Renata Perrella

Conheça a trajetória de Renata Perrella em sua luta para melhorar a qualidade de vida de pessoas carentes

Postado dia 24/12/2015 às 00:41 por Sociedade Pública

renata

Renata Perrella é uma dentista corajosa que iniciou um trabalho social voltado para um publico carente de diversos tipos de assistências. Conheça um pouco mais da mulher que se dedica em ajudar as pessoas necessitadas, e não mede esforços para realizar mudanças significativas na vida de nossos semelhantes com amor e carinho.

Quem é Renata Perrella?

Adoro um trecho de Fernando Pessoa que diz que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou… Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa… Sou uma taurina teimosa e sonhadora, acredito muito no ser humano. Acredito no poder da união do cidadão de bem, e na retomada do nosso poder. Trabalho para que isso aconteça, não gosto de papo, gosto de ação.

Onde você nasceu?

Sou mineira de Belo Horizonte, nascida há 42 anos.

E quando você veio para Mogi das Cruzes?

Vim aos 11 anos de idade, após morar nos EUA por dois anos, por motivos de estudos de meu pai. Ele foi transferido para uma empresa em Poá e eu cresci em Mogi.

Qual sua formação acadêmica?

Me formei em odontologia em 1999 na UMC. Em 2011 me candidatei a uma vaga como dentista em posto de saúde da prefeitura e entrei.

Como foi que você começou a se envolver em ações sociais?

Fui trabalhar em Jundiapeba. A partir daí, comecei a vivenciar as injustiças que os cidadãos sofriam. A má atitude dos funcionários em relação aos humildes, o descaso com eles, a politicagem por trás de postos de saúde e seus funcionários e afins. Tudo isso me incomodava demais, e pensei numa maneira de reagir positivamente a tudo aquilo que eu via de errado.

Comecei a me esforçar mais nos atendimentos, fazia questão de tratá-los muito bem, como merecem, e passei a ensiná-los a reivindicar seus direitos. Passei a ser a criticada para algumas pessoas, mas até então eu não conseguia enxergar onde estava o problema em ser gentil e em falar a verdade.

Como era a situação dessas pessoas?

Eram crianças que dormiam no chão, crianças que não tinham geladeira pra guardar um danoninho, alias, um simples danoninho é sonho para essas crianças. Lá existem crianças que não possuem condições de comerem carne, e mulheres que sofrem demais sem terem a quem pedir ajuda. Era impossível trabalhar com eles sem me mexer pra modificar o que eu via de errado. Eu sou uma pessoa que gosta de cobrar o que é certo por direito, e acredito que para isso, eu tenho que fazer minha parte. Minha parte como dentista, como cidadã e como ser humano, é ajudar.

E como foi que começou a ver resultados nesse processo de ajudar os necessitados?

Foi quando comecei a pedir uma geladeira para a família de uma senhora querida com sete filhas. Isso foi no Natal de 2013. Foi muito legal, porque ganhamos tudo que faltava na casa! Camas, colchões, geladeira, mesa com cadeiras e muitos presentes pra todas! Foi assim que começou a nossa “Corrente Caminho do Bem”.

Você pretende entrar para a política?

De jeito nenhum! Comprei uma briga feia com alguns políticos, sofri um assédio moral muito forte, cheguei a fiquei mal e cai em depressão por não querer desistir, e cheguei a ter que pedir para sair. No começo foi difícil. Quase me envolvi politicamente, pois comecei a receber convites de partidos, até dos que me dispensaram com gosto. Até divaguei por um tempo achando que se eu entrasse conseguiria mais forças pro “meu” bairro. Mas descobri que não. Me senti usada por várias pessoas, que no início eu imaginava serem amigos. Até o dia que Deus me mostrou que a minha força está no meu poder como cidadã! O problema não são os políticos e nem a politica, o problema somos nós! O problema é a maneira desleixada que tratamos nosso governo, é a nossa falta de interesse em comandar esses nossos funcionários. Não se interessar por politica, é não querer nem saber quem é o piloto do seu avião que embarcamos. É lavar as mãos e sentar-se à noite em frente a uma TV mentirosa, e acreditar que só o fato de você se incomodar, você está fazendo sua parte… Não está! A gente precisa pensar coletivamente e precisamos a cobrar o time que escalamos para nos representar.

E qual o trabalho que você faz atualmente no âmbito social?

Peço doações pelo Facebook: roupas, objetos, livros, móveis, faço encontros na escola do bairro uma vez por mês. Tenho um grupo de amigos voluntários. Tem um DJ, uma que comanda o bingo, outra que dá aulas de biscuit, outra organiza as doações em forma de lojinha de rua. Colocamos as doações em araras e expostas, para os moradores escolherem. Visito abrigo de moradores de rua, faço exames bucais nas pessoas, tenho um parceiro que faz o currículo deles também, enfim, dou tiro pra todo lado, porque a situação desse povo é urgente! Pessoas morrem nesse processo de “esperar” o mundo mudar.

Você acredita que nos últimos anos, a assistência das autoridades com as pessoas carentes melhorou?

Não! Acredito que os políticos cada vez mais, aprendem meios de usufruir de tudo que é criado para ajudar as pessoas em benefício próprio. Encontram sempre brechas que os favorecem, em associações de bairro, ONGs, e conseguem driblar os impostos fazendo doações para pessoas previamente compradas… Enfim, acho que se ainda tem gente passando fome, então independente da assistência ter aumentado ou não, ainda é ineficiente! Fome não dá pra negociar e nem botar em estatísticas.

Fala-se muito sobre o sistema político implantado no Brasil nos últimos 10 anos que tem como maior mérito o desenvolvimento nas áreas mais pobres. Como você vê a utilização dos recursos públicos e benefícios que o governo oferece para as pessoas de baixa renda?

Acho que é assim: o sistema atual de gestão tem um ótimo “marqueteiro”! Eles perceberam que o brasileiro valoriza números e estatísticas. Passaram a distribuir “esmolas”, que não tira família nenhuma da miséria, e assim, conseguiram que toda família ganhasse no mínimo 250 reais por mês. Com a linha da miséria abaixo de 250 reais por mês, eles usam os dados numéricos e dizem que acabaram com a miséria! Como se 250 por mês tirasse alguém da miséria. As pessoas são tratadas como lixo, e ainda vivem mal, bem mal.

Qual é a sensação que você tem quando vê o sorriso de uma criança ou de um adulto, recebendo atenção em suas comunidades? Seja um presente, assistência médica, ou simplesmente uma demonstração de carinho?

Sinto que estou cumprindo minha obrigação como ser humano. Que estou permitindo que ela viva uma emoção boa, assim como as que sempre senti. É bem mais gratificante doar, até mais do que receber… Eu as incentivo a ajudarem alguém quando houver necessidade, que o carinho recebido deve ser passado adiante. Tiro fotos como maneira deles agradecerem, e para compartilhar a alegria que sinto quando entrego as doações. Me sinto uma filha feliz por orgulhar seu pai.

O que você pediria de presente para o Papai Noel?

Eu pediria pra que se acabasse a fome. Não tem nada pior do que ela. Nada pior de se ver ou de se sentir. É muito triste quando chego com comida e as crianças correm pra pedir. Criança tem que pedir brinquedo.

O que o Natal representa para você?

Realmente, representa o nascimento de Jesus. E insisto para que ele seja louvado fora das igrejas e fora de contextos burocráticos e interesseiros. Acho que o Natal é uma coroação de tudo que fizemos durante o ano, momento de mostrar pra Jesus que a gente honra ele vivo. E não somente morto na cruz. Natal, mais do que nunca, é momento de tentarmos agir como ele, como forma de agradecimento pela vida.

Alguma coisa que você viu nos últimos anos durante seu trabalho com essas pessoas carentes que marcou você?

Sim… Uma vez fizemos uma fogueira à noite, uma energia bem boa, e perguntei as pessoas qual era o pior e o melhor dia de suas vidas. Todos os 15 que lá estavam, responderam dias relacionados com emoções sentidas. O nascimento do filho era sempre lembrado como um dia feliz, ou o dia que saiu da cadeia e viu o rostinho do filho após anos… E o pior sempre ligado aos pais, filhos mortos, famílias que se separaram e nunca mais se uniram… Nunca era nada relacionado a bens materiais… Isso me marcou muito.

Alguma mensagem de Natal que você queira mandar para as pessoas?

Quero que passemos a trabalhar mais a nossa “compaixão”! Que a deixássemos agir dentro de nossas mente e corações. Que a gente passe a ser a mudança que cobramos, e que honremos Jesus vivo, agindo com o amor ao próximo, e com garra, como ele fazia.

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