Por que estudar arte?

Na proposta geral dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a arte tem uma função tão importante quanto a dos outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem.

Postado dia 27/01/2017 às 09:00 por Sociedade Pública

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Foto: Reprodução

O estudo da arte desenvolve o pensamento artístico e a percepção estética, a sensibilidade e imaginação.

A arte ensina o aluno a usar os outros sentidos para uma percepção maior quanto a sua realidade cultural, compreendendo sua maneira de pensar e agir.

Esse conhecimento se faz necessário também para uma boa atuação em diversas áreas, uma vez que a arte desenvolve a criatividade e o pensamento crítico e esteve presente em praticamente todas as formas culturais.

No início do século, mediante a estudos científicos que envolveu antropologia, filosofia, psicologia, psicanálise, crítica de arte, psicopedagogia e tendências estéticas foi formulado os princípios para o ensino das artes plásticas, música, teatro e dança, que eram vistos como livre expressão o que valorizou muito a criatividade da criança, porém, provocou uma descaracterização progressiva da área.

Tal consequência trouxe a necessidade de uma mudança dentro do ensino da arte, questionando a ideia da livre expressão.

No início da década de 70, autores responsáveis pela mudança do ensino de arte nos Estados Unidos afirmavam que o desenvolvimento artístico é resultado de formas complexas de aprendizagem e que não ocorre naturalmente, é tarefa do professor instruir no decorrer do seu crescimento meios para transformar idéias, sentimentos e imagens num objeto material.

No estudo de artes no Brasil, em meados do século XX, havia uma visão humanista e filosófica que demarcou as tendências tradicionalistas e escolanovista.

Nas escolas tradicionais, nesse período, no estudo de desenho, valorizava se muito as habilidades manuais, preparando os alunos para o mercado de trabalho.

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Na música, destacou se um projeto chamado Canto Orfeônico, criado pelo compositor Heitor Villa-Lobos, que foi substituído anos depois pela Educação Musical, criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1961.

Nesse período, pensando em uma possibilidade de trabalhar a arte também fora da escola, houve um crescimento de movimentos culturais, o que marcou essa caracterização foi a “Semana de Arte Moderna de São Paulo”, em 1922, na qual estiveram envolvidos artistas de várias modalidades: artes plásticas, música, poesia, dança, etc.

Em meio aos anos 60, ocorre uma tentativa de aproximação entre o ensino de arte nas escolas e fora delas, promovendo os festivais de músicas e teatro.

Somente em 1971 com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a arte é incluída no currículo escolar com o título de Educação Artística, mas é considerada “atividade educativa” e não disciplina, porém, havia uma carência muito grande em educadores, pois estes, não estavam devidamente habilitados e não dominavam as várias linguagens artísticas que deveriam ser incluídas no currículo.

A partir dos anos 80 constitui-se o movimento Arte-Educação, com a finalidade de conscientizar e organizar os profissionais, resultando na mobilização de grupos de professores de arte, tanto da educação formal como da informal.

Em 1988 inicia-se discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que seria sancionada apenas em 20 de dezembro de 1996.

Devido a conscientização de importância do estudo de artes para a formação, houve manifestações e protestos de inúmeros educadores contrários a uma das versões da lei que retirava a obrigatoriedade da área.

Com a Lei no 9.394/96, revogam-se as disposições anteriores e Arte é considerada obrigatória na educação básica; assim havendo uma reivindicação de identificar a área por Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura curricular como área com conteúdos próprios ligados à cultura artística e não apenas como atividade.

Por consequência da fragilidade na formação dos educadores e também pela falta de material apropriado, o ensino da arte limitou-se a decoração das escolas em datas comemorativas.

Por ter um caráter criador e inovador, a Arte, juntamente com outras ciências torna se essencial para o conhecimento de uma nova compreensão do ser humano.

As criações artísticas e suas interpretações vão além da realidade dos fatos, tanto para o artista, quanto para o espectador, pois possuem diversas linguagens e possibilitam diferentes leituras.

O estudo da arte desenvolve vários conhecimentos, além do fazer artístico, da percepção estética, criatividade, reproduções, desenvolvimento de competências, habilidades, pesquisas técnicas, gera uma necessidade de investigar o campo artístico como atividade humana, produto de cultura e parte da história.

Nesse processo, cabe ao professor desenvolver os recursos didáticos adequados para apresentar as informações e à escola, incluir essas informações produzida nos âmbitos regional, nacional e internacional, compreendendo criticamente também aquelas produzidas pelas mídias para democratizar o conhecimento e ampliar as possibilidades de participação social do aluno.

Esse aprendizado acompanha o desenvolvimento geral da criança e do jovem e deve ser consolidado como parte integrante dos currículos escolares.

Em uma abordagem geral do tema, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, o ensino e aprendizagem de artes contribui para a formação do cidadão e tem como objetivo promover sua formação artística e participação na sociedade, através da produção, fruição e reflexão.

 

claudiaNome: Cláudia Dias
Cidade: Poá
Profissão: Artista plástica
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