Quando queremos transformar, mas só temos coragem suficiente para regenerar

Há uma longa distância nesses caminhos. Mas já dizia Pessoa: navegar é preciso. Viver não é preciso

Postado dia 16/11/2015 às 09:08 por Tania Zaccharias

Monarch Butterfly emerging from it's chrysalis

Como muitos  já sabem, acho legal observar os Seres Humanos e suas engraçadas inconsistências… Eis aqui mais uma delas, cuja reflexão compartilho com vocês!

Eu, como boa ariana regida por Marte, confesso minha predileção por ver a coisa desconstruir e se TRANSFORMAR. Por essência eu sempre fui assim, mas quando a coisa não tá boa externamente, até os mais conservadores se colocam a dizer que “tem que mudar tudo”!  Poxa… Legal!  – penso eu. Mas será que estamos mesmos aptos e temos “the balls” para isso?

Vamos à etimologia das coisas….

TRANSFORMAÇÃO: do grego, metamorhoõ, significa mudar de forma. Perceba que mudar de forma implica em algo complexo. Não é dar um “tapinha para parecer diferente”. Mudar de forma traz consigo a natureza e a necessidade de que sejam alteradas as características fundamentais de algo ou alguém – aquelas das entranhas, da essência, que marcava, caracterizava, ou seja, dão forma.

E aí que é nessa hora, na hora H de realmente colocar tudo (que é preciso) abaixo, a maioria de nós quer ficar segurando seus pratinhos no mesmo lugar e só andar até a pagina dois. Sinto informá-los meus amigos, mas até a página dois só é possível REGENERAR.

Do latim re “de novo” e generare “gerar”. Ou seja: trata-se de criar novamente o que já existe. Talvez um pouco melhor, um pouco diferente ou até pior. Tanto faz.  O ponto é que as bases essenciais não mudaram.

Em um português claro: é a diferença entre demolir e fazer uma reforma. Simples assim. E ai que entra a parte interessante…

Todo mundo aparentemente quer mudar e se transformar. Mas não basta querer, tem de fazer – e para isso é preciso CORAGEM! Voltando ao latim: coragem é AGIR COM O CORAÇÃO. Implica seguir seu caminho, deixar ele falar e principalmente conduzir.  Aceitar que ele tem razões que a razão desconhece. Viver na insegurança e confiar. Confiar naquilo que não se sabe, no que não podemos saber nem prever. É dar o passo antes de ver o chão na nossa frente. É seguir perigosas trilhas e olhar para o desconhecido.  E o desconhecido?! Ah… ele apavora, pois vem cheio de riscos!

Riscos? Nós não gostamos de riscos! Queremos mudar tudo, ter coragem, mas sem correr riscos… Como diria meu pai: “rapadura é doce mas não é mole não” – e sem tomar riscos, não vai dar.  Não será possível transformar, somente regenerar. Afinal, somente do desconhecido é o que o novo pode vir,  pois se não for assim, não é novo, é de novo. Entende?

 

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Sobre o Autor

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Tania Zaccharias

Ex-menina, atual mulher "porque". Entusiasta da poesia da vida real, curiosa por tudo e sempre questionadora.

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