Redes sociais, faca de dois gumes

Elas são instrumentos para comunicar pessoas, mas é preciso tomar cuidado: servem para esclarecer, mas também para confundir

Postado dia 28/11/2016 às 08:42 por José Iwabe

 

rede social

Foto: Reprodução

Quando abro o Facebook, sempre o faço com um pé atrás, dado que posso ser, caso não esteja atento, tratado como otário, como vejo por não poucas vezes nas reações ou comentários postados por internautas em relação a incontáveis postagens falsas, mentirosas, difusoras de boatos ou claramente mal intencionadas.

Não há como negar a importância, a utilidade e o alcance da internet e das redes sociais, mas é justamente por isso que os que querem manipular mentes e formar opiniões para torná-las cativas, criam blogs, sites e produzem matérias, fotos e narrativas para confundir.

 

Sobre notícias falsas e boatos, algumas considerações:

– A velocidade no compartilhamento de informações é um dos principais atrativos das redes sociais. Mas a falta de preocupação em checar a veracidade da postagem antes de repassá-la pode causar grandes transtornos.

– A inabilidade de parte dos internautas em lidar com essas mídias é responsável pela rápida divulgação de informações falsas, julgamentos equivocados ou exagerados e superexposição.

– Os usuários desconsideram que um perfil numa página não define necessariamente o que uma pessoa é na vida real.

Muitas das discussões ou reações em torno de questões políticas, sociais e econômicas – as quais são apresentadas de maneira parcial, tocando apenas em aspectos pontuais ou as traduzindo com vetores apenas emocionais, para causar impacto, sem apresentar o mérito, o conteúdo, a realidade dos fatos – são resultado de julgamentos precipitados, sem a devida busca da verdade, que é fruto de análise séria e consistente do que é postado.

A PEC 241/55, a MP sobre a reforma do ensino médio, as Dez Medidas contra a corrupção, o PL sobre o Abuso de Autoridade, a Reforma Política e o Financiamento do Fundo Partidário, a tentativa de “obstrução dos trabalhos da Lava Jato pelo Congresso”, a propalada “firmeza” de Carmen Lúcia, presidente do STF, as “medidas” que Trump, presidente eleito dos EUA, tomará”, as consequências do plebiscito no Reino Unido pelo “Brexit”, etc., são alguns dos exemplos sobre a vacuidade das opiniões apresentadas por muitos comentários, que demonstram que nem leram os documentos que criticam ou apoiam, nem pesquisaram sobre os fatos e fotos divulgados.

Na época do julgamento do Mensalão houve uma quase “idolatria” de Joaquim Barbosa, quase um “Batman brasileiro em sua heroica luta contra a corrupção”, mas se houvesse maior crivo sobre sua atuação teriam percebido que suas garras estiveram cuidadosamente distantes daquele que “sabia de tudo”, conforme José Dirceu, bem como as penas aplicadas só tiverem severidade com os que estavam nas franjas da quadrilha e os políticos.

Face à gravidade dos crimes praticados e ao estardalhaço da mídia, foram premiados com levíssimas punições. Hoje todos estão livres (só não Dirceu, por ter sido estúpido o suficiente para ser pego em outro crime, cumulativamente).

O mais grave: muitas dessas notícias falsas geram quantidades imensas de dinheiro para pessoas inescrupulosas e sem caráter.

As redes sociais são de importância vital na nossa era digital e instrumentos eficacíssimos para comunicar pessoas, mas representam uma via de duas mãos. Servem para esclarecer, mas também para confundir.

A única maneira de ter controle para a realidade que cerca a cada um de nós, e enxergar claramente, é ter lucidez para formar um juízo correto – não procedendo como simples boi na boiada – nos capacitando também a ler, observar, analisar, pesquisar e confrontar, antes de julgar e agir.

 

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José Iwabe

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