Quanto falta ainda para chegarmos ao primeiro mundo?

A mudança que queremos depende de nós. Precisamos valorizar as boas maneiras

Postado dia 02/05/2017 às 08:00 por Valter Mello

primeiro mundo

Foto: Reprodução/Internet

Sempre que alguém conta suas impressões de viagem, um ponto recorrente é o punhado de elogios à forma como a sociedade se organiza para que a vida se torne mais fácil. Uns contam que as cidades são limpas, outros que existe confiança mútua entre os cidadãos, outros ainda que tudo funciona no horário, e uma série de outras opiniões edificantes sobre a vida lá fora.  Sabemos que os óculos de turistas têm filtros de boa vontade, e que nem tudo são verdadeiramente flores. Entretanto, não podemos negar que por aqui estamos a anos luz do razoável.

Para sabermos as quantas anda a nossa urbanidade, e consequentemente ter uma ideia do caminho que ainda teremos que percorrer até o primeiro mundo, basta atentar para a quantidade de situações e de pequenos atos que vemos sendo praticados no dia a dia, e que se não estão prejudicando diretamente a alguém, pelo menos deixam claro que o autor não demonstrou um mínimo respeito pelas regras da boa convivência ou pelas nossas leis.

Só para deixar claro do que estou falando: Qual o dia em que não vemos carros estacionados irregularmente; furando semáforos ou invadindo vias preferenciais, desfilando com som altíssimo? Gente furando fila; falando alto ao celular; usurpando vagas de idosos? Isso só pra citar alguns exemplos, porque se a gente resolve fazer uma lista de tudo vamos ficar escrevendo por meses.

Além disso, ainda temos os crimes praticados impunemente pelos baloeiros; pelos traficantes de animais; vandalismos a granel, o infame “Você sabe com quem está falando?” , a mania de querer levar vantagem através do famoso jeitinho…

Para tudo isso o nosso repertório de desculpas é imenso: Ainda somos um país novo;  fomos colonizados por degredados e putas; o “jeitinho” é herança dos portugueses;  herdamos essa preguiça dos índios; teria sido melhor se os holandeses ou franceses tivessem conquistado o Brasil; etc. Podemos culpar qualquer coisa: que a causa é o clima; o cruzeiro do sul; os ventos do Atlântico; que não existe pecado ao sul do equador, mas enfim, botar a culpa na história não muda o que somos.

O que me chama a atenção é que não parece que estamos evoluindo. Continuamos mantendo os mesmos vícios de conduta já documentados desde o Brasil Colônia.  Se isso é mesmo culpa do caldeirão cultural que nos fez brasileiros não sei e, aliás, não me interessa. Afinal, se queremos um dia quem sabe, fazer parte da elite do mundo, precisamos caminhar nessa direção começando por deixar de lado esse nosso individualismo torto que se sobrepõe às mais rudimentares regras de convivência.

A mudança que queremos depende de nós.  Precisamos valorizar as boas maneiras.

Porém, isso ainda vai demandar certo tempo porque parece que teremos de começar do zero. Precisamos de um sistema de ensino que desfaça as décadas de trapalhadas educacionais promovidas pelos ideólogos do Estado. Que comece pela escolarização de base com acesso universal e oportunidades iguais para todos, e que esqueça ideologias e abandone essa mania sectarista de minorias e resgastes históricos.  Se as nossas crianças crescerem cidadãs a despeito dos pais, teremos encontrado o caminho. É óbvio que para isso será necessário o fortalecimento da formação e remuneração de professores, e da criação de estruturas físicas adequadas nas escolas. Mas parece-me que basta vontade política. Nossa, e não do Estado. Que ele não nos atrapalhe!

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Valter Mello

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