Pela primeira vez um filme do Wolverine… Com o Wolverine!

Logan é um verdadeiro banquete para os fãs do Wolverine nos quadrinhos. Pela primeira vez, os produtores conseguiram incorporar e transmitir o cerne do personagem nas telonas

Postado dia 16/03/2017 às 08:30 por Caio Bezerra

Foto: Divulgação

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Ao anunciar o lançamento do filme Logan, o décimo da série de longas dos X-Men e o último com o ator Hugh Jackman na pele do mutante mal-encarado com garras de adamantium, grande parte do público em geral não criou grandes expectativas. Estavam na memória os fracassos de crítica de X-Men: Apocalypse e, principalmente, de Wolverine Origens (este também um fiasco de público).

Após o sucesso estrondoso de Deadpool, o estúdio (FOX) percebeu que dá para fazer sim adaptações de personagens de quadrinhos, voltadas para um público mais velho, mais adulto. Logan é um verdadeiro banquete para os fãs do Wolverine nos quadrinhos. Pela primeira vez, os produtores conseguiram incorporar e transmitir o cerne do personagem nas telonas.

Uma das coisas mais fascinantes do Wolverine, é justamente o conflito entre o seu lado animal com o seu lado humano. O filme explorou de forma magistral isso: logo no início, o personagem já sucumbe a sua selvageria interna. E além disso, você tem um personagem que agora tem fraquezas, está envelhecido e com o poder de cura limitado. Tudo isso apoiado com um pano de fundo que justifica todas essas fraquezas no personagem.

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Foto: Dafne Keen no papel da arma X-23

Outro acerto do filme é a atriz mirim Dafne Keen no papel da arma X-23: você consegue se afeiçoar com os dramas dela, consegue entender os porquês dela. Uma criança que viveu e nasceu como cobaia, teve sua infância roubada, e que agora está descobrindo quem ela é, e o mundo a sua volta. Em alguns momentos, a interpretação se assemelha um pouco com a personagem Eleven da série Stranger Things, da Netflix.

Logan tem poucos pontos fracos. Trabalha muito bem a questão de relacionamentos humanos entre os personagens, nas cenas de ação sabe usar muito bem a essência deles e te deixa tenso a todo momento. Porém, ao passo que o filme explora e desenvolve muito bem os protagonistas heróis, ele detona os vilões. Completamente rasos, motivações fracas, todos eles são meramente buchas de canhão que surgem iguais jogos “beat ‘em up” de videogames, onde uma horda de capangas surge na tela e você vai derrubando um a um até chegar no chefão da fase.

Foto: Poster oficial do filme Logan

Foto: Poster oficial do filme Logan

A mecânica do filme é basicamente essa, nenhum dos vilões tem desenvolvimento; são simplesmente bonecos que servem para serem estraçalhados pelos dois personagens principais. O ator Boyd Holbrook, da série Narcos, faz o papel do vilão Donald Pierce. Ele infelizmente não convence muito, chega a ser canastrão.

A atuação de Patrick Stewart como Professor – X também é fantástica. Já com 90 anos, o eterno tutor dos X-Men sofre de uma doença degenerativa capaz de afetar todos os mutantes ao seu redor.

Mas no geral, Logan é sem sombra de dúvidas o melhor filme do Wolverine já feito. É intenso, são poucos os momentos que o espectador pode respirar. Infelizmente Hugh Jackman se despede do personagem que interpreta há 17 anos. Esperamos que no futuro outro ator possa levar adiante este legado deixado pelo australiano.

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Sobre o Autor

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Caio Bezerra

Jornalista graduado pela Universidade Mogi das Cruzes (UMC). Atua há sete anos na área de imprensa, tendo trabalhado em diversos segmentos

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