Quanto estou “perdendo” aplicando na poupança?

Independente do fator mais óbvio de atualização, o investidor sai perdendo aplicando em poupança. Não ter correção da inflação nos investimentos é perder poder de compra

Postado dia 12/02/2016 às 01:38 por Wndenberg Marques

poupança

Foto: Divulgação/Internet

Independente do valor disponível para aplicação, a poupança tem características que a fazem ser a escolha do investidor que não tem assessoria adequada de um profissional especializado em alocação de investimentos ou alguém com uma formação mais completa, como um planejador financeiro.

O motivo mais claro é a simplicidade no entendimento do seu funcionamento. A forma de rentabilidade de 0,5% ao mês mais TR (taxa referencial) foi deixada de lado a partir de 04/05/2012 quando, devido a uma queda na SELIC (taxa básica de juros no Brasil) para 7,5% ao ano, a poupança passou a ser vantajosa até mesmo para os grandes investidores. Este cenário durou poucos meses. A Selic voltou a subir e a poupança de pouco mais de 6% ao ano livre de impostos para pessoa física também deixou de ser mais atrativa.

De acordo com a legislação atual, a remuneração dos depósitos de poupança é composta de duas parcelas:

I – a remuneração básica, dada pela Taxa Referencial – TR, e

II – a remuneração adicional, correspondente a:

  1. a) 0,5% ao mês, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for superior a 8,5%; ou
  2. b) 70% da meta da taxa Selic ao ano, que precisa ser exposta de forma mensal através de cálculo de conversão de taxa, vigente na data de início do período de rendimento, enquanto a meta da taxa Selic ao ano for igual ou inferior a 8,5%.

Percebe-se que ficou um pouco mais confuso o funcionamento para quem tem depósitos a partir da alteração em 2012. Mesmo assim ainda é um investimento muito utilizado principalmente para pequenos investidores, pois é uma operação encontrada em todos os bancos, sem restrições e sem burocracias.

A análise abaixo leva em consideração as contas de um investidor de R$ 10.000,00 em poupança no ano de 2015 e o quanto ele teve de ganho na poupança:

  • R$ 10.000,00 aplicados no dia 01/01/2015 até o dia 31/12/2015 o investidor teria R$ 10.729,48 ou 7,29% líquido (correção feita pelo site do banco central), ou seja, teria tido uma rentabilidade inferior à inflação do período que foi de 10,70%.
  • Apenas a correção da inflação levaria o investidor a um valor de R$ 11.070,00 ou 10,70%.
  • A taxa Selic em 2015 ficou em 13,20% no ano, levando em consideração este valor corrigido pela própria, este investidor teria R$ 13.200,00.

Portanto, independente do fator mais óbvio de atualização, o investidor sai perdendo aplicando em poupança. Não ter correção da inflação nos investimentos é perder poder de compra, significa que o que compraria com 10 mil não compra mais.

Temos nos bancos outra dificuldade, que seria conseguir essas aplicações mais rentáveis e seguras para pequenos investidores com menos de R$ 50.000,00, por exemplo, por isso temos os títulos do tesouro que permitem a qualquer brasileiro a partir de R$ 30,00 ao mês poder comprar papeis do governo federal ganhando rentabilidades que não conseguiriam em grandes bancos. O investidor tem que ter cadastro numa corretora de valores, até mesmo a do próprio banco, e realizar a compra via site www.tesouro.fazenda.gov.br.

Alguns cuidados são necessários:

1 – Custo – É cobrada pelo agente de custódia uma taxa de 0,3% ao ano mais o que a corretora que você escolheu cobra, o que pode variar de 0% ao ano a 2% ao ano. Precisa abater o Imposto de renda para pessoa física também, que chega a alíquota mínima de 15% sobre o ganho em dois anos.

2 – Existem três tipos diferentes de papeis.

  • Pós Fixado – Tesouro SELIC, paga a variação da SELIC independente do cenário.
  • Pré-fixados – Tesouro pré-fixado, Taxa de remuneração pré-determinada na compra. Atenção, há volatilidade. Possibilidade de perda se vender antes do vencimento.
  • Indexados ao IPCA – Tesouro IPCA, ótima opção de investimento para longo prazo, esse papel paga a variação do IPCA mais uma taxa pré-fixada determinada na compra. Atenção, há volatilidade. Possibilidade de perda se vender antes do vencimento.

Outro ponto importante sobre a poupança é a falta de liquidez, ou seja, apesar de poder retirar o dinheiro quando quiser, se o investidor não aguardar pela data de aniversário mensal retira seu capital sem correção alguma. Enquanto os títulos do tesouro podem ser vendidos a qualquer momento e tem correção diária.

Importante lembrar que investidores com capacidade de aportes maiores que R$ 50.000,00 já têm possibilidades de investimentos diferenciadas nos bancos, ou até mesmo possibilidades distintas de compra dos títulos públicos.

O importante para o investidor menos experiente é não tomar decisão sozinho e contar sempre com auxílio de um profissional da área com adequada capacitação.

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Sobre o Autor

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Wndenberg Marques

Administrador, especializado em finanças corporativas e bancos de investimentos pela FIA (Fundação Instituto de Administração), certificado pelo IBCPF

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