pessoa acreditar naquilo que eu escrevi é bom, mas caso ela não acredite, é melhor, desde que vá procurar as respostas, porque a partir daí ela se informa melhor, e terá capacidade de julgar e analisar as coisas e não somente aceitar o que é dito pelas autoridades e pela mídia. As pessoas estão distraídas na maior parte do tempo, entretidas com uma série de coisas no dia a dia (pão e circo), aceitando facilmente diversas situações que colocam sua vida e de seus familiares em risco, pela falta de interesse em pesquisarem ou se informarem mais.

Foto por Wilson Neves - Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves – Sociedade Pública

Qual a posição dos órgãos que fiscalizam a qualidade da água em relação a isso?

Eles se preocupam com os padrões de potabilidade da água para oferecer para a população um líquido isento de micro-organismos patogênicos que podem provocar doenças, mas não se preocupam com as possíveis doenças causadas por diversos componentes químicos presentes na água que não são analisadas. O resultado é que não se sabe o real efeito que isso pode causar na saúde das pessoas.

E por quais razões não são feitas análises mais profundas na qualidade da água?

Porque custa caro e provavelmente muitas águas seriam condenadas. “Água ruim é melhor do que água nenhuma”. Existe um padrão de potabilidade, mas isso é somente uma classificação, apenas um indicativo.

Renato, agora você está lançando um segundo livro. Fale sobre ele!

Esse meu segundo livro chama-se: “Poluição Dentro de Casa”. Deve sair em novembro. Esse livro fala sobre uma série de coisas prejudiciais para a saúde que as pessoas consomem no dia-a-dia e levam para dentro de suas casas, como diversos alimentos, produtos de limpeza e higiene.

Pode dar alguns exemplos?

Muitas pessoas por exemplo não sabem que, quando o plástico é aquecido, ele libera uma substância chamada Bisfenol A. Essa substância é semelhante a um hormônio feminino, e muitos produtos são consumidos dentro de recipientes plásticos quentes, como é o exemplo do cafezinho geralmente servido em locais públicos, ou na maioria dos alimentos preparados em microondas, entre vários outros. Pesquisas indicam que os homens jovens de hoje possuem uma produção de espermatozoide inferior a de seus pais e avós, e existe no futuro o risco de uma geração estéril devido ao consumo desenfreado e inconsciente de Bisfenol A e de outros venenos.

A população conhece a procedência dos produtos que elas consomem?

A população está desinformada. Fica sabendo apenas o que a propaganda paga diz. Ainda falando em ingestão irregular de hormônios, as vacas recebem muitos hormônios para a reprodução, e o leite que bebemos é infestado de hormônios femininos também nocivos para a saúde. Pense no leite, que é consumido diariamente e usado para alimentar crianças… Algumas universidades que realizaram estudos proíbem o uso de leite nos seus campus. Outros venenos são os refrigerantes que acidificam o seu sangue. Em um sangue alcalino não entra doença, mas sim em um sangue ácido. Então os refrigerante são uma porta para uma série de problemas.

Então no livro “Poluição Dentro de Casa” o foco é nos alimentos?

Foto por Wilson Neves - Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves – Sociedade Pública

Em grande parte sim, pois as pessoas estão consumindo diversos itens que as mídias dizem que são benéficos. Mas falo de outros produtos que também são prejudiciais, como, por exemplo, alguns aromatizantes que não purificam nada – é só um perfume químico. Muitas pessoas têm alergias e não sabem de onde vem! Outros exemplos são tintas para cabelo que são extremamente tóxicas e alguns batons, que possuem metais pesados na composição.

Você acha que as pessoas no Brasil, na grande maioria, se alimentam mal?

Sim, e a vida das pessoas em função dessa péssima alimentação tende a perder cada vez mais qualidade. É preciso conhecer o que alimenta e o que prejudica o organismo. Somos influenciados pela propaganda.

Hoje em dia o consumismo é muito alto, e muitos acabam vivendo mal porque não sabem viver livres dessa necessidade. Para muitos, o “ter” é melhor que o “ser”, e isso deixa muitas pessoas doentes, deprimidas e frustradas.

Seriam as grandes empresas e industrias responsáveis por essa queda de qualidade de vida?

Só existe demanda porque tem consumidor e o consumo é incentivado pelos fabricantes. Mas, a partir do momento que tomamos consciência e mudamos os hábitos de consumo; com certeza nossa vida será melhor.

Fale sobre esses produtos industrializados, como alimentos para microondas.

São alimentos produzidos em grande escala. A aceleração dos processos industriais e o aumento da demanda fez com que os alimentos industrializados tivessem que procurar sempre menor preço para fabricação. Sendo assim, os alimento perdem qualidade. Além disso, são usados muitos produtos químicos para dar aroma e sabor artificiais. No caso da utilização das microondas, a situação é mais grave, pois ele retira nutrientes da comida e seu organismo não reconhece aquilo como alimento, que acaba pouco aproveitando.

E qual o papel da sustentabilidade nos dias de hoje?

O sustentável é aquilo que não prejudica o ambiente e nem as pessoas. Não utiliza crianças nem mão-de-obra escrava e garante qualidade de vida para as próximas gerações. Essa é uma tendência mundial. É o caso dos alimentos orgânicos e é o único meio da humanidade sobreviver. Reutilização dos resíduos, reciclagem de produtos. Deve haver planejamento para saber onde serão reutilizados os produtos de modo que isso não gere poluição e nem resíduos prejudiciais para o meio ambiente.

Foto por Wilson Neves - Sociedade Pública

Foto por Wilson Neves – Sociedade Pública

O que motivou você a escrever os seus livros?

Primeiramente minha responsabilidade com a vida. Passar para as pessoas as informações para a sua sobrevivência no meio ambiente atual, com a poluição chegando dentro de casa, atingindo a nossa família.

No caso do meu segundo livro, “Poluição Dentro de Casa”, ele foi movido pelo falecimento da minha esposa, o que me levou a uma série de pesquisas para descobrir os diversos fatores que poderiam ter causado a doença que lhe tirou a vida. Tudo que está escrito; são fatos, eu não inventei nada.

Esses livros são direcionados principalmente para as mães que costumam ser  mais preocupadas com o bem estar de sua família.

Qual recado que você quer dar para os leitores da Sociedade Pública que se preocupam com o bem-estar e com a qualidade de vida?

Fiquem espertos com todas as coisas que estão disponíveis para nosso consumo, sobre a procedência, sobre as composições, e como as substâncias reagem com o -nosso organismo. Avaliem a sua responsabilidade com o meio ambiente e com tudo que está a nossa volta. Precisamos estar alertas, pois a boa intenção é destruída pela corrupção.

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