Quem sonha, poupa

“Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer?” Isaias 5: 2.

Postado dia 07/04/2016 às 09:00 por Luiz Edmundo

 

dinheiro

Foto: Reprodução/Internet

Se os versos do profeta bíblico referem-se ao uso parcimonioso do dinheiro, o poema de Bernard Mandeville, A Fábula das Abelhas, publicado entre 1714 e 1729 e que influenciou economistas fundamentais na história do pensamento econômico como Adam Smith, Keynes apontam para a importância que os gastos ostensivos dos esbanjadores são para estimular a produção de mercadorias, serviços e para a geração de empregos:

À medida que minguaram orgulho e luxo, 
Gradativamente deixaram os mares,
Agora não os mercadores, mas companhias.
Fecharam fábricas inteiras.
Todas as artes e ofícios foram abandonados.”

Se para a sociedade os gastos são estimulante ao seu crescimento econômico, para os indivíduos podem representar a sua ruína. A prosperidade dos indivíduos depende de uma seleção criteriosa dos gastos, do uso parcimonioso do dinheiro e de um equilíbrio entre o consumo e a poupança. Mesmo que haja uma contradição de sentidos entre o macro e o microeconômico, onde o excesso de gastos é bom para o sistema e ruim para o indivíduo, os gastos excessivos de uns estimula a produção de outros. Isso transfere recursos, premia os laboriosos e estimula o crescimento econômico.

Poupar, por sua vez, não se limita a não consumir, mas sim a uma forma seletiva da aplicação das reservas de maneira a protegê-las da inflação e multiplicar o seu valor! O valor poupado, ao ser aplicado em ações, fundo de investimentos e alternativas outras que, mesmo que iniciada em um banco ou corretora desemboca em um sistema produtivo; uma fábrica, uma empresa ou negócios que cria os valores através da produção. O dinheiro não para debaixo do colchão, ele segue para os mercados comprando bens de consumo ou comprando bens de produção, máquinas, equipamentos, matéria primas, enfim bens para produzir mais bens.

Poupar para investir e obter lucro no mais curto prazo é o resultado de um investimento bem sucedido. Atingir esse sucesso prescinde de autoconhecimento, saber aonde se quer chegar e, também, de conhecimento sobre os mercados, as alternativas de investimentos, letras do tesouro, fundos de renda fixa e variáveis, ações, títulos bancários, etc.

Um investimento para a aposentadoria é de longo prazo enquanto aqueles destinados a um gasto com viagem ou automóveis serão de curto prazo. Quando estamos próximo da aposentadoria nosso investimento deve ser mais conservadores, ou seja, menos exposto a riscos, diferente dos jovens que podem expor-se a riscos maiores que alavanquem seus ganhos.

O lucro ou o sucesso nos mercados é resultado das decisões dos indivíduos que sonham e que através dos seus sonhos sistematizam suas escolhas, submetem-se a uma disciplina de controle dos gastos e selecionam através de critérios racionais os melhores investimentos para suas poupanças. Se os benefícios sociais advindos da atividade econômica podem originar-se dos gastos ostensivos e abusivos como mencionado no poema de Mandeville, para os indivíduos os benefícios dos gastos só poderão advir da parcimônia e do uso planejado do dinheiro, como sugeriu o profeta Isaias.

 

 

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter