Planejar é não faltar

Precisamos mudar o lado do disco e despender esforços antes do início de qualquer projeto e não virarmos bombeiros após a explosão deles!

Postado dia 05/01/2016 às 00:00 por Pedro Muniz

cantareira

Criado em meados de 1970 em resposta ao rápido crescimento populacional de São Paulo, o Sistema Cantareira previa assistir a uma população na época de aproximadamente seis milhões de habitantes. Quem esperava que este mesmo conjunto de represas, sem modernização ao longo de 45 anos, precisaria atender a exatamente o dobro de pessoas no ano 2015?

A maior crise hídrica da história do Estado não surgiu do dia para a noite. Não surgiu devido à falta de chuvas (condição ambiental esta cada vez mais sujeita nos tempos modernos), não surgiu devido aos banhos demorados, as brincadeiras de criança com mangueira nas ruas, ao luxo de lavar o carro semanalmente, aos astronômicos volumes utilizados no setor industrial e arrisco a dizer nem ao excesso de desperdício da rede sucateada de distribuição da RMSP, estimada pela própria SABESP algo em torno 25% de perdas hoje. O que vemos foi a falta de planejamento ao longo de todas as gestões (sem exceção!) que por aqui passaram, problema este visto não só no setor de meio ambiente, mas enraizado na gestão pública nacional, no tocante a qualquer quesito, seja saúde, transportes, economia…

Vimos então uma forte mobilização para mapear as áreas de risco, pontos considerados prioritários como hospitais, maternidades e presídios. Planos de contingência sendo elaborados. Milhares de boas práticas para famílias e pequenas empresas reduzirem seus consumos. Criação de bônus. Utilização do volume morto (altamente discutido no âmbito da saúde). Entre outras mil ações a fim de minimizar o impacto no sistema que se encontrava respirando com a ajuda de aparelhos. Enfim, todas merecendo seus méritos e colaborando para a manutenção mesmo que sofrida, do sistema em condições de uso. Porém será possível mensurar até quando seriam ou serão suficientes estas ações?? Entrará em colapso o já morto sistema Cantareira??

A engenharia está aí para isso! Façamos uso das tecnologias que sim, possuímos disponíveis, para modernizar primeiramente o abastecimento da RMSP, bem como manter em paralelo estudo de viabilidade de utilização de outras vias para o consumo.  Não precisamos transpor nossas fronteiras para ver bons exemplos. Em meio ao caos e reduções drásticas diárias do volume disponível do Cantareira, a cidade de Jundiaí possuía aumentos diários em seu sistema, atingindo em plena estiagem dos meses de setembro e outubro, níveis acima do 90% da capacidade.

A palavra então é PLANEJAMENTO! Precisamos mudar o lado do disco e despender esforços antes do início de qualquer projeto e não virarmos bombeiros após a explosão deles!

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Sobre o Autor

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Pedro Muniz

Engenheiro Ambiental formada pela UNESP, pós graduado em Gestão de Projetos, especializado em gestão e gerenciamento de resíduos sólidos.

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