Quando a autossabotagem te impede de ser feliz

Sabe aquela profissão que você achava que tinha muita habilidade e talento, mas que no fundo tinha receio de fracassar ou não ser tão bom quanto pensava, fazendo com que desistisse de segui-la?

Postado dia 01/04/2016 às 09:00 por Priscilla Brandeker

autossabotagem

Foto: Reprodução/Internet

Sabe aquele cargo que você queria muito assumir e no fundo não se sentia preparado ou com medo para exercê-lo? Será que inconscientemente, algo que você fez ou deixou de fazer produziu padrões que não permitiram que esse cargo chegasse a ser seu? Será que algum medo ou bloqueio dominou seus comportamentos afim de que isso realmente não se concretizasse (e você tivesse uma boa desculpa palpável e aceitável para justificar aos demais)?

Sabe aquele relacionamento que você entrou já sabendo ou sentindo que não ia dar certo, mas mesmo assim você insistiu? Será que inconscientemente, você buscou esse relacionamento justamente por isso? Será que você não se achava capaz ou merecedor de um relacionamento melhor e mais produtivo?

Sabe aquela profissão que você achava que tinha muita habilidade e talento, mas tinha receio de no fundo fracassar ou não ser tão bom quanto pensava, fazendo com que desistisse de segui-la? Será que não era medo de não ser tão bom quanto pensava e ficar a vida toda pensando que teria sido o melhor do mundo se a tivesse seguido?

Bom pessoal, esses são alguns exemplos simples de autossabotagem, um mecanismo utilizado por nós mesmos, mais especificamente pela nossa poderosa mente e seus processos inconscientes, na tentativa de nos proteger e nos manter na zona de conforto ou num aparente equilíbrio e bem estar emocional na própria vida.

A autossabotagem é um mecanismo que utilizamos para nos “proteger” de grandes responsabilidades e obrigações, e que se analisarmos, tem muito a ver com o período em que éramos crianças, livres, leves e soltos por aí, sem grandes preocupações ou responsabilidades (e que época boa não é mesmo), para preservarmos hoje, uma imagem e uma identidade que julgamos ter criado e que as pessoas nos conhecem através dela.

O processo de conscientização de nossas autossabotagens não é tão simples quanto parece e requer muita sutileza e cuidado, pois aparecem neste percurso, elementos dos quais não queremos ou não estamos dispostos e preparados para entrar em contato e reconhecer, pois não é nada fácil descobrirmos que algo não dá certo porque nós mesmos estamos burlando ou bloqueando por ser algo doloroso de entrar  em contato. Queremos manter um sonho e ainda que ele nunca seja comprovado ser possível, preferimos acreditar que seria, se isso ou aquilo não tivesse impedido (desculpas socialmente aceitas como justificativas), além disso, toda vez que desconfiamos da nossa capacidade de superar obstáculos, nosso sentimento de covardia e medo do fracasso vêm à tona e ficamos bloqueados/paralisados. Enquanto nossas ilusões e nossas resistências em rever nossos erros e aprender com eles não vierem à tona, continuaremos bloqueados e/ou andando em círculos.

Quanto mais conscientes dessas sabotagens, mais recursos e forças teremos para reverter esse jogo, basta querer e estarmos dispostos a lidar com isso. O processo terapêutico olha para essas sabotagens de uma forma a desconstruí-las (de forma gradual) e fazer repensá-las também por intermédio das sementes familiares e culturais/sociais, propondo e construindo novas escolhas a partir daquilo que realmente desejamos, sendo capazes de arcar com todas as consequências e sendo donos de toda situação presente.  É um processo de autoconhecimento e conexão com a própria essência, dos valores que ajudam ou emperram o crescimento e uma busca por uma vida plena, propulsora, em harmonia e paz.

Ótima reflexão e um abraço a todos,

Priscilla T. Brandeker

CRP 06/123945

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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