Permita-se não fazer absolutamente nada (às vezes)

O que pode acontecer quando temos mil e uma responsabilidades?

Postado dia 13/06/2016 às 08:30 por Priscilla Brandeker

responsabilidades

Foto: Reprodução/Internet

Antes de estudar psicologia e já sendo completamente apaixonada por esta incrível ciência, fui levada por diversos fatores ao estudo da Comunicação Social, um curso que foi todo reformulado especificamente para áreas como Jornalismo, Publicidade e Rádio e TV. O que este curso me trouxe de aprendizados? Posso dizer que muitos, mas muitos mesmo. Um deles quero compartilhar e refletir aqui com vocês.

Há quem diga que a faculdade de Comunicação não agregou e não agrega nada em minha carreira de psicóloga. Pois bem, estou aqui para falar de uma das melhores coisas que aprendi naquela época e que não dei tanta importância, talvez por não compreender bem seu significado: a importância do ócio criativo.

Mas o que é isso? Quando a nossa vida está cheia de compromissos e tarefas a cumprir, nosso cérebro entende que deve trabalhar o tempo todo para dar conta de tudo isso. A partir daí, pensamos o tempo todo nos compromissos do trabalho, no trajeto de ida e volta, nas coisas pendentes em casa, nas contas para pagar, nos compromissos que queremos para o final de semana, nas pessoas que precisamos e queremos falar, nos ajustes que temos que fazer aqui e ali, nas coisas que precisamos estudar e nos posts todos que queremos ler em todas as mídias sociais. Ou seja, nossa cabeça está cheia, tão cheia quanto um celular ou um computador que já não consegue mais processar tantas informações ao mesmo tempo.

O que pode acontecer quando temos mil e uma responsabilidades? Podemos não dar conta de nenhuma delas, sentir-nos culpados por não fazermos nem a metade delas ou simplesmente pifarmos. O nosso cérebro, carregado de informações e excesso de atividades, pode se confundir e sobrecarregar. Muitos pensamentos significam colisão.

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Ficar sem fazer nada é impossível? Você se lembra como era antes do smartphone? Você estava em um lugar e olhava para as pessoas. Você ouvia uma música simplesmente para ouvi-la ou dançá-la talvez, mas você não mexia no computador, no smartphone, no tablet e na televisão, tudo ao mesmo tempo. Você contemplava o caminho (seja ele feio ou não), você esperava numa fila e observava as coisas ao seu redor e você não tinha sede de saber de tudo o tempo todo. É por esse e por outros variados motivos, que estamos tão estafados, tão cansados e ocupados.

Mas será que estamos mesmo ocupando nossa cabeça com coisas boas e úteis?

O ócio criativo consiste em deixar que seu cérebro descanse para que ele consiga ter espaço suficiente para oxigenar e abrir-se para o novo. É contemplar sem exigir. É perder o olhar de vista. É deixar que a mente flua e busque em seu estoque de recursos (já bastante completo) e obter, quem sabe, o famoso insight para determinadas ideias e situações que precisamos.

Não fazer nada pode soar estranho e muito difícil no começo, levando-nos  até a um sentimento de culpa ou inutilidade. Mas veja, temos inúmeros exemplos de filósofos, escritores, autores, pintores, artistas, etc, que nos mostram que esvaziar a mente pode gerar excelentes frutos. Não é crime nenhum ter um tempo livre. Não se culpe por isso. Não se exija tanto. Cuide de si mesmo que a vida retribui. Vamos tentar?

Priscilla T. Brandeker

Psicóloga

CRP 06/123945

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Sobre o Autor

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Priscilla Brandeker

Priscila Brandeker é psicóloga especializada. Atende crianças, adolescentes, adultos e também pessoas da terceira idade. Priscilla T. Brandeker Psicóloga (CRP 06/123945)

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