Poluição mental

Enquanto discutimos, outros povos pesquisam os recursos naturais brasileiros, e possivelmente irão utilizá-los

Postado dia 08/06/2016 às 07:30 por Renato Faury

brasileiros

Foto: Reprodução/Internet

A civilização moderna produziu transformações diversas nos ambiente. As três maiores perdas sofridas pela população humana nos últimos séculos foram o convívio com a natureza, com a família e com a comunidade.

Tivemos que nos adaptar às situações de novos habitats, nem sempre de forma moral. Acreditar em preconceitos, em informações inverídicas ou no sensacionalismo para obter vantagens, materiais ou não, é um modo de poluir a mente. Diversas situações ambientais, por exemplo, são pré-julgadas por fanáticos, interesseiros e até por parte da mídia, que deveria conhecer sempre o assunto que está divulgando.

Sem o compromisso com a verdade se perde a oportunidade de esclarecer a população. Chega-se ao cúmulo de se decidir previamente por um posicionamento contra ou a favor de uma determinada situação ambiental. Daí, então, se passa a um verdadeiro massacre em cima das opiniões contrárias, abdicando-se de critérios mais objetivos.

Nesse caso, deixa de prevalecer o interesse público e a ciência; a democracia fica maculada, prevalece a demagogia. A preservação do ambiente não precisa de mentiras, mas de verdades e de comportamentos éticos responsáveis.

Falta-nos uma visão estratégica do uso dos recursos naturais; desperdiçamos as oportunidades de fazer da biodiversidade um poderoso potencial produtivo.

A biodiversidade brasileira está sendo extinta irresponsavelmente, sem preocupação com as gerações futuras ou com as oportunidades de trabalho e o desenvolvimento de novas potencialidades da natureza.

Os mais poderosos se apropriam dos recursos naturais e os mais pobres herdam a poluição, a degradação ambiental e a miséria.

Enquanto ficamos discutimos, outros povos pesquisam os recursos naturais brasileiros, e possivelmente irão utilizá-los, sem a nossa participação. Temos avançado na legislação, nas estruturas de proteção, na organização da sociedade, nas tecnologias, na pesquisa, etc, mas ainda é pouco.

Além do mais, estamos deteriorando a biodiversidade com os resíduos dos produtos usados diariamente, sem a menor preocupação com sua consequência na natureza.

Aqueles que possuem riquezas (como os 13% da água doce do planeta e muitos minérios estratégicos) precisam estar atentos à Política Comercial Global, onde ainda prevalece a lei do mais forte para se apropriar dos recursos naturais dos mais fracos. Estes tendem a permanecer na pobreza.   

Necessitamos criar novas tecnologias para melhor aproveitamento das matérias-primas, e não simplesmente aceitar pacotes tecnológicos importados. Também devemos ser competentes para usar a tecnologia disponível no mundo e substituir os produtos raros e caros. O rápido avanço das tecnologias, como a de fontes alternativas de energia, vai facilitar a interiorização e a individualização do desenvolvimento, pela facilidade e diminuição de custos.

Usando a inteligência, criando meios de produção regionais e ambientalmente sustentáveis, suprimimos as degradações ambientais consequentes das nossas ações.

Se conseguirmos nos manter independentes do sistema produtivo contemporâneo, isto significará a nossa libertação, escravos que somos da vida moderna e dos apelos bem elaborados pela propaganda consumista.

As teses ambientalistas raramente prosperam, continuam perdendo por vários motivos. A crítica ambiental causa poucas repercussões no Brasil. Poucas obras de porte (como estradas ou hidrelétricas) aprimoram seus projetos em níveis reais.

Os poderosos se impõem aos órgãos fracos e desaparelhados. Os desafios do saneamento e do desmatamento se agravam.

Enquanto os agentes econômicos ignoram os condicionantes ambientais, muitos ambientalistas ignoram os imperativos econômicos.

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Sobre o Autor

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Renato Faury

Engenheiro civil pós graduado em Engenharia Ecológica, e Assessor do meio ambiente do LIONS Internacional Governadoria LC-5

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