Política, a arte do desastre

Muitas pessoas podem ter acreditado até hoje que o pensamento de esquerda pró impeachment era baseado em opiniões de revolucionários intelectuais...

Postado dia 19/04/2016 às 10:09 por Sociedade Pública

impeachment

Foto: Reprodução/Internet – O ex-presidente Fernando Collor foi o primeiro a sofrer impeachment no Brasil

Formar opinião nos dias atuais é fundamental, então examine bem qual é a sua, de onde ela veio, para quem e onde ela vai. Existem vários tipos de opiniões, mas entre tantas, quero destacar duas que me chamam a atenção, a opinião da sabedoria e a opinião da conveniência. O que elas têm em comum? Ambas mudam frequentemente, mas a opinião da conveniência reflete fraqueza e oportunismo, e a da sabedoria reflete segurança e bom senso.

Há um ditado que diz que: “é próprio dos sábios mudar de opinião”. Preferir ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo não pode ser confundido com ser uma cabeça repleta de pensamentos voláteis que não formam opinião sobre nada.

Quando ocorreu o Impeachment de Fernando Collor no começo da década de 90, seu maior rival derrotado democraticamente nas urnas, Lula tinha uma opinião conveniente sobre aquela situação: o impedimento do presidente era a solução para mostrar para toda a nação brasileira que a democracia existia e, segundo ele mesmo disse, o povo tinha o direito de destituir Collor da função mesmo ele tendo vencido pela maioria dos votos. Após ser retirado da presidência, Collor foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal e foi absolvido das acusações sofridas.

Os movimentos de esquerda adotaram a mesma opinião de Lula, e até pouco tempo carregavam o impeachment pela história como se fosse uma vitória da classe.

Muitas pessoas podem ter acreditado até hoje que o pensamento de esquerda pró impeachment era baseado por opiniões de revolucionários intelectuais, vindo de estudos políticos profundos e sérios. No entanto, o que foi revelado nos dias de hoje é que esse pensamento era somente conveniente.

O feitiço virou contra o feiticeiro e agora o impeachment não possui nada de heroico ou democrático. É visto pelos seus antigos apoiadores como um golpe perverso contra a nação e a liberdade, um atentado grotesco contra a honra e o caráter de Dilma Rousseff, cujo defensores alegam que é inocente, tão inocente quanto Collor.

Então, como o Fernandinho foi declarado inocente pelo STF, é possível que digam que ele mereceu sair porque deu um prejuízo histórico ao Brasil e destruiu a economia, elevou os juros, endividou as pessoas, causou desemprego e enfraqueceu a moeda nacional. Sendo assim, Dilma Rousseff tem todo o direito de ser inocente, mas baseado na história, dizer que o impeachment é golpe é só uma questão de opinião que vai pelo lado da conveniência.

Vale a pena lembrar que Lula e companhia tentaram também aplicar um impeachment em FHC, já conhecendo a “fórmula do sucesso”, mas dessa vez o pedido não foi pra frente. Logo depois, em 2006, após ser anunciado o escândalo do Mensalão, foi protocolado um pedido de impeachment contra Lula, veja o link :http://sociedadepublica.com.br/impeachment-lula-2006/

Em um jogo de xadrez, hoje você joga com as peças brancas, amanhã com as peças negras. Democracia é uma via de mão dupla e política é a arte do desastre.

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