A primeira mensagem de Temer

A primeira mensagem do presidente da República em exercício, Michel Temer, à Nação brasileira chamou a atenção por vários pontos, mas um foi realmente especial: o tão aguardado resgate da confiança. Confiança no Brasil e nas instituições.

Postado dia 19/05/2016 às 09:00 por Paulo Skaf

temer

Foto: Reprodução/Internet

Os que me acompanham sabem que tenho insistido que a retomada do crescimento econômico está estreitamente ligada à volta da credibilidade, dizimada durante a forte crise política que tomou conta do País nos últimos anos, responsável pela retração do Produto Interno Bruto (PIB), a resistente inflação na casa dos dois dígitos, a alta da taxa de desemprego e queda da renda do brasileiro.

Os pequenos negócios, como todo setor produtivo, também sentiram na pele as consequências do ciclo vicioso da economia. Em 2015, quase 2 milhões de empresas fecharam as portas, sendo que mais de 90% eram de pequeno porte. Este número pode ser ainda maior, levando em conta que boa parte dos empresários só abaixa as portas e não encerra oficialmente a atividade, por conta dos altos custos envolvidos.

A evolução da receita dos pequenos também é preocupante. Afinal são 15 meses seguidos de queda do faturamento. Em março deste ano, o recuo foi de 13,6%, na comparação com o mesmo mês de 2015. Isso significou menos R$ 8 bilhões girando na economia paulista. Além da redução do pessoal ocupado nestas empresas, reconhecidamente grandes geradoras de emprego e renda.

Ou seja, não há economia que se sustente dessa forma; sem confiança ninguém investe, ninguém emprega, ninguém consome. Mas o resgate da confiança não é tarefa simples e exige atitudes firmes. Por isso também vi com bons olhos o anúncio de outro compromisso do governo federal: reduzir tamanho do Estado e restaurar o equilíbrio das contas públicas com forte e eficiente ajuste dos gastos como faz a dona de casa, o empresário, o trabalhador. E sem aumento de impostos.

Restabelecida a questão da confiança e todos seus benefícios, é preciso lembrar que a criação de empregos é um bom caminho, mas não o único, para se ter uma economia saudável e sustentável a longo prazo. Estimular o empreendedorismo e os pequenos negócios é também um pilar estratégico fundamental na retomada.

Afinal, seja por não encontrar espaço no mercado de trabalho, seja por vislumbrar uma oportunidade de realizar o sonho de ter o próprio negócio, 300 mil brasileiros decidiram abrir uma empresa entre janeiro e abril de 2016. O desafio é mantê-los em atividade, combatendo o ambiente hostil dos excessos de burocracia e tributos e incentivando-os a crescer.

Já circulam em várias esferas do Congresso e do Executivo Federal propostas que ajudem o setor produtivo – empresários e trabalhadores – a contribuir para estar retomada. Entre os principais destacamos a desoneração dos pequenos negócios e combate à morte súbita, com a aprovação da PLC 125/2015, que vai garantir uma transição mais suave do Simples para os regimes do Lucro Real e do Lucro Presumido e pode beneficiar mais de 500 mil pequenos negócios e a regulamentação da atividade terceirizada, garantindo a segurança jurídica a 1 milhão de empresas que já prestam serviços e aos 15 milhões de empregados formais que ali trabalham, além de gerar 2 milhões de novos empregos.

Sei que os desafios e as adversidades são complexos e gigantes, mas também estou convicto da vontade do brasileiro de resgatar o Brasil gigante de oportunidades de superação e crescimento. 12.05.2016, o dia da virada.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Paulo Skaf

Paulistano, filho de imigrantes libaneses, tem 59 anos e é combativo defensor das condições de igualdade para que as empresas sejam competitivas.

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter