Preparando a gestante para a amamentação

Depois de cumprido o tempo gestacional natural, todo o sistema fisiológico do bebê está apto a funcionar, garantindo-lhe a vida fora do corpo da mãe, estando, assim, plenamente preparado para respirar e mamar com sucesso.

Postado dia 24/08/2015 às 11:58 por Sociedade Pública

amamentando

Para que tanto mãe quanto filho alcancem sucesso no início da amamentação, é fundamental a gestante se preparar fisicamente para a obtenção de conforto próprio durante o procedimento. É importante e conveniente esta consciência, também por parte do companheiro e daqueles que se propõem a dar apoio à futura mãe. Observar as orientações durante o pré-natal também é vital.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o recém-nascido receba amamentação exclusiva (amamentar é dar a mama) até os seis meses de vida, e associada a outros alimentos até os dois anos ou mais de vida da criança.  Os dados oficiais do Ministério da Saúde do Brasil indicam que estamos distantes do cumprimento das metas propostas pela OMS e MS.

Como dentista ortopedista funcional dos maxilares, tive o privilégio por dez anos ser assistente da Dra. Gabriela Dorothy de Carvalho, referência nacional e internacional em amamentação e síndrome do respirador bucal. Nesse período, adquiri conhecimento teórico e clínico em amamentação e sua influência no desenvolvimento facial, na respiração, na postura corporal e no comportamento, entre outros fatores que influenciam a vida da criança.

Assim nasce a necessidade desta publicação para contribuir com a promoção do aleitamento materno. É primordial que a mãe e o pai da criança recebam informações sobre a importância da amamentação e os cuidados que são necessários para que ela seja uma experiência significante e prazerosa para a mulher e reverbere em saúde para a criança.

Quando a gestante deve começar a se preparar para amamentar? Ela pode se preparar para amamentar logo que se tenha conhecimento da gravidez, a começar pelo preparo das mamas, no sentido de expô-las ao sol, antes das 10h da manhã e após as 16h, momentos do dia em que o sol é mais saudável para a cútis. Este procedimento tem o objetivo de tornar a pele mais espessa e resistente a fissuras durante o processo de amamentação.

Outro procedimento bem útil e importante, embora possa parecer estranho para algumas mulheres, é cortar o bico do sutiã, a fim de que o mamilo roce na roupa e, com isso, a pele crie um reforço de proteção na camada de queratina.

Durante a gravidez não devem ser utilizados óleos (de amêndoa em especial, nem de vegetais, minerais e animais), nem cremes lubrificantes ou pomadas (que a publicidade diz serem os melhores para evitar rachaduras). Todos esses produtos favorecem traumas e podem provocar feridas à região mamilo-areolar à menor pressão, já que removem células superficiais da pele, deixando-a fina e sensível. Durante toda a fase de amamentação, igualmente, esses produtos não devem ser usados.

Uma dica importante é a de usar sutiã durante a gravidez e depois do nascimento do bebê para ajudar na sustentação da mama, que tem seu tamanho maior nesta fase.

Deve-se ter algum cuidado específico com as mamas durante a amamentação? É conveniente não higienizar o mamilo e a aréola antes da mamada, para evitar remover a camada de proteção natural da pele, composta por gordura, suor, leite e saliva da criança. Quando a mãe higieniza a mama com qualquer produto, água quente e sabão ou álcool, por exemplo, a pele ficará fina e ressecada e a mãe sentirá dor e ardor antes, durante e após a amamentação.

No leite materno, no suor e na saliva da criança existe a lisozima, enzima com ação bactericida. Não há, por conseguinte,a necessidade de limpar os mamilos para amamentar com outra coisa que o próprio leite, passado com a ponta do dedo. Lavar bem as mãos antes da mamada é de suma importância, haja vista serem as mãos a parte do corpo com maior contato com o ambiente.

A enfermeira Vera Vinha da USP, autora de várias obras sobre o tema, orienta que o hábito de esfregar os mamilos com toalha felpuda, bucha, esponja ou escova durante o banho vai igualmente impedir o espessamento da pele e ressecá-la. Ela desaconselha o uso, para a limpeza do mamilo, de algodão embebido em água ou água boricada (que pode até mesmo causar intoxicação à criança), sabão e produtos de higiene que contenham álcool e que ressecam a pele.

Existe um complexo mamiloareolar melhor ou pior para dar de mamar? Os mamilos podem ser: protruso (bico saliente), semiprotruso (bico pouco saliente), plano (bico achatado), pseudoinvertido ou invertido (bico virado para dentro). Nenhum tipo de mamilo impede a amamentação, com a ressalva dos mamilos planos, pseudoinvertidos e invertidos, que necessitam ser tratados para a pega correta da mama pelo recém nascido, de acordo com a médica pediatra Dra. Ivete Nocito, ex-chefe do Banco de Leite do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Para fazer uma boa pega, o bebê abocanha a parte escura da mama (a aréola), e não apenas o mamilo.

Tomados esses cuidados, a possibilidade de ocorrerem traumas e fissuras mamilares diminui de maneira expressiva. Existem profissionais de saúde altamente capacitados na área da amamentação, principalmente nos centros de referência, para orientar as mães nas dificuldades, como, por exemplo, pega incorreta da mama por parte da criança, problemas e dificuldades com a anatomia do mamilo, alterações patológicas da mama durante amamentação ou o que fazer com o excesso de produção de leite.

É de se observar ser a pega incorreta da mama um dos principais motivos da não obtenção do leite por parte da criança, o que acarreta choro, já que ela permanece com fome. Se o profissional de saúde não estiver capacitado na área da amamentação, poderá, equivocadamente, recomendar à mãe a introdução da mamadeira, possibilitando o processo de trabalho muscular inadequado e podendo resultar na Síndrome do Respirador Bucal, ou “desmame precoce”.

Outra conduta fundamental, por parte da gestante e que deve ser apoiada pelos seus pares, é a realização periódica (de três em três meses) do pré-natal odontológico, além, obviamente, do pré-natal médico.

 

Compartilhar:

Leia também

Assine a nossa newsletter